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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 19 de junho de 2003
João Donato do Acre

Carlos José Arantes Esteves *

... A manhã era de sol tropical de um Acre praticamente desabitado, mas com uma rica fauna, uma floresta inexplorada e uma população integrada pelo sentimento de família. Foi nesse ambiente que, aproximadamente às dez horas da manhã, do dia 17 de agosto de 1934, Dona Raimunda Gorda, uma simpática e conhecida parteira da época, sorridente, mostrava em suas mãos um leonino esperto e anunciava: nasceu João Donato. O nome já estava previamente definido, sendo o terceiro João na família porque seu avô, um velho coronel, contemporâneo de Plácido de Castro, foi o primeiro. É sobre esse acreano e sua família que escreveremos...O João Donato do Acre...O Acre de João Donato...e o Acre recebe João Donato.

Na primeira parte, Donato e sua família, na segunda o ACRE dos novos tempos e sua integração com o músico, arranjador e compositor, e na última conheceremos sua vastíssima obra que começa com suas apresentações na Rádio Difusora acreana, a voz da selva...já naquela época.

A VIDA COR DE ROSA

João Donato de Oliveira Neto poderia ter sido, quem sabe, um brigadeiro-do-ar, se após o concurso que fizera para a Escola de Cadetes da Aeronáutica, tivesse sido aprovado não apenas no exame intelectual, mas também no de vista. João é daltônico e sempre viu a vida cor de rosa...a saúde foi seu primeiro óbice...Seguiu outro caminho...para mim, o melhor.

Menino peralta, brincalhão na infância, aprontou muitas em Rio Branco com seu irmão Lysias Enio, sob o olhar vigilante da irmã mais velha Eneyda. Seu pai, um verdadeiro ás da aviação, integrante da Polícia Militar na sua primeira história como instituição, era um entusiasta, alegre e ousado piloto, apaixonado por acrobacias. Sempre que podia, levava seus filhos para longos passeios de avião sobre a cidade de Rio Branco.

João Donato Filho (o pai), costumava visitar seringais, navegar pelo principal rio acreano, além dos seus vôos diários, e costumava amarrar os filhos e joga-los com cuidado nas águas então límpidas do Rio Acre, para que enfrentassem a natureza sem medo e, lógico, aprendessem a nadar.

Para futricar a vida desse talentoso músico e sua família, tenho conversado algumas vezes e demoradamente com Lysias, escritor e principal parceiro nas composições de João Donato e biógrafo da vida do pai, e com sua irmã Eneyda, uma habilidosa artista plástica, que tem um de seus trabalhos insertos no CD interativo Ê lalá Lay-ê. Conhecer essa história tem sido motivo de horas de boas gargalhadas, de volta ao tempo, e os assuntos são tão abundantes que não se encerram apenas numa matéria, mas servirão para a biografia do compositor, também em fase de elaboração.

* O autor coleciona e pesquisa as obras de João Donato

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