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Rio Branco - Acre, domingo, 22 de junho de 2003
“Estou recomeçando a minha vida agora”

Estevão Bimbi comemora 35 anos de rádio no Acre

Ele nasceu em 9 de janeiro de 1943, em São Paulo. Dia do Fico. Mas depois de anos como locutor comercial da rádio Mayrink Veiga, após receber convite do ex-governador Francisco Wanderley Dantas para trabalhar na imprensa local resolveu ficar mesmo foi no Acre.“Ele me deu uma grande oportunidade”, lembra Bimbi, que teve como professor e grande incentivador de sua carreira, Abelardo Barbosa, o Chacrinha, quando este ainda não apresentava seu programa de televisão. Estevão Bimbi, figura de respeito na radiodifusão acreana, no último dia 19 de junho, comemorou 35 anos de sucesso.

Desde cedo, ainda no colégio, Estevão Bimbi já demonstrava grande paixão pelo jornalismo. Tanto que começou redigindo os primeiros textos em jornaizinhos escolares. “Comecei nesse meio aos 16 anos. Já fui até repórter de porta de necrotério, no jornal do Tenório Cavalcante”, diz ele. O referido jornal se chamava “Luta Democrática” e, segundo o próprio Estevão, era só espremer que saía sangue, de tão sensacionalista que era o diário. RECONHECIMENTO - Mas o grande amor dele era mesmo o rádio. As rádios acreanas que o digam. Pode-se dividi-las antes e depois de Estevão Bimbi. “Fui um dos poucos locutores do Brasil que teve 63,8 pontos de audiência”, orgulha-se.

De fato, quem não se lembra dos programas Mundo-Cão, A vida quis assim e Bom dia, Acre (o primeiro e que existe até hoje)? Todos criados por ele e líderes de audiência. “Na época do Mundo-Cão, cansei de ser preso toda semana pelo exército porque baixava o pau no Governo em plena ditadura”, relata Bimbi. Apesar da implicância do Governo, era um programa policial com toques de humor, pois o idealizador queria se diferenciar do jornalismo policial padrão. Por causa desse programa, Estevão foi perseguido por bandidos de alta periculosidade, que o juravam de morte. Um deles, ao atravessar a rua para chegar na Rádio Difusora e cumprir a jura, foi atropelado por um ônibus e morreu na hora. “Meu anjo da guarda é meio forte”, brinca.

Entre os diversos prêmios que já recebeu, Bimbi destaca o Troféu Marcone, considerado o Oscar da rádio brasileira, em 89, pela cobertura para a Rádio Bandeirantes do julgamento dos assassinos de Chico Mendes. O free-lance para a rádio de São Paulo foi transmitido em rede nacional. “De Xapuri para o mundo”, recorda. Depois vieram o Microfone da Associação Brasileira de Rádio e TV , para o programa Mundo-Cão, Troféu Coca-Cola, para A vida quis assim, pela maior audiência do norte do Brasil, três prêmios Garibaldi Brasil, e uma homenagem do prêmio Chalub Leite.

Segundo Bimbi, o rádio é um meio de comunicação que nunca vai se extinguir. Apesar das rádios acreanas terem tido uma renovação “muito tímida”, nunca serão superadas pela televisão, por atingir lugares onde a TV nunca irá alcançar e por utilizar equipamentos mais simples. “O rádio é a melhor escola para o jornalista”, recomenda o locutor.

GOLPE - Quem o vê assim, a alegria em pessoa, não imagina (ou não lembra) a maior provação que o cidadão honorário de Rio Branco teve que passar. Há quatro anos, contraiu câncer no fígado e teve que sair de cena para lutar por um transplante. Foi aí que ele sentiu na pele a fidelidade do público. “Foi a maior corrente de oração de todo o país”, emociona-se. Fizeram bingos para arrecadar lucro para que ele pudesse viajar e fazer o transplante, alguns até deixaram de ouvir rádio. Recebeu apoio do governador Jorge Viana e do irmão dele, o senador Tião Viana, que ficaram ao lado dele o tempo todo. “Minha mulher, Alia Ganun, foi uma guerreira. Não saiu do meu lado um só instante”, lembra ele, que conseguiu passar a frente na fila para receber a doação de fígado devido à gravidade do estado em que se encontrava. “Deus me ajudou muito”, agradece.

VITÓRIA - Enfim, conseguiu um fígado de um doador de 17 anos e teve uma ótima recuperação. “Estou recomeçando minha vida agora”, orgulha-se. Hoje, Estevão Bimbi se diz completamente mudado, mais calmo. Difícil crer que um homem que já foi expulso do Acre no governo Nabor Junior por ser implacável nas colocações verbais, atualmente esteja tão sereno. Mas ele explica: “Cada minuto de vida, pra mim, é lucro”. O locutor, que nunca ficou desempregado na vida e sempre teve o que noticiar todos os dias seja em rádio, televisão ou impresso, não se queixa de nada do que tenha feito. Já recebeu convites para rádios de São Paulo e Goiânia, mas preferiu a família acreana, como ele mesmo define. Mesmo assim, com todos esses convites, sucessos de audiência e prêmios que preenchem as prateleiras da casa dele, Estevão Bimbi ainda consegue ser modesto: “Não é que eu seja bom. É que tive muita sorte na vida”, acredita.

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