© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, domingo, 6 de julho de 2003

Ginástica grátis no Parque

Projeto da Seesp tem por objetivo orientar
o público a fazer exercícios corretamente

MARCELA BARROZO

Cerca de 50 pessoas se reúnem todas as tardes em frente à concha acústica do Parque da Maternidade para fazer aulas de Tai Chi Chuan e ginástica aeróbica. A partir das 17h, de segunda a sábado, os professores ligam o som e o microfone e começam a convidar os passantes para mais uma aula. Isto significa que qualquer pessoa que esteja caminhando por ali poderá “incrementar” seu exercício com uma das atividades descritas acima, sem compromisso com pagamento. Esta é uma iniciativa da Secretaria Extraordinária de Esportes em conscientizar e educar a população na prática esportiva. Intitulado Academia da Cidade, o projeto entrou em vigor há um mês.

“O Governo queria dar uma atividade no Parque, para incentivar o acreano a sair do sedentarismo”, afirma o profissional em educação física, Francisco Alexandre (Xandão), gerente de projetos especiais da Secretaria. Ele conta que a idéia partiu do próprio secretário José Alicio, que convocou a equipe de projetos especiais para definir como tudo iria ser feito. Logo, pensaram numa forma de orientar pessoas que fazem exercícios de modo inadequado. Como não havia nenhuma atividade educativa para cobrir essa lacuna, aproveitaram para unir o útil ao agradável: profissionais dariam aulas de graça ao mesmo tempo em que corrigiriam a postura dos “alunos”.

ASSIDUIDADE - E está dando certo. Como o objetivo também é incentivar a prática desportiva, os professores já têm até uma turma assídua. “Da minha aula participam pessoas de primeira, segunda e terceira idade, 60% já são cativos, a outra parte é de alunos rotativos”, garante Mestre Nil, instrutor das aulas de Tai Chi Chuan.

Mas nem sempre foi assim. Os organizadores e os próprios instrutores lembram que o começo foi um “terror”, como classifica Xandão. “Foi difícil. A gente lutava para chamar a atenção das pessoas. Os professores pegavam o microfone, chamavam o público, que ficava desconfiado”, lembra ele. Mestre Nil começou a dar aulas na concha para apenas três pessoas. Na parte da ginástica, as professoras não conseguiam atrair o público alvo, que são as pessoas de meia-idade. “Foi aí que percebemos que o método de abordagem estava errado”, diz Xandão. Mudados os métodos, hoje a Academia da Cidade não precisa mais fazer esforço algum para que o público compareça.

Tai Chi Chuan alivia a tensão do cotidiano

Nas aulas de Tai Chi Chuan, por exemplo, alguns alunos já chegam antes do horário e ficam à espera da aula sentados no palco. Outros, misturam-se aos demais um pouco depois do início. Logo, um grupo de 30 pessoas imita os movimentos de Mestre Nil, que está em cima do palco. “Essa aula é muito boa. A gente sente que relaxa, tudo fica novo”, descreve a dona-de-casa Maria Machado, 65, na segunda vez que participa das aulas. Este é um dos objetivos dessa arte chinesa: trabalhar o lado interno do ser humano. Os alongamentos, movimentos giratórios e exercícios para respiração contribuem para aliviar a tensão e o estresse do cotidiano, proporcionando mais qualidade de vida. “Procuro orientar sempre aos alunos que é importante praticar esses exercícios em casa, também. E não apenas aqui, três vezes por semana”, aconselha Nil.

Aulas de ginástica atraem mais gente

Por ser um pouco mais agitada, a aula de ginástica aeróbica atrai um número maior de pessoas, a maioria mulheres de idades variadas. Cerca de 40 alunas se aglomeram todas as quartas, sextas e sábados, para complementar a caminhada. A trabalhadora autônoma Vanderlina Andrade, 25, soube das aulas por meio da amiga Mariel Gomes e, há duas semanas, ambas não perdem uma seção e fazem questão de ficar na primeira fileira. “Acho ótimo. Adoramos tanto as aulas como a professora”, afirmam.

A professora, Geise Sant’ana, 24, também sofreu um pouco para conquistar os alunos. Agora, sente que o público está cada vez mais fiel. “Acho que meu jeito agradou. Mas o principal era que as pessoas buscavam uma atividade diferente no Parque, e agora isso existe”, afirma Sant’ana.

De acordo com ela, o grupo que se reúne em frente ao palco não é formado só por pessoas com baixo poder aquisitivo. “Tem muita gente que chega aqui de carro, só para fazer a aula”, destaca.

Um diferencial da professora, que também pode ter contribuído para cativar as pessoas, é que no fim das aulas, sempre coloca uma mensagem de Deus para as pessoas refletirem sobre como foi o dia. “Faço isso especialmente nas aulas de sexta, para pensarem nisso durante o fim-de-semana”, revela San’tana.

Em breve, a Secretaria pretende ampliar esse trabalho de educação das atividades físicas distribuindo folders explicativos, questionários de aptidão aos exercícios e pessoas verificando a pressão dos alunos. “Pretendemos potencializar as aulas. Vamos procurar mais parceiros e desenvolver todo um trabalho gráfico para despertar na pessoa a importância de se praticar exercícios corretamente e com profissionais sérios”, adianta Xandão.

Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Estilo
Especial
Esporte 
Opinião
Política
Via Pública
Principal