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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 1 de maio de 2003
Bancada desfalcada

O cálculo da proporcionalidade define que o Acre tem direito a oito deputados como representantes do seu povo em Brasília. Essa regra, no entanto, vem sendo desrespeitada flagrantemente pela direção Câmara dos Deputados desde o dia 9 de abril, quando a Justiça Eleitoral determinou a perda de mandato do empresário Narciso Mendes, eleito pelo PP nas eleições de 2002.

Narciso Mendes perdeu o mandato porque, segundo a Justiça, não se desincompatibilizou dentro do prazo estabelecido em lei da direção da TV Rio Branco, uma concessão pública. Em seu lugar deveria ter assumido o suplente João Tota, que foi diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Acre.

Mas, como a mesa diretora da Câmara não deu posse a Tota, o Acre é alvo, mais uma vez, de uma situação esdrúxula em nível nacional: tem nove deputados - quando o número certo é oito -, mas apenas sete estão efetivamente exercendo seus mandatos.

A situação atípica chamou a atenção da imprensa nacional. Ontem, o jornal Correio Braziliense, noticioso de maior circulação na capital federal, trouxe uma vasta matéria sobre o tema.

O que incomoda em toda a história é que a omissão e a demora da Câmara dos Deputados para tomar a decisão sobre quem é o dono do mandato não depõe somente contra a imagem, mas atrapalha o povo acreano. Isso porque as duas partes envolvidas na pendengas estão de mãos atadas para exercer suas atividades. Narciso não trabalha porque não sabe qual será seu futuro. Tota também não faz nada porque não assumiu.

Se com a bancada completa é difícil captar recursos para o Estado, com o desfalque de um deputado a situação fica ainda pior. É como um time de futebol ter um jogador expulso no momento crítico do jogo. Quem continua jogando com os onze atletas tem mais chance de vitória.

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