
Romerito Aquino *
A posse do acreano Mâncio Lima Cordeiro na presidência do Banco da Amazônia (Basa) aumentou o peneiro de farinha e adoçou ainda mais a rapadura de bom gosto em que o Acre está se transformando nos últimos meses no cenário político nacional.
Aliás, não será só a farinha e a rapadura - produtos saborosos do Vale do Juruá – que o Acre terá para mostrar daqui para frente ao se consolidar politicamente no plano regional, com Mâncio no Basa, e a nível nacional, com Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, Tião Viana na liderança do PT no Senado, Jorge Viana como uma espécie de conselheiro de Lula e os demais políticos federais do Estado sobressaindo-se na Câmara ou no Senado durante a era de mudanças a que se propõe o presidente operário Luiz Inácio Lula da Silva.
Como bem frisou o novo presidente do Basa, o Acre e o conjunto dos Estados amazônicos que se dispuserem a enveredar pelo caminho do desenvolvimento sustentável, só terão a crescer, aumentando a produção de farinha, de rapadura e de uma série de outros produtos comerciais e exóticos com os quais a Amazônia pode se diferenciar no contexto das demais regiões do país e a nível internacional.
Com o Basa mudando de eixo - a partir da disposição manifestada por Mâncio Lima de financiar, inclusive, as atividades produtivas exclusivas da Amazônia - o Acre e seus vizinhos vão poder produzir e exportar muito mais os belos móveis de madeiras certificadas, como os que decoram hoje o Palácio Rio Branco. Da mesma forma, esses Estados vão poder ampliar suas produções de guaraná, castanha, palmito, borracha, essências florestais, produtos fitoterápicos, couro bovino e outros, elevando a renda e gerando cada vez mais empregos para suas populações do interior, sejam extrativistas ou não.
O novo boom potencial da Amazônia pode ser consolidado ainda com outras atividades de grande geração de renda e empregos, como é o caso do ecoturismo na selva amazônica, atividade cada vez mais requisitada por pessoas de todas as partes do mundo. Neste particular, o Acre se situa numa das posições mais privilegiadas do planeta, pois encontra-se justamente no meio de um dos corredores turísticos internacionais mais prósperos, que começa em Lima, passa por Cuzco e as fortalezas Incas (o quinto lugar mais visitado por turistas hoje no mundo), entra por Assis Brasil, passa por Rio Branco e segue em direção a Boca do Acre e daí para Manaus, capital amazonense.
O economista Mâncio Lima afirmou que, no governo Lula, “o Basa vai assumir decisivamente sua face amazônica, guiado pelo conceito de desenvolvimento sustentável”. Com isso, o ex-secretário de Finanças e Gestão Pública do governo acreano quis dizer que desenvolver a Amazônia não pressupõe devastar sua bela floresta, mas, ao contrário, requer apenas explorar racionalmente as imensas riquezas que nela existem.
Mâncio Lima não falou isso, certamente, para embelezar seu discurso de posse, muitíssimo concorrida pela presença de muitos políticos e empresários amazônicos, que acorreram em massa ao grande auditório da sede central do banco na capital amazonense. Mâncio estava ao lado da ministra Marina Silva, que, em discurso fechando a solenidade, referendou o apoio do governo Lula às mudanças que ele terá de adotar na maior agência financeira da Amazônia para transformá-la num verdadeiro modelo de desenvolvimento sustentável para o Brasil e o mundo. Com Marina, Jorge Viana, Tião Viana e outros líderes políticos acreanos, Mâncio Lima mostrou-se à vontade para prometer coisas bem diferentes daquelas políticas totalmente equivocadas que outros governos erigiram para a região nas últimas décadas.
Iniciando seu discurso homenageando ícones ambientais como Chico Mendes, Wilson Pinheiro e outros extrativistas, “que deram a vida pela Amazônia”, Mâncio Lima apostou radicalmente no desenvolvimento sustentável da região. “Para cumprir sua missão, o banco precisa da solidez e do equilíbrio que tem conquistado nos últimos anos. Isto lhe permitirá desempenhar papel adequado no sistema financeiro nacional. Assim sendo, serão mantidas as preocupações com os aspectos econômicos de liquidez da instituição, de viabilidade econômica e capacidade de pagamento dos empréstimos e de rentabilidade das aplicações. Mas, além de dar continuidade ao trabalho positivo e sério que vem sendo feito, há espaço para ousar e inovar”, disse o novo presidente do Basa.
Para concluir, em seguida: “O banco vai assumir decididamente sua face amazônica, guiado pelo conceito de desenvolvimento sustentável, que já vem sendo incorporado por alguns estados. Com esse enfoque, o Basa quer integrar-se ao paradigma do governo do presidente Lula, no qual saúde e educação de qualidade, participação política, valorização cultural, garantia de habitação, geração de renda e justiça social, são entendidos como elementos essenciais do desenvolvimento humano e, como tal, devem estar claramente expressos nas políticas públicas”.
O que foi dito e ouvido na sede do Basa em Belém, totalmente capitaneada pelos jovens líderes da política acreana, leva a crer que a população do Acre e de outros estados da Amazônia pode mesmo, nos próximos anos, comer e vender mais das boas e gostosas rapaduras e farinhas do Vale do Juruá.
* Jornalista