© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, quarta-feira, 16 de abril de 2003
Artesanato do Rio Negro

Herança indígena é fonte de renda para
comunidades de Novo Airão, no Amazonas

O trabalho é milenar, feito pelos povos indígenas que habitavam o Alto Rio Negro e chega aos nossos dias pelas mãos de seus descendentes. Trata-se do artesanato de tranças, feito com fibras vegetais retiradas da floresta. E que resultou do projeto Fibrarte, gerando renda para algumas famílias do município de Novo Airão, localizado a 185 quilômetros de Manaus, no rio Negro. O projeto teve início em 1994, desenvolvido pela organização não governamental Fundação Victória Amazônica, que cadastrou os artesãos da cidade. A partir daí eles passaram a receber assessoria da Fundação para a criação da AANA (Associação dos Artesãos de Novo Airão), a fim de desenvolver alternativas de geração de renda, através da produção e venda do artesanato, baseado no manejo sustentável da extração de fibras vegetais. De acordo com o presidente da AANA, Manoel Marcelino, atualmente a entidade conta com 21 associados ativamente participantes. Doze em Novo Airão e nove em Barcelos, a 490 quilômetros de Manaus, no rio Negro. “Tem muitos que somem, depois aparecem. É que esse trabalho com fibras precisa de muita paciência. Embora a venda do produto seja garantida e rápida, a maioria não gosta de fazê-lo. Tem gente que aparece aqui para aprender e não volta mais.”

Tupés são as peças mais procuradas

De acordo com a artesã Maria Erenildes, quem ensinou o trabalho hoje feito por diversas pessoas na cidade foi uma família de índios que morava em Novo Airão e dominava o difícil processo das tranças com fibras. “Não existem peças fáceis de serem feitas, inclusive as menores são as que dão mais trabalho”, explica a artesã. As peças mais procuradas são os tupés, que podem medir alguns centímetros, no formato de jogo americano, ou atingir até dois metros quadrados, para serem utilizados como tapetes ou colocados na parede como decoração. Também as luminárias, com design regional, saem bastante. Os trançados são os mais variados e a coloração das peças é feita com pigmentos extraídos de cascas de árvores como a goiaba de anta, o urucu e o crajiru. O tempo gasto na confecção de uma peça varia muito. Pode levar horas e até dias, de acordo com a disposição do artesão em fazer um trabalho mais elaborado. Na AANA, ganha mais quem produz mais. Na sede própria da Associação existe uma loja onde os produtos são expostos para venda e não demoram muito para serem adquiridos, principalmente por turistas brasileiros e estrangeiros. Cada artesão pode fazer seu trabalho em casa e depois levar o resultado para vender na loja. Por mês cada um contribui com R$ 3,00 para a AANA, dinheiro utilizado no pagamento das pessoas que retiram as fibras nas matas, pelo menos uma vez por ano. (Evaldo Ferreira/Agroamazônia)

Amazônia
Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal