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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 16 de abril de 2003

Capoeira voltará ao currículo de Educação Física nas escolas municipais

O projeto de reforço pedagógico Capoeira da Gente, criado em 2001 pela prefeitura de Rio Branco para tornar as aulas mais atraentes, será retomado em 20 das 39 escolas de ensino fundamental da rede municipal. O acerto com o grupo Axé Capoeira, responsável pelo desenvolvimento do projeto nos últimos dois anos, está sendo feito nesta semana pelo Centro de Multimeios da Secretaria Municipal de Ensino (Semec).

O primeiro contato neste sentido foi feito ontem com o Coordenador do Grupo, Alexsandro Valcacer Rodrigues. Alexsandro, conhecido nas rodas de capoeira como “Professor Titela”, chegou no início deste mês de Vancouver, no Canadá, onde esteve durante sete meses na companhia do Mestre Índio, fundador do Grupo Axé e idealizador do projeto Capoeira da Gente.

Mestre Índio permanece no Canadá trabalhando com outros 14 brasileiros, divulgando a capoeira - única luta genuinamente nacional -, ensinando o idioma e cultura brasileiros e contribuindo com o esporte e a noção de cidadania que o governo canadense oferece aos índios daquele país.

A oportunidade de conhecer e conviver com culturas e costumes de gente de diversas outras nacionalidades que vivem no Canadá vai enriquecer o trabalho do Grupo Axé junto a crianças e jovens carentes de Rio Branco. “A experiência acumulada pode e deve ser aplicada à nossa realidade”, garante o Professor Titela.

Reconhecimento internacional

“O trabalho do grupo Axé, que está na internet, está obtendo reconhecimento internacional”, afirma a coordenadora do Centro de Multimeios da prefeitura de Rio Branco, Suely Soares, lembrando que no ano passado, Chitra Chandran, uma estudante de medicina de 26 anos, que estuda na renomada universidade norte-americana de Berkley, procurou a secretária municipal de educação, Raimunda El-Shawwa para manifestar o interesse em defender sua tese de mestrado baseada no projeto social da prefeitura.

Chitra, que já concluiu o curso de economia na mesma universidade californiana e, no momento passa pela fase da residência médica, está se especializando na área de saúde pública. “Na América existe esse tipo de trabalho, mas ele é feito sempre com grupos menores, de 10, 20 alunos e sempre com iniciativa de organizações não governamentais, nunca do poder público”, garante a estudante, fazendo alusão à prática esportiva, cultural e de lazer que Mestre Índio e outros dez capoeiristas desenvolveram em 2002 com mais de mil alunos em vinte escolas da rede municipal.

Além da prática e dos exercícios físicos e de expressão corporal, o projeto da capoeira tem toda uma conotação pedagógico-social. “A idéia é ocupar, ao máximo, o tempo das crianças, tirar e evitar que elas busquem o caminho das drogas”, diz a professora Suely.

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