
A festa familiar dos arraiais de Rio Branco
Ponto de encontro de família e amigos, tradição é o principal lazer da cidade no mês de junho
Andréa Zílio
O arraiais de São João, uma tradição que veio junto com os nordestinos na colonização do Acre, ganha espaço nas praças, clubes e áreas arborizadas de Rio Branco, durante todo o mês de junho e se torna o principal lazer de grande parte da população. O ambiente é sempre o mesmo em diferentes pontos da cidade. Bandeirinhas coloridas, famílias reunidas, barracas cheias de guloseimas, que vão desde os mais saborosos doces e salgados, as quentes rabadas no tucupi. Diferente de algumas cidades do Norte e do Nordeste, as quadrilhas locais mantém a tradição da festa simples da roça.
Em Rio Branco, os arraiais mais antigos surgiram por iniciativa de escolas e até brincadeira de amigos. A festa vem ganhando novos adeptos, principalmente grupos organizados por meio de associações. Mas nem tudo é brincadeira. Além da diversão, os arraiais são sinônimos de geração de renda e emprego.
A barraca da tia Jahanara
Tia Jahanara, como é conhecida, conta que mesmo as vendas sendo boas, o mais gratificante é ver família e de amigos reunidos em um espaço de lazer tranqüilo. Diz que a intenção é que esses momentos vividos no mês de junho, se estenda por todos os outros meses, reunindo também trabalhos de artesanato.
Além das tortas, o quibe feito por Jahanara é o grande sucesso de sua barraca. Ela chega a vender por noite, em torno de 350 a 400 quitutes. Para atender a demanda, filhos e netos, ajudam na cozinha e no atendimento da barraca. Freqüentadora assídua, desde o primeiro ano de festa, Elilda Pereira, 40, não deixa de ir uma noite sequer às barracas do arraial. Segundo ela, o melhor de tudo, é o ambiente familiar.
Brincadeira entre amigos
Há quatro anos, o arraial da Cohab do Bosque, anima a comunidade do Bosque e de outros bairros vizinhos. O acreano Euvaldo de Castro, 40, é conhecido por promover encontros de amigos, principalmente em dias de jogos de futebol. Resolveu convidar o amigo Humberto para reunir os vizinhos em um arraial. Desde então a dupla organiza a festa, que é realizada às sextas, aos sábados e domingos, durante todo o mês de junho.
O público cresceu e foi inevitável deixá-lo restrito ao bairro. Euvaldo conta que a mãe, Jahanara Castro, 67, também foi responsável pela festa. Até hoje ela colabora com a festa, oferecendo ao público suas deliciosas tortas e salgados. Dona Jahanara diz que incentivou a idéia, porque o filho sempre foi gostou de reunir os amigos.
EMPREGO – O local utilizado para fazer o arraial da Cohab do Bosque é uma área de arvoredos, em frente a casa de dona Jahanara, no conjunto Guiomard Santos I. Há 12 barracas que vendem churrascos, doces, salgados, bebidas, pato no tucupi, bobó de camarão, rabada, entre outras guloseimas. Noventa por cento dos que trabalham nelas são moradores do bairro. O dinheiro do arrendamento é utilizado para pagar os custos da estrutura montada e outros gastos.
Espetáculo resgata a cultura nordestina
No bairro Sobral, nas noites de final de semana, o chão de tijolos do mercado municipal Luiz Galvez serve de palco para crianças, adolescentes e jovens fazerem apresentações de quadrilhas. O espetáculo resgata a cultura nordestina, apresentando a dança de forma tradicional. A quadrilha havia sido criada em uma das escolas do bairro, ficou parada por um período. Os jovens do bairro resolveram retomá-la, criando a quadrilha Jabá com feijão. As crianças e adolescentes copiaram a brincadeira e criaram a quadrilha Bicha lá.
Quando a dança inicia, todos se aproximam em volta do mercado. As meninas com os vestidos de chita e fita no cabelo e os meninos com calça, camisa e chapéu de palha mostram entusiasmos e muita alegria. O público, na maioria adolescente, é contagiado e por instantes, os cigarros saem das mãos daqueles que tiveram a infância curta, trazendo de volta o sorriso maroto, as gargalhadas inocentes e aplausos otimistas, em momentos de plena diversão e felicidade.