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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 16 de abril de 2003

Indígenas acreanos querem Antônio
Apurinã no Senado da República

Em sessão solene em homenagem às causas indígenas, Aleac dá mostras do que a florestania é capaz no plano político

Os discursos das lideranças indígenas presentes ontem na Assembléia Legislativa do Estado do Acre foram claros. “Queremos Apurinã no Senado”. Embalados pela sensibilidade do Governo da Floresta e pelo Acre ter uma representante na maior esfera de poder em Brasília, os índios enumeraram uma série de reivindicações ontem no Parlamento. A cobrança de maior destaque faz referência à entrada para o Senado do índio Antônio Apurinã, segundo suplente da senadora eleita ano passado, Marina Silva. Apurinã assumiria no lugar de Sibá Machado, primeiro suplente.

Outra reivindicação de destaque diz respeito à segurança dos povos indígenas nos conflitos que ainda se estabelecem no interior do estado. O assassinato do índio Raimundo Shanenawa, em Feijó, foi lembrado como exemplo de uma situação extrema. “Queremos que o culpado seja julgado e punido”, cobrou o coordenador da União das Nações Indígenas (Uni), Chico Preto, mais conhecido como “o cacique dos caciques”.

Atualmente, existem 13 etnias no Acre. Todas elas estavam representadas na Aleac, na manhã de ontem, como parte das atividades da Semana do Índio. “Tem uma palavra que nos torna um ser humano, mas que não tem sido praticada de forma libertadora”, disse um dos líderes da etnia Ashaninka, Isaac Ashaninka, para depois completar. “Essa palavra é ‘desenvolvimento’ e com ele a destruição”. Isaac, todo paramentado com as roupas de seu povo, fez um discurso tão claro e lógico, que pouco parlamentares seriam capaz de fazê-lo. A fala é mansa, mas forte nas afirmações e nos argumentos. “Nós temos que encontrar maneiras novas de implementar políticas públicas que nos aproximem da idéia de liberdade”.

De acordo com a Funai (Fundação Nacional do Índio), são aproximadamente 182 aldeias e, oficialmente, 13 mil índios que vivem em todo o território acreano.

Índios foram pioneiros na criação
dos movimentos sociais acreanos

A causa indígena foi a primeira grande bandeira que fez surgir os movimentos sociais no Acre. No início dos anos setenta, o antropólogo Terry Aquino abraçou a luta pela demarcação de terras indígenas. Hoje, o Acre possui 45 terras demarcadas e algumas em processo de demarcação.

Ontem, na Aleac, o antropólogo e ex-superintendente da Funai no Estado Antônio Pereira Neto explicou a situação da questão dos índios Náuas, de Cruzeiro do Sul (Vale do Juruá). Neto garantiu que os índios daquela etnia terão suas terras regularizadas “o mais rápido possível”.

Governador em exercício dá
lição de transparência e cidadania

O governador em exercício, Arnóbio Marques, fez ontem um pronunciamento que merece destaque, na Assembléia Legislativa do Estado do Acre. “Esse povo vitorioso foi quem garantiu a vitória do nosso governo”, afirmou Marques para a platéia de índios. “O nosso processo de civilização está em crise, assim como a nossa educação e a nossa saúde.”

Arnóbio foi muito aplaudido depois que fez uma reflexão crítica não só em relação à atuação do Governo da Floresta junto às comunidades indígenas. O discurso do governador teve uma natureza mais antropológica e menos política.

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