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Rio Branco - Acre, domingo, 22 de junho de 2003

Beneficiamento de frutas de forma sustentável

Cooperativa no município de Boca do Acre investe em tecnologia para exportar sem destruir a floresta

Tatiana Campos

A iniciativa da Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus – Pauini – Amazonas – Brasil (Cooperar), no município de Boca do Acre, pode ser considerada uma experiência sustentável de desenvolvimento econômico. A Cooperar trabalha com beneficiamento de óleos e desidratação de frutas e verduras, compradas dos ribeirinhos. Tem 21 associados e está investindo em tecnologia para trabalhar com os produtos da floresta, sem destruí-la e pretende exportar toda a produção.

A cooperativa foi uma alternativa encontrada para gerar renda aos membros da comunidade daimista Céu do Mapiá, mas está aberta a qualquer pessoa que deseje associar-se.

O diretor Jaime Rogério Passos Sas, 46, conta que começou do zero, sem ter os conhecimentos necessários e hoje se orgulha do trabalho realizado em equipe.

“Fiz uma pesquisa sobre o assunto. Fui no IDAN, (Instituto de desenvolvimento da Amazônia). Eles ficaram bastante interessados e uma pessoa especializada me deu todas as instruções do que eu precisava para começar”, comenta.

ÔRGANICOS -A Cooperar trabalha com o beneficiamento de todas as frutas, verduras e legumes da região. Compra a produção dos ribeirinhos e incentiva o extrativismo e o plantio. Banana, mamão, abacaxi, graviola, cupuaçu, graviola, couve, pepino, gerimum, tudo é desidratado nos fornos adquiridos com as economias dos cooperados. O processo de desidratação é lento e pode levar até quatro dias, o que explica em parte o preço alto dos produtos.

Mas, segundo Jaime, os produtos desidratados têm suas vantagens. “São fáceis de transportar, não estragam, são saudáveis, não tem conservantes ou aditivos químicos e são 100% naturais”, observa.

Para implementar a cooperativa, Jaime buscou ajuda e tecnologia de fora, na Universidade Federal de Viçosa. “Eles estão nos dando apoio técnico e devemos fazer um acordo para que os alunos venham treinar na nossa fábrica”, ressalta.

Cooperar compra produtos dos ribeirinhos

A meta é exportar, mas, por enquanto os cooperados estão estocando a produção, resolvendo os problemas burocráticos e procurando fontes de empréstimos. “Nós vimos que o produto tem uma boa aceitação no mercado e queremos investir no negócio. As vezes chegava um ribeirinho com a canoa lotada de frutas e voltava com o carregamento. Nós estamos absorvendo boa parte de toda a produção. É uma forma de incentivo ao trabalho deles e de mostrar que podemos usar a floresta de forma inteligente, sem tirar as populações que vivem nela e sem destruí-la”, enfatiza.

Jaime comenta que mandou amostras dos óleos para a Natura, na tentativa de conseguir um contrato com a fábrica. “Perdemos as safras de andiroba, castanha, cacau por falta de capital de giro, precisamos achar os compradores para poder dar continuidade ao negócio”, explica.

Geração de renda à população da floresta

Outra vantagem da cooperativa para a região é a geração de empregos. “A nossa área é carente de mão de obra. Todos os dias chegam várias pessoas procurando emprego. Montar um negócio como esse é uma ótima saída, gera empregos para quem não tem e renda para quem produz. Compramos toda a produção de frutas e verduras dos ribeirinhos. Estamos movimentando a economia local de forma sustentável e viável”, acrescenta Jaime Passos.
Ele explica que a Cooperar ainda está em fase experimental, e toda a produção está sendo estocada até que a cooperativa seja totalmente legalizada.


Para o diretor da cooperativa, o negócio está beneficiando diretamente as comunidades florestais. “Nós incentivamos os ribeirinhos a continuar plantando, a colher andiroba, a plantar o gergelim na praia, a colher castanha. Também queremos trabalhar com extrativistas, não maltratamos a natureza, só colhemos sementes que caem. Temos o cuidado de deixar uma parte do que colhemos para os animais se alimentarem”, diz.

A preocupação com manejo e sustentabilidade está presente na Cooperar, como ressalta Jaime: “Essa é uma iniciativa para gerar renda na floresta, sem causar prejuízos ou danos e acredito que pode ser um exemplo. A pessoa que mora na floresta não precisa abandonar sua casa e vir morar na cidade. Ela pode sobreviver colhendo castanha, tirando andiroba, plantando banana na costa da praia”.

SERVIÇO - Mais informações sobre a cooperativa contatar o número (97) 453 - 5634
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