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Rio Branco - Acre, sábado, 1 de março de 2003

Marcos Vicentti

Componentes do bloco fizeram participação inicial na festa do “Carnaval Como Antigamente”, que tomou conta do Calçadão da Gameleira

Marujos do Juruá

O Grupo Folclórico da Marujada, composto
por 35 pessoas, abriu o Folia na Gameleira 2003

Metade dos componentes chegou num batelão da Secretaria de Hidrovias enquanto os outros dançarinos se organizavam no palco montado próximo à Casa Yunes, na área restaurada da rua Eduardo Assmar.

Antes de a dança começar acompanhada por guitarra e castanholas um dos dirigentes do grupo apresentou ao público a história da marujada, dança que veio da Europa no século XVIII, conhecida por Fandango, na Espanha.

A dança aportou no Brasil no ano de 814 em Pernambuco e com o tempo se tornou uma tradição de vários Estados brasileiros. Em cada região a marujada ganhava nomes e características particulares.

Segundo a pesquisadora, Maria Leudes da Silva, Osvaldo Galego trouxe a dança para Cruzeiro do Sul na década de 40, depois de levá-la para a Serra do Moa.

“No município acreano a dança retrata um motim dentro de um navio contra capitão-general que comandava a embarcação. Toda a guarnição da nau participou da revolta: o comandante, mestre, contra-mestre, alirante, gajeiro e todos são representados na apresentação do grupo. Todos os brincantes vinham vestidos a caráter: os oficiais com suas roupas de gala e os marinheiros com calças brancas com uma listra azul na lateral e blusa azul. Na tradição da dança, ao chegarem ao destino toda a tripulação sai em festa pelas ruas da cidade”, conta a pesquisadora.

As letras das músicas falam de saudade, dos amores do tempo de solidão e da forte ligação desses homens com o mar. Os ritmos das músicas são o xote, a valsa e o coco. Este último já bem diferenciado do coco que é tocado em outras regiões. Aqui são utilizados violão, banjo e pandeiro marcando o passo, pois os participantes dançam soltos com as pontas dos pés, num gingado mais parecido com a dança dos índios amazônicos.

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Rose Farias
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