
Cratera no Palheiral completa cinco anos
Moradores reclamaram à prefeitura e ao MPE, mas estão abandonados
Os moradores do bairro Palheiral estavam em ritmo de festa durante o dia de ontem. Não era com a inauguração de algum posto de saúde, escola ou o aniversário de alguém da comunidade. Mas, festejavam sim, os cinco anos de um vizinho um tanto estranho, que tiveram - a contragosto - que com ele conviver: um grande buraco. Melhor, uma cratera.
Segundo o comerciante, Afonso Gomes da Rocha, 36, que há 17 anos mora no bairro, próximo ao buraco, nenhuma autoridade tomou qualquer providência para resolver a situação. Por diversas vezes, desde que notou que o buraco estava tomando a rua, o comerciante foi a prefeitura e até ao Ministério Público, fazer reclamações, mas não recebeu sequer atenção.
“Já fizemos diversas reclamações, eles dizem que vem aqui para resolver o problema, mas são só ameaças. Já estamos cansados de reclamar”, desabafa o morador.
Pelo buraco ter um córrego onde passa uma água verde constantemente, os moradores jogam todo o lixo nele e quando chove, o bueiro exala um mal cheiro insuportável. Por não suportar tanta água e lixo, quando chove, o buraco entope e alaga toda a rua e os moradores que moram nas proximidades são obrigados a ficarem trancados dentro de suas casas, se não quiserem correr o risco de pegar alguma doença infecto-contagiosa ou até mesmo sofrerem um acidente.
A dona de casa, Margarida Bispo da Silva, 60, que mora há mais de cinco anos no beco 8 de Maio, diz que o bairro não deveria estar nessa situação, já que existe há mais de 20 anos.
“Deveria haver um pouco mais de consideração por parte das autoridades, já que nós quem os elegemos. Eles vivem inaugurando isso e aquilo outro, enquanto que o dinheiro gasto com novos prédios poderia ser usado na preservação e manutenção da cidade”, disse Margarida.
Buraco ameaça saúde da comunidade
Gomes diz que o buraco, por onde também passa um bueiro, deveria ser uma rua, mas que pela falta de assistência, foi sendo consumida pela água da chuva e sua situação agora, é precária.
“Aqui deveria ser a rua Itaipú, mas agora tudo o que resta é um beco fedorento que não deixa ninguém dormir a noite. Estou vendendo minha casa, pois já não agüento mais esse descaso e não quero ver meus filhos doentes.”
Maria do Socorro Quisco, 43, que mora no beco há oito anos, diz que sua maior preocupação é com as crianças, já que o único meio de entrar no beco é uma pequena ponte de madeira, que está praticamente no seu último estágio, deteriorada.
“A situação aqui é precária. As crianças são as mais prejudicadas. Quando passam para ir à escola, todos os dias, são obrigadas a passar por essa ponte que já está balançando muito. Sem falar daquelas que passam por aqui correndo, será que as autoridades estão esperando alguém morrer aqui?”, reclamou Maria.
Segundo ela, a filha de sua vizinha já teve a perna cortada quando estava caminhando para ir ao colégio.
“Como nesse dia tinha acabado de chover, a madeira estava lisa e a menina escorregou e uma de suas pernas entrou entre uma madeira e outra. A garota levou cinco pontos e passou um bom tempo sem andar de tanta dor que sentia.”