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Rio Branco - Acre, domingo, 9 de março de 2003
Lula testa Congresso

Antes do Carnaval, o governo Lula fez o primeiro grande teste de sua base de sustentação política no Congresso. Na votação, na Câmara, de um requerimento obteve 221 votos contra 188 da oposição, num quorum de 410 dos 513 deputados federais. O governo contou com os deputados do PT, dos partidos aliados e de alguns dissidentes dos partidos de oposição. Do outro lado, votaram PSDB, PFL e PMDB.

Leque de alianças maior

O resultado da votação significa que se o governo contar com pelo menos metade dos deputados do PMDB já vai dar para aprovar projetos de lei de seu interesse. No entanto, para aprovar as reformas estruturais, como a tributária, previdenciária, trabalhista e política, Lula e seus aliados vão ter que ampliar ainda mais o leque de alianças no Congresso.

Apoio da sociedade

Para conseguir aprovar as reformas estruturais, as únicas que poderão tirar o país do caos financeiro que FHC deixou para Lula, a tática do atual governo é contar com o apoio da opinião pública. Como está virando consenso nacional a necessidade do país as reformas, a opinião pública vai se encarregar de pressionar os partidos de oposição para votá-las logo. Pelo menos duas, a tributária e a da previdência, terão de ser aprovadas ainda este ano se alguém quiser ver dinheiro sobrando para alguma coisa no país.

Tomando pé

Como só teve duas semanas para trabalhar, o novo Congresso Nacional não teve nem tempo para tomar pé da situação do país, que é uma das mais críticas das últimas décadas. A maioria dos novos deputados e senadores não teve tempo sequer para se apresentar e dizer a que vieram a Brasília.

Bancada ávida

A maioria da nova bancada federal do Acre, no entanto, já mostrou que está ávido para cair de cabeça nas discussões e votações dos assuntos regionais e dos grandes temas nacionais. Pelo que se viu nos seis dias “úteis” das duas primeiras semanas – ainda se trabalha apenas nas terças, quartas e quintas no Congresso - os parlamentares do Acre aproveitaram todas as brechas que tiveram para falar nas sessões plenárias.

Zico e Perpétua

Na Câmara, por exemplo, só o deputado Zico Bronzeado (PT) ocupou por duas vezes a presidência dos trabalhos, além de ter feito alguns pronunciamentos e apartes a colegas. Ao lado de Zico, Perpétua Almeida (PCdoB) foi várias vezes ao microfone falar da situação atual do Acre e do país.

Senadores na ativa

No Senado, Tião Viana continua na linha de frente das articulações políticas do Congresso em defesa do PT e do governo Lula. Geraldinho Mesquita, suplente da mesa diretora e vice-líder do bloco governista, começa a dar suas estocadas certeiras nas discussões dos grandes temas nacionais. Sibá Machado vai assumindo o papel de bom articulador das questões ligadas ao meio ambiente e ao trabalhador rural, papel que foi desempenhado com destaque pela titular do mandato, a ministra Marina Silva.

Ministra discreta

Por seu lado, a ministra Marina Silva vai trabalhando sem muito barulho, tomando pé da situação de sua pasta e do tamanho da responsabilidade que assumiu para colocar o Brasil no eixo do desenvolvimento sustentável. Essa não é uma tarefa fácil tendo em vista se tratar de um país que ainda engatinha no respeito ao meio ambiente, prática essencial ao progresso das relações entre o homem e a natureza.

Fazendo a faxina

Apesar da discrição, a ministra Marina Silva vai arrumando a casa, fazendo o que, nos bastidores, está sendo considerada uma grande faxina em órgãos vinculados a seu ministério, que estavam “velhos”, “enferrujados” e cheios de vícios nada recomendáveis eticamente para quem lida com os interesses públicos. Consta que a maior das faxinas está sendo feita no Ibama, onde se formaram verdadeiras quadrilhas especializadas em achaques e propinas. A limpeza começou em Brasília e agora se expande para as representações do órgão nos Estados.

Atuação em conjunto

A maioria da bancada federal do Acre estreou atuando em conjunto nos plenários do Senado e da Câmara dos Deputados. Os parlamentares estão ansiosos para começaram a atuar, também em conjunto, na defesa da liberação de verbas e outras demandas do governo acreano junto aos ministérios e outros órgãos do governo federal.

Situação delicada I

A situação dos mandatos dos deputados federais Narciso Mendes e Ronivon Santiago, que respondem processos na Justiça Eleitoral, continua inalterada nas últimas duas semanas. Narciso aguarda que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue seu último recurso contra a decisão do TSE de cassar-lhe o registro eleitoral. E Ronivon espera o TSE julgar pedido de cassação de seu mandato, que feito recentemente pelo Ministério Público Federal.

O governo e o Brasil

A herança que o presidente Lula herdou do governo FHC pode ser medida pela análise que o jornalista e escritor Luís Fernando Veríssimo fez há um ano sobre a situação do governo e do país. “O governo brasileiro, por exemplo, se vê montado no proverbial tigre correndo em direção a um abismo, sem poder: 1) dar ordens no ouvido do tigre e mudar sua direção, porque o tigre não fala português e mesmo que falasse não aceita ordens de ninguém; 2) descer do tigre, porque o tigre o comeria vivo; e 3) frear o tigre, porque o tigre também está em pânico.

Enfim, trabalho!

Ufa, passados a festa da posse e o Carnaval, o Congresso Nacional deve finalmente começar a trabalhar a partir desta semana.

Henrique, Nilson e Betão

O deputado Henrique Afonso, mesmo demonstrando certa timidez de estreante na política, vai se soltando e falando de temas nacionais e regionais. Júnior Betão (PPS) continua meio calado e o “veterano” de dois mandatos Nilson Mourão (PT) tem preferido dar a vez aos calouros da turma. Nilson foi, disparado, o deputado mais atuante do Acre no Congresso na legislatura passada, segundo apontou o DIAP e o balanço das atividades parlamentares da Câmara. Talvez, por isso, tenha sido o único que conseguiu ser reeleito.

Correia, Narciso e Ronivon

Do lado da oposição, o deputado João Correia (PMDB) também vai se soltando, ocupando, de leve, a tribuna ora para tirar um sarro das dificuldades do governo Lula, ora para se posicionar diante de alguns temas nacionais. Narciso Mendes (PPB) só falou uma vez, pois tem se preocupado em defender seu mandato, que corre sérios riscos na Justiça Eleitoral. Ronivon Santiago (PPB), também por cautela dos rolos que aprontou nas últimas eleições, permanece caladinho e sumido dos microfones.

romerito@abordo.com.br
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