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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 9 de abril de 2003

Chuva intensa denuncia ausência de infra-estrutura urbana em bairros periféricos

Moradores têm casas alagadas em diversos bairros, ficam indignados com o descaso das autoridades e exigem providências

A chuva que começou segunda-feira à noite e só terminou na manhã de ontem, deixou muitos moradores de Rio Branco sem condições de sair de casa. Nos bairros periféricos, os esgotos, que normalmente já correm a céu aberto, ganharam as ruas, impedindo o tráfego de ônibus, carros e especialmente de pedestres.

O descaso das autoridades deixou os moradores dos bairros mais carentes da cidade indignados. Para o estudante Flávio Câmara, 15, morador do bairro Vitória a situação não deveria ser essa já que o bairro existe há mais de 10 anos. “Eles não dão uma satisfação para os moradores, se existe previsão para restauração de ruas. Isso é falta de consideração para com os moradores”, indignou-se.

Segundo ele, sempre que chove é a mesma coisa: as ruas ficam sem condições de tráfego. Ao sair de casa para a escola, ele diz que tem que levar uma garrafinha de água, tirar os sapatos dos pés e fazer uma caminhada de até 400 metros até chegar à avenida principal do bairro.

“Quando chego no asfalto tenho que lavar os pés com a água que trouxe. Alguns moradores andam com sacolas nos pés. É um sacrifício só.”

Além do bairro Vitória, vários bairros sofrem o mesmo problema. No Montanhês, por exemplo, em várias ruas é grande o número de sacolas jogadas no chão. A moradora Ivone Maria Bezerra, 31, diz que há seis anos mora no bairro e nunca ouviu qualquer comentário sobre uma reforma, pelo menos nas ruas que estão em condições de tráfego.

“As autoridades não tem um pingo de respeito com o dinheiro que pagamos de impostos. É tanta propaganda anunciando melhoras aqui e ali, mas na verdade nada do que mostram realmente acontece”, desabafa.

Para Ivone não existe uma conexão que ligue as autoridades com a população e que se eles não vêem esse tipo de problema, que não é novidade, porque simplesmente não estão interessados em resolver.

“Isso não é coisa que se faça. Em épocas de eleição eles só faltam nos chamar para tomar café na casa deles, quando ganham nem lembram que existimos. Até quando vamos ter que agüentar esse tipo de abuso?”, conclui.

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