
Todas as leis, independentemente da interpretação de seus artigos, convergem naturalmente para o indivíduo. A interpretação (ou “leitura”) jurídica dos fatos, apesar de numerosas e sempre passíveis de subterfúgios, jamais deve redundar em duplicidade de sentidos. É o aguardado pela população, pelas vítimas de injustiças, por quem realmente detém, no mundo democrático, o poder e o objetivo final das tomadas de decisões.
É a expectativa que vive a agricultora Luzanira Belém. Uma mulher vítima do preconceito, da violência e da inversão de valores que padece pela falta de humanidade e bom-senso de seus acusadores. Ela precisa criar seus três filhos. Precisa sobreviver. Precisa libertar-se da armadilha sutil de um homem que primeiro assassinou o marido dela, abusou do corpo da viúva e agora tenta aprisionar a sua alma, lançando-a numa cela fria.
Há muito ela se decepcionou com a humanidade daqueles que a rodeiam. A quem recorrer, por quem esperar, o que fazer? A mulher, que durante anos lutou para manter vivos os três rebentos que gerou, agora se vê perdida. O marido, morto. Os filhos, traumatizados. O futuro, incerto.
A sociedade acreana não se cansa de lutar contra a violência e a injustiça. E não admite a possibilidade de que uma mulher inocente vá parar na cadeia enquanto seu algoz goza de liberdade.
Qualquer nova arbitrariedade contra Luzanira Belém a responsabilidade pesará na consciência das autoridades acreanas.
Onde estão as multidões, os protestos, os cartazes?