
Francisco Dandão
Encontrar o Joraí Salim Pinheiro, bacharel em direito e licenciado em educação física, atualmente exercendo um cargo de chefia na delegacia local do Serviço Social do Comércio, é sempre um grande prazer. Contador de potocas em tempo integral, a gente dá o mote e ele dispara a falar.
Pois ontem foi um dia desses de encontrar e ouvir o Joraí. No meio da pressa da manhã, apesar de cada um de nós dois caminhar para um lado diferente, ainda tivemos tempo de uns dois dedos de prosa. Eu perguntando, é claro, e ele disparando uma sucessão de “mísseis inteligentes” a cada indagação.
Sobre a primeira rodada do Torneio da Integração da Amazônia? Disse ele: "Duas peladas. Não vi nenhum grande jogador, ninguém acima da média. Com três semanas de condicionamento físico até eu, com todos esses meus 39 anos, jogaria fácil em qualquer dessas quatro equipes que estão aí".
Sobre a atual safra de árbitros? Respondeu ele: "Juntando todo mundo, sou mais eu. Aliás, no futebol de salão, há anos eu sou o número um. E não tem segundo nem terceiro. Brigando pela quarta posição, nesse momento, encontram-se o Zé Rego, o Bruno Santana e o Paulo Roberto".
Sobre a volta do Lula e do Manoelzinho aos gramados? Opinou o Joraí: "O Manoelzinho até que ainda pode ser que agüente uns quinze ou vinte minutos. Agora, o Lula, esse nem mais para torcer serve. O cara cansa só de ver os atletas correndo dentro das quatro linhas. Tá acabado".
Sobre a coluna Memorial do Craque, publicada aos domingos aqui no Página 20, a sentença veio rápida e definitiva: "Enquanto não fizer comigo, é o mesmo que não ter feito com ninguém. Se for por causa de fotografias, eu tenho várias. Histórias, então, nem se fale, é comigo mesmo".
Sobre a volta do Juventus ao futebol profissional? Eis o que ele disse: "O Clube do Povo vai jogar somente com os meninos do time de juniores. A diretoria estava até pensando em mandar buscar reforços em outros centros, mas depois que viu o Rio Branco jogar, desistiu. Bastam os garotos mesmo".
Esse é o Joraí. Eternamente gozador, não deixa pedra sobre pedra quando encontra um disposto a ouvir o seu discurso. Mais letal do que todas as armas químicas que o Saddam não tinha. Candidatíssimo a presidente vitalício da torcida "Tesouras do Vietnã". Ele merece, ora se merece!