© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, quinta-feira, 19 de junho de 2003
GTA promove oficina para trabalhadoras rurais

Experiências e histórias das comunidades
amazônicas farão parte do terceiro volume do Proteger II

Rose Farias

O Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), que coordena as ações do Proteger II, realizou em Rio Branco a primeira oficina do gênero, das oito que estão programadas para acontecer em Estados da Amazônia. O trabalho contou com a participação de agricultoras e extrativistas.

A oficina de gênero, que aconteceu na Sala de Multimeios Álvaro Rocha, na Seater, segundo a coordenadora da rede GTA, Silvia Nicola, tem como objetivo possibilitar o levantamento das histórias contadas pelas agricultoras e extrativistas. “Uma forma de valorizar o trabalho que é realizado por essas guerreiras em suas comunidades”, diz a coordenadora.

Durante três dias, agricultoras dos municípios de Rio Branco, Porto Acre, Plácido de Castro, Acrelândia, Senador Guiomar, Sena Madureira e Bujari, contaram suas experiências como trabalhadoras, mães, esposas, filhas, relatando o modo de ver a vida no campo e na floresta, tendo como foco a questão de gênero em suas diferentes nuances existentes entre o homem, a sociedade e o meio ambiente. Todo o trabalho desenvolvido durante a oficina, segundo Sílvia Nicola, estará no terceiro volume do Manual Operacional do Proteger II. O projeto conta com o apoio The World Bank, Ibama, Proaco e Governo Federal.

MUTIRÃO - Para Maria D’Arc, agricultora do ramal Abib Curi, que participou representando o Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Bujari, a oficina é importante como um instrumento de mobilização e união.

“Só podemos trabalhar em prol da nossa comunidade se estivermos unidas. Temos que formar um mutirão de pessoas para trabalhar o gênero. A oficina tem feito a gente despertar. Somos um alvo muito forte na comunidade e por isso temos que ser mais reconhecidas e trabalhar em conjunto com o homem e o meio ambiente”, declara.

Todo o enfoque trabalhado na oficina contou com a participação da jornalista Mara Régia, apresentadora do Natureza Viva, Programa de Rádio para a Amazônia, cujo público ouvinte é o povo da floresta, pessoas das cidades, comunidades, matas e rios da Amazônia Legal. Mara Régia trabalhou as diversas temáticas de gênero por meio de dinâmicas e utilizando o rádio como instrumento de comunicação.

Para a presidente da Associação do Projeto de Assentamento do Limeira, em Senador Guiomar, Raimunda Luca de Nascimento, o que foi visto durante a oficina será passado para sua comunidade.

“É maravilhoso o que aconteceu aqui. Viver essa experiência para nós que estamos distantes de tudo isso é gratificante. Sabemos plantar, colher e muitas outras coisas, mas precisamos também aprender outros conhecimentos. Às vezes a gente já faz a coisa, mas não sabe muito da sua importância. Aqui vimos que somos mulheres importantes para a comunidade e devemos lutar para respeitar o meio ambiente, a floresta e quem nela vive”, relata.

Em defesa das populações tradicionais

Há 10 anos o Grupo de Trabalho Amazônico vem desenvolvendo ações na defesa das populações tradicionais e riquezas naturais da Amazônia. Formado por uma rede de 513 entidades da sociedade civil organizada em 17 regionais, distribuídas em nove estados da Amazônia Legal, a GTA é composto por diferentes espécies de pessoas: seringueiras, castanheiras, quebradeiras de coco babaçu, pescadores artesanais, ribeirinhos, trabalhadores rurais, comunidades indígenas e pequenos agricultores familiares.

Uma das metas do projeto é capacitar 425 monitores para atuarem como multiplicadores de informações e orientações sobre alternativas sustentáveis.

Projeto busca alternativas sustentáveis

O Proteger II faz parte do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil – PPG-7, por meio de um fundo fornecido pela USAID e administrado pelo Banco Mundial, com contrapartida do Ministério do Meio Ambiente. É um projeto que visa a Mobilização e Capacitação de Agricultores Familiares, Extrativistas e Indígenas para a Prevenção de Incêndios Florestais na Amazônia. A segunda etapa traz como diferencial, trabalhar a valorização e a busca de alternativas sustentáveis de produção, realizando uma série de atividades com as comunidades amazônidas. No Acre, o Proteger II tem como executora a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Acre – (Fetacre).

Amazônia
Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Estilo
Especial
Esporte 
Opinião
Política
Via Pública
Principal