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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 26 de junho de 2003

Campinas: emancipação já!

Raimundo F de souza *

A origem veio do nome do depósito do seringal Bagaço “Campinas” e, a partir do acampamento do Deracre para trabalhar na construção da BR-364, pode ser considerado o início do povoamento. Em 5 de agosto de 1989, 487 produtores rurais realizaram um grande mutirão, organizado pelo Incra, para roçar, na base da foice, o local onde a vila se situa hoje.

Em desdobramento dessa ação, já demarcaram 980 lotes medindo 15 por 30 metros, em uma área de 80 hectares, e demarcaram também o local do cemitério. Na oportunidade, foi sugerido que o nome da vila deveria ser “Nova Campinas”. As primeiras construções públicas foram a delegacia de polícia, o hospital Ana Nery e a escola São Luís Gonzaga, com apenas duas salas.

Dia 18 de junho de 2003, toda a população dessa vila, localizada no quilômetro 60 da BR-364, entre Rio Branco e Porto Velho, mobilizou-se para defender a emancipação como unidade municipal do Estado. Entre apresentações teatrais, de artes marciais, corais ensaiados, foguetórios e discursos eufóricos por parte dos representantes da comunidade local, das vinte e oito associações de trabalhadores rurais e dos representantes dos municípios de Senador Guiomard, Plácido de Castro e Acrelândia, a Comissão Parlamentar de Inquérito, que tem por objetivo propor a regularização dos limites intermunicipais, ouviu todas as explanações em defesa da autonomia da vila, que a partir desta data deverá realizar um sólido trabalho de mobilização e conscientização junto às autoridades e comunidades dos municípios vizinhos, visando obter uma votação positiva no momento da consulta popular.

Pela legislação oficial, para que um povoado ou vilarejo seja elevado à categoria de município, além dos pré-requisitos econômicos, estruturais e sociais necessários, terá que passar pela aceitação da vontade popular local, realizar consulta popular (plebiscito) junto às comunidades de todas as localidades vizinhas envolvidas e obter aprovação acima de cinqüenta por cento.

Vila Campinas, que tem sua economia baseada nas atividades agropecuárias, tem condições de exportar para Rio Branco principalmente produtos agrícolas, pois conta com uma grande unidade armazenadora de grãos, é auto-suficiente em carne, frutas tropicais e conta ainda com a maior fábrica privada de palmito. No perímetro urbano, já residem mais de 4.500 habitantes em 1.121 unidades residenciais. Anualmente, em suas 160 chácaras da circunvizinhança produzem-se 200 mil caixas de citros, 72 mil caixas de bananas, 40 mil melancias, 14.400 caixas de mamão, 32 mil quilos de polpa de cupuaçu, 70 mil sacas de café, 786 toneladas de grãos, 323 toneladas de farinha, 600 toneladas de borracha, 4.800 litros de leite e ainda são cultivados grandes plantios de pupunha, coco e verduras, entre outros, sendo o ponto de maior expressividade o rebanho bovino, com 92.537 cabeças.

O povo campinense acredita que chegou o momento de dar o passo para a maioridade, pois esse entrelaçamento de limites, especialmente com os municípios de Plácido de Castro e Senador Guiomard, vem causando dependência e grandes transtornos para a população, que necessita resolver problemas civis e comerciais. Sem esquecer de evidenciar que, sem uma administração pública local, a população da vila funciona como reduto eleitoral para vários municípios, mas, no final das contas, fica sem representantes políticos e, conseqüentemente, sem ter a quem recorrer para pleitear melhorias em favor da comunidade local.

A população local pede emancipação já, os representantes dos municípios vizinhos pregam cautela na demarcação das fronteiras, pois temem que possam perder território e enfraquecer suas jurisdições. Todavia, mesmo os parlamentares dos municípios envolvidos reconhecem que a emancipação dessa localidade é algo irreversível. O processo está desencadeado, expectativas foram geradas e nesse momento, além do trabalho de mobilização que as lideranças da vila devem fazer para convencer os vizinhos sobre a necessidade de se libertar - votando sim -, será necessário estabelecer um bom e amigável diálogo com as lideranças envolvidas, para que a demarcação dos limites seja realizada sem causar prejuízos à sobrevivência e à estabilidade dos vizinhos.

* rafeso@zipmail.com.br

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