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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 16 de abril de 2003
Ética na política

A Assembléia Legislativa do Acre precisa continuar colaborando com as mudanças positivas ocorridas no Estado nos últimos quatro anos. Duas reportagens publicadas recentemente com exclusividade pelo Página 20 deram o alerta dessa necessidade.

Na primeira delas, foi revelado que, em pouco mais de dois meses, a quantidade de parlamentares pagos pelo legislativo com dinheiro do contribuinte saltou de 24 para 27 deputados, chegaria a 28 nesta semana e poderia chegar a 31 antes do meio do ano.

No Acre, que ainda é quase integralmente sustentado pela União, os deputados se afastam do exercício do mandato, mas permanecem recebendo o mesmo salário, com a agravante de que outro salário precisa ser providenciado para o suplente com dinheiro do contribuinte.

O festival de gastos com suplentes tem agravado a situação da Assembléia Legislativa. Atualmente, para pagar os 27 deputados, a despesa mensal com pessoal é de R$ 1,8 milhão. O valor anual, somado com o 13º salário, chega a R$ 23,8 milhões.

Como se não bastasse a farra, o Página 20 revelou a seguir uma proposta indecente: um grupo de ex-deputados tenta convencer alguém da ativa a apresentar um projeto de emenda constitucional para garantir aposentadoria vitalícia a todos aqueles que exerceram, exercem ou venham a exercer atividade parlamentar.

Os ex-deputados Félix Pereira, Manoel Machado e Luiz Garcia tiveram a ousadia de distribuir cópias da proposta e de verbalizar alegações em defesa dessa indecência.

Depois do feriadão, a opinião pública acreana espera um posicionamento claro dos parlamentares sobre esses dois episódios que se contrapõem à luta permanente da sociedade acreana pela ética.

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