
CNS confirma encontro dos
povos da floresta no fim do mês
Flaviano Schneider
Confirmado para o período de 28 de abril a 1º de maio o II Encontro Interinstitucional dos Povos da Floresta que vai reunir, em Cruzeiro do Sul, cerca de 50 organizações de índios, seringueiros e ribeirinhos. Os povos da floresta pretendem, no encontro, identificar elementos para traçar as políticas públicas em relação ao Juruá.
O coordenador do Conselho Nacional dos Seringueiros no Acre José Maria Barbosa (Boka) sente que este é o melhor momento para os povos que vivem em função da floresta, em virtude dos resultados das últimas eleições que manteve as forças populares no governo do Acre e ao mesmo tempo elegeu um presidente oriundo das classes populares. O encontro que vai acontecer no Centro Diocesano de Treinamento está sendo organizado pelo CNS e tem o apoio de órgãos como Ministério do Meio
Ambiente, Ibama e CNPT, o WWF, Governo do Estado, Pesacre e ongs como WWF, GTA, SOS Amazônia, IIEB Padis. O momento é de grande expectativa no Juruá e como acredita o coordenador do CNS é chegada a hora de os povos da floresta tomarem a frente e deixarem claro o que pretendem nos próximos anos.
José Barbosa também tem a intenção de tornar o encontro periódico, evitando uma lacuna de tempo muito grande entre os encontros, como ocorreu entre o primeiro e o segundo que teve um período de 5 anos. Na visão do CNS, o seringueiro, embora já tenha conquistado avanços, como os subsídios federal e estadual para a borracha precisa ter sua condição social melhorada. Ele precisa diversificar sua produção econômica e poder explorar vários produtos que a floresta oferece.
Da mesma forma, José Barbosa quer que o homem que mora na floresta viva com dignidade e que ele tenha o mesmo acesso à educação, saúde, lazer que tem o habitante da cidade. Enfim, acredita José Barbosa que o encontro no Juruá vai ser a grande oportunidade para que as organizações dos povos da floresta apresentem suas reivindicações.
EVOLUÇÃO - José Barbosa conta que quando de sua fundação, o objetivo principal do CNS era a formação de reservas extrativistas e garantia do preço da borracha. Havia muitos problemas. Além da dificuldade de escoamento, o produtor de borracha encontrava dificuldades de mercado, ninguém queria comprar a produção.Hoje esta luta ainda continua mas a viabilização da vida nas reservas agora ocupam parte importante do trabalho.
Ele conta que o apoio da então senadora, hoje ministra, Marina Silva foi fundamental. Foi através da luta dela que se conseguiu a implantação do Prodex e do subsídio federal da borracha em 1997. Depois, através do programa Amazônia Solidária, Marina conseguiu apoiar a produção extrativista beneficiando muitos seringueiros e ribeirinhos.
José Barbosa ainda destacou o trabalho do governo do Estado que nos últimos 4 anos executou melhorias nos ramais o que facilitou o escoamento da produção. Hoje, além dos subsídios, existe compradores para toda a produção O CNS trabalha na identificação de projetos para serem executados na Amazônia e atualmente está tocando os projetos de implantação das reservas do rio Tarauacá e do rio Liberdade. Conta José Barbosa que nos últimos 2 anos o CNS conseguiu investimentos na ordem de R$ 1,5 milhão.