
Tião, um leão em defesa de Lula no Senado
O corre-corre do senador demonstra que ele tem se esforçado para virar uma fera na defesa dos princípios do novo governo
Romerito Aquino
BRASÍLIA – Fiel escudeiro do presidente da República, com quem se encontra ou conversa por telefone no mínimo duas vezes por semana, Tião Viana não só tem certeza que haverá mudanças positivas para o país, como costuma demonstrar, com números e argumentos, que elas já estão acontecendo, particularmente na economia, a partir do controle da inflação, da valorização do real e do resgate da credibilidade na administração pública do país.
O presidente Lula costuma tratar o líder de seu partido no Senado como “um leão”, pois o considera sempre pronto a defender, principalmente dos ataques da oposição, os pontos estratégicos do programa de seu governo, com os quais prometeu em campanha distribuir a renda, gerar empregos e fazer com que todos os brasileiros comam, no mínimo, três vezes por dia.
O corre-corre do senador acreano demonstra que ele, de fato, tem se esforçado muito para virar uma fera na defesa intransigente dos princípios que acredita que estão sendo levados em conta pelo novo governo para fazer principalmente justiça social num país que tem 40 milhões de pessoas sem ter dinheiro para comer, vestir, morar, estudar e passear.
Tião Viana é um dos primeiros senadores a chegar no Congresso todos os dias. Invariavelmente, chega às 8 horas e só sai após as 20 horas, depois de uma exaustiva maratona de incontáveis encontros, conversas, audiências e bate-papos, dentro e fora do parlamento, sobre os mais variados temas da política nacional.
De segunda a sexta-feira, quando não viaja para fazer palestras ou participar de importantes fóruns de debates, Tião Viana está recebendo em audiência ministros, embaixadores, secretários-executivos dos ministérios, deputados, senadores e outras personalidades nacionais e internacionais. Todos ávidos em trocar idéias, ouvir ou pedir a interferência, sobre os mais variados assuntos, do político acreano que hoje comanda no Congresso 13 senadores do PT, além de nove outros senadores do PSB, PTB e PL, que completam a base de apoio do governo na chamada Câmara alta do país.
Diariamente, Tião Viana divide seu tempo entre o plenário e os dois amplos gabinetes que ocupa no Senado, sendo um da liderança do PT e outro a que tem direito como representante do povo acreano. Ele ocupa hoje o amplo gabinete que antes era do ex-senador Nabor Júnior (PMDB), a quem ajudou a derrotar na última eleição, apoiando a candidatura vitoriosa em todo o estado do hoje senador Geraldinho Mesquita (PSB). Aliás, o líder petista forma hoje com Geraldinho e Sibá Machado o trio de senadores acreanos que, sentados na primeira fila do lado esquerdo do plenário, estão sempre atento a defender os governos de Lula e de Jorge Viana.
Além de liderar o bloco de apoio ao governo formado de 23 senadores, tocar seu trabalho legislativo enquanto parlamentar e preparar a tese de doutorado em medicina tropical que está fazendo na Universidade de Brasília, Tião Viana acumula também o cargo de coordenador da bancada federal do Acre no Congresso, composta por três senadores e oito deputados federais.
O senador costuma se reunir com a bancada quinzenalmente durante café da manhã em seu gabinete, onde põe em dia o encaminhamento das demandas mais importantes do Acre e o andamento das emendas da bancada visando a liberação de recursos para o governo, as prefeituras e entidades civis do estado.
A terça-feira desta semana, por exemplo, foi um dia típico do corre-corre que o senador e médico tem de se submeter para propagar o seu otimismo em relação à cura do “Brasil gravemente doente”, que é como ele diagnostica o país que Lula pegou.
Tião Viana começou o dia liderando reunião com o bloco de senadores de apoio ao governo, que decidiu instalar a CPI mista do Congresso destinada a apurar o desvio de US$ 30 bilhões para a agência do Banestado de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Nem bem terminou a reunião do bloco, o senador foi correndo para a Presidência do Senado, onde os líderes dos partidos iriam debater aspectos da relação política entre o Senado e a Câmara dos Deputados.
Da presidência, o senador se dirigiu de imediato ao seu gabinete, onde já lhe aguardava o embaixador da Espanha no Brasil, José Coderch, com quem iria tratar, por mais de meia hora, de futuros intercâmbios comerciais, científicos e culturais daquele país com o Estado do Acre. Em seguida, foi a vez do ministro da Defesa, José Viegas, que pediu audiência ao líder petista para discutir o papel das Forças Armadas como protetora do grande patrimônio natural da Amazônia brasileira.
Depois do ministro da Defesa, Tião Viana saiu, também às pressas, para o gabinete da liderança conceder audiência ao futuro procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que foi sabatinado na quarta-feira no Senado após ser indicado para o cargo pelo presidente Lula.
Ainda na liderança, o senador manteve encontro com o líder do governo no Congresso, Amir Lando (PMDB-RO), com quem tratou de questões daquele estado, junto com a senadora Fátima Cleide (PT-RO). Da liderança, foi para o plenário do Senado assistir e participar do embate entre o líder do governo no Senado, Aloísio Mercadante (PT-SP), e o líder do PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM), em torno das críticas feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique ao governo do presidente Lula. Depois de tudo isso, Tião Viana ainda encontra tempo para despachar periodicamente com assessores dos dois gabinetes e atender, por telefone ou pessoalmente, amigos e ex-pacientes que lhe procuram para aconselhamentos médicos.