
O Acre de João Donato
Carlos José Arantes Esteves
O show que o músico, arranjador e compositor acreano João Donato apresenta no Teatro dos Naua, dia 20, em Cruzeiro do Sul e na Concha Acústica do Parque da Maternidade, dia 22, próximo domingo, tem o sugestivo nome de ACRE DE JOÃO DONATO porque não apenas é um dos mais importantes momentos da carreira do artista, dito por ele mesmo, mas também porque é uma oportunidade em que ele mostrará ao mundo a perfeita integração entre o talento de um grande pianista que volta a sua terra depois de uma longa vida de criações e sucessos e uma cidade que passa por profundas transformações sociais e culturais, a partir de iniciativas voltadas para o resgate da própria memória do Estado.
E quando digo que ele mostrará para o mundo é porque, independente de qualquer transmissão jornalística que possa ser efetivada por emissoras de repercussão nacional e internacional, a agenda que João Donato cumprirá no Acre será documentada em fotos, vídeos e textos que farão parte de um documentário especial sobre sua vida, em DVD, incluindo depoimentos, apresentações, visitas a lugares vividos na infância, a amigos e parentes que ainda moram em Rio Branco. E esse DVD já tem distribuição garantida para vários países.
Ganha o Acre a oportunidade de mais uma vez ter divulgação positiva de sua gente, de sua cultura.
Chico Mendes, um verdadeiro ícone na preservação ambiental que despertou o sentimento hoje conhecido como florestania, conseguiu, principalmente, depois de seu estúpido assassinato, projetar mais ainda o Acre no contexto das nações preservacionistas. Morreu por uma causa, mas não deixou desamparados seus liderados. Seu desaparecimento despertou o surgimento de novos e muitos líderes que hoje despontam no cenário internacional e são respeitados por autoridades mundiais de países desenvolvidos.
Há que se reconhecer o mérito do Acre hoje ser visto com outros olhos. Olhos que vêem um futuro mais justo para sua comunidade. Tanto pela mídia como pela sociedade.
Nunca estivemos com tanta projeção em todos os segmentos e o establishment parece ter outra cara.
No campo da administração pública, apesar da pobreza do tesouro estadual em função da baixa arrecadação – que tem a própria estrutura sócio-econômica regional como razão disso, aos poucos vamos conhecendo um Acre mais moderno, mais participativo e respeitado.
Nesses 41 anos de existência já somos vistos de forma diferente. Claro, existem ainda muitos problemas, como o da violência, mas esse é também um obstáculo nacional e as medidas estão sendo implementadas. E isso não se faz da noite para o dia.
E temos que falar sempre das coisas boas. Chega de assuntos ruins. E não é que já temos muito que lembrar.
O movimento de atletas, passeadores, paqueras, crianças, enfim, de todos que procuram por um lugar de lazer, por exemplo, pode ser visto no próprio parque da maternidade diariamente, denotando o lado bom da cidade, a alegria dos seus cidadãos descarregando suas emoções.
Esse é o ACRE DE JOÃO DONATO. O ACRE que, como ele, cresceu amadureceu e se projetou.
João Donato está feliz e é um abençoado porque nem todos têm a oportunidade de retornar ao seu berço na forma que ele volta. Com toda a energia para apresentar o seu trabalho.
Por outro lado, o Governador Jorge Viana tem sido muito feliz no resgate da memória do Estado. Tem sido assim com os autonomistas, tem sido assim com aqueles que já governaram este Estado, tem sido assim com todos os que construíram ou estão construindo a nossa história. Um papel importante que raríssimos governantes se preocupam. Sorte a nossa.
Um dos pontos positivos dessas ações é que todos agora acreditam no seu Estado e quem tem com que colaborar, quer colaborar. E cada um vai apoiando a sua maneira, de acordo com suas possibilidades e limites, mas agregando, que é o que importa.
Quando estiver com seu quarteto produzindo as mais belas improvisações de jazz e bossa, João Donato estará na verdade exteriorizando um sentimento. Um sentimento mais ou menos assim: Esse é o meu Acre. O Acre que eu sonhei na minha juventude.
* O autor coleciona e pesquisa as obras de João Donato