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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 26 de junho de 2003

Servidores querem que
Estado administre o Saerb

Paralisação de advertência prevê greve para a próxima semana caso a empresa não negocie com a categoria

MARCELA BARROZO

Depois de protestarem em frente à empresa, os funcionários do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) escolheram a fachada da prefeitura para fazer o manifesto por causa “do caos em que se encontra o Saerb”, que, de acordo com eles, devido à crise no abastecimento, estaria às portas da falência. A paralisação de advertência, ontem, dos servidores da autarquia alerta greve para a próxima semana caso não sejam atendidas as reivindicações da categoria, que propõe ainda que o Saerb seja administrado pelos próprios servidores em parceria com a prefeitura e o Estado.

“Estamos lutando por negociação de salários, pois existem trabalhadores que estão vivendo com menos de um salário mínimo”, afirma o diretor de imprensa e divulgação do Sindicato dos Urbanitários, Evandilson Alves. Entre as reivindicações da classe, as principais são o reajuste salarial de 24,08%, auxílio-creche, ticket-alimentação e adicional de periculosidade e insalubridade.

Segundo Evandilson Alves, essa foi apenas uma paralisação de advertência, que não comprometeu o abastecimento da cidade e o objetivo era que a diretoria do Saerb se posicionasse a respeito da situação. “Se isso não acontecer, semana que vem nós faremos nova greve e deixaremos apenas 30% da área operacional funcionando”, alerta.

A diretoria do Saerb rebate as reivindicações dizendo que já houve uma reunião com o Sindicato dos Urbanitários, em que ficaram acertadas as propostas apresentadas pela empresa aos funcionários. De acordo com a presidente Carmem Nardino, todos acataram as decisões. “Nós demonstramos a eles que o índice das despesas de pessoal ultrapassava o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal”, afirma Nardino, que diz ter proposto um reajuste de 17% e todos concordaram.

A diretoria da empresa se defende e diz desconhecer a situação alegada pelos funcionários.

“Como podem falar em falência, se nós pagamos todos os salários em dia, sem atrasos?”, questiona Carmem Nardino. Para provar o que diz, a presidente discorre sobre vários motivos para desmentir a acusação dos funcionários, como a ordem de R$ 31 milhões em contas a receber e um passivo de apenas R$ 7 milhões junto à Eletroacre. “Não podemos criar essa idéia. A população tem condições de remunerar os serviços prestados pela autarquia”, assegura.

REPRESÁLIA - Outra acusação feita pelos grevistas é de que estariam recebendo represálias por parte da diretoria, como ameaças de demissão. “Nossas portas sempre estiveram abertas para o diálogo”, rebate o assessor de planejamento, Manoel Ribeiro. “A direção nunca se recusou a discutir essas questões com o funcionário.”

Câmara vai propor parceria com governo

Ambos os lados, porém, afirmam ter como aliada a Câmara dos Vereadores. Após os protestos em frente à prefeitura, os funcionários seguiram para a Câmara e participaram da seção. O objetivo era o mesmo dos professores da rede municipal: pedir que intercedessem por eles na empresa onde trabalham. Já no Saerb, a afirmação é de que os vereadores estiveram por lá prestando apoio e colocaram a Câmara à disposição. “Eles demonstraram preocupação com o saneamento da cidade e se propuseram a ser nossos parceiros em defesa disso”, diz Nardino. Nuno Miranda, presidente da Câmara, informou que os vereadores farão uma reunião com a diretoria da empresa, funcionários e vereadores em prol de uma parceria com o Estado.

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