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Rio Branco - Acre, terça-feira, 11 de março de 2003

Manoel Quintela assume o comando da Delegacia Regional do Trabalho

Novo delegado promete melhorias e interiorização dos serviços prestados pelo órgão nos próximos meses

Tatiana Campos

A Delegacia Regional do Trabalho está sob novo comando. O economista Manoel Quintela Rodrigues, auditor fiscal da casa, tomou posse na manhã de ontem confiante de poder realizar melho-rias que beneficiem a sociedade e dar continuidade ao trabalho deixado pela professora Nabiha Bestene.

Manoel Quintela assumiu o cargo ressaltando que não basta ter qualidade se não houver quantidade de serviços prestados, o que se caracterizaria em privilégios e não em atuação eficaz da Delegacia.

A prioridade de sua administração será a ampliação do atendimento do órgão aos municí-pios acreanos. Hoje apenas Brasiléia e Cruzeiro do Sul contam com representação da Delegacia. A instalação de um posto em Tarauacá já está autorizada pelo Ministério do Trabalho.

Nabiha Bestene declarou ter entregado o cargo com a consciência tranqüila em relação ao trabalho desenvolvido por ela na DRT. Deixou em andamento programas como o que atende adolescentes entre 14 e 18 anos, profissionalizando e dando oportunidade de trabalho, e o que insere portadores de deficiência física no mercado.

“Nós mudamos a visão desta casa para a sociedade. Antes aqui era visto apenas como uma instituição administrativa. Levamos a administração para um lado social, que estava adormecido nas questões do menor, por exemplo. Estou tranqüila com minha consciência porque fiz parte de um processo onde as coisas foram colocadas em prática”, comentou Nabiha.

A professora retorna para a área de educação da Universidade Federal do Acre (Ufac) e recebeu a mudança no quadro da Delegacia com naturalidade.

“Minha saída do cargo é em função de que mudanças exigem mudanças. Encaro da forma mais normal possível. É óbvio que agora existe um outro partido político. Foi escolhido um servidor da casa, que é do PT. Agora retorno para a universidade, onde dou aulas em diversos cursos”, declarou.

Entrevista com o novo delegado

Será estabelecida alguma prioridade? Qual a meta para sua administração?

A nossa prioridade é melhorar cada dia mais, aumentando o nível de informação, reduzindo o número de acidentes no trabalho, inserindo os jovens no mercado. Nossa meta é trabalharmos junto à sociedade. Temos um desafio que é universalizar o atendimento de qualidade aos trabalhadores de todo o Estado. Queremos interiorizar as ações da Delegacia.

Você já trabalhava na casa. Isso ajuda no desenvolvimento do trabalho a partir de agora?

Creio que sim, porque uma pessoa da casa em relação a uma de fora tem duas vantagens: a primeira é a de conhecer profundamente os problemas da Delegacia (pelo menos tem essa obrigação). A segunda é que, sendo da casa, hoje está delegado e amanhã continuará aqui para permanecer trabalhando em benefício do órgão. Quem é daqui não deseja bagunçar a moradia. A idéia é de que organizemos nossa casa e prestemos um melhor serviço à sociedade, que em última análise é quem nos paga.

O senhor vai estabelecer um rigor maior na Delegacia?

Eu não diria maior rigor. A Delegacia do Trabalho desenvolve suas atividades de acordo com a legislação em vigor. Em casos que precisem de rigor nós agiremos com rigor, porque assim funcionam as instituições. Pretendemos atuar muito no sentido da conscientização dos patrões e trabalhadores e fortalecer a atuação dos sindicatos, para que dessa forma venhamos conseguir melhores resultados.

Como serão resolvidos os acidentes com as derrubadas no Estado?

Esse é um problema que nos preocupa muito. No ano passado houve um grande número de mortes no campo. Sabemos que a cada morte de um trabalhador é uma família sem pai ou sem mãe. Pretendemos atuar de forma conjunta com o governo do Estado, evolvendo os sindicatos e patrões e proporcionando a possibilidade de capacitação para trabalhadores da área de derrubadas. O ideal é que não morra ninguém em acidente de trabalho. Essa será a nossa busca.

E os trabalhos desenvolvidos hoje pela Delegacia? Vai ser dado continuidade? Há planos de mudanças?

Os trabalhos, na verdade, são uma continuidade. Nós, no entanto, vamos dar uma incrementada nos projetos. A idéia é a busca contínua da melhora e da mudança. Temos que mudar sempre, buscando o melhor a ser oferecido à sociedade.

De que forma o senhor pretende ampliar o trabalho da Delegacia?

Em parceria com os empregadores, trabalhadores, sindicatos e Estado. Queremos diminuir o trabalho informal e os acidentes que tanto prejudicam o trabalhador. Toda a sociedade é responsável por reduzir as desigualdades sociais e queremos trabalhar em conjunto. Nossa atuação ocorrerá principalmente para atender demandas de trabalhadores em situação de insalubridade ou perigo. Vamos sair do enfoque no cumprimento da legislação para a cidadania do trabalhador.

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