
Operação policial nos bares da cidade
Sejusp iniciou campanha educativa sobre portaria que determina novo horário de funcionamento
J. Guimarães
A portaria número 424, de 3 de julho de 2003, que estabelece horário de funcionamento de bares e restaurantes, começou a ser colocada em prática anteontem. O delegado geral de Polícia, Walter Prado, comandou a operação policial educativa. Houve reclamação dos donos de bares e descontentamento dos freqüentadores, mas ninguém desrespeitou a nova lei.
Na primeira noite de aplicação da portaria, o trabalho se concentrou na fiscalização daqueles bares classificados de terceira categoria - onde não existe segurança própria e estão localizados na periferia da cidade. Esses estabelecimentos passam a funcionar de segunda a quinta-feira, das 6 horas às 20 horas. No final de semana o horário é das 6 às 22 horas.
“Hoje estamos fazendo um trabalho de conscientização para que nos próximos dias possamos cobrar o cumprimento da portaria. Estamos explicando aos comerciantes o porquê desse novo horário, que deverá contribuir na redução da violência. Estamos chamando a atenção deles, também, para a penalidade com aplicação de multas àquele que desobedecer o horário”, ressalta Walter Prado.
Não houve resistência por parte dos proprietários de bares. Todos receberam a equipe com atenção e logo depois de serem comunicados que estava no horário de fecharem os estabelecimentos recolheram as mesas, cadeiras e trancaram as portas.
Nos arredores do terminal rodoviário, onde se concentra um grande número de botequins, houve correria dos comerciantes em fechar os estabelecimentos. Alguns ajudaram aos outros na liquidação das despesas dos clientes, enquanto os policiais corrigiam as pessoas e aguardavam o fechamento de todos os bares para se ausentarem.
Freqüentadores reagem à restrição do horário
Quem não gostou nada do novo o horário de funcionamento foram o freqüentadores. “Sexta-feira é o único dia em que eu posso fugir da minha mulher para tomar uma cerveja gelada com os amigos. A gente sai do trabalho às 7 horas da noite, chega no bar às 8 horas e 10 horas a polícia manda fechar. Não tem lógica isso. A gente só vai poder passar duas horas com os amigos no bar”, reclama o balconista Raimundo Firmino de Aguiar, 38, residente no bairro Seis de Agosto.
A estudante Graça Ribeiro da Silva, 21, residente no bairro Quinze, critica a nova medida da Secretaria de Segurança. “Essa portaria veio para incentivar, ainda mais, a desigualdade social em nossa cidade. Se formos pensar direito, veremos que criaram bares só para ricos. O pobre, que também precisa de um pouco de lazer, como sempre fica sem local e oportunidade para se distrair”, reclama.
Entretanto, em meio aos insatisfeitos havia sempre alguém que concordava parcialmente com a medida. “Eu concordo, em parte, com esse novo horário se realmente ele trouxer paz à cidade. Acho que as autoridades deveriam ter tido mais cautela ao classificar os bares em 1a, 2a e 3a categoria. Pois nem sempre aquele bar, aparentemente de terceira categoria, registra ocorrências policiais que endossem os números da violência em Rio Branco”, disse um deles.
Comerciantes temem arrombamentos
Aos 51 anos, viuva e mãe de três filhos, Creuza Frazão Dantas, dona de um bar no entorno do terminal rodoviário, não sabe o que vai fazer para sustentar a família daqui para frente.
“Há dez anos eu sustento minha família desse comércio. Aqui eu vendo estiva e bebida alcoólica. É daqui que eu compro comida, roupas, pago luz, telefone, água, gás e os estudos das minhas filhas. Eu não tenho emprego, não sou aposentada nem sei fazer outra coisa”, lamenta Creuza.
Assim como ela, dezenas de pequenos comerciantes do terminal rodoviário alegam estar com o futuro incerto. “Nós estamos nesse ramo de vida há muitos anos. Ter que mudar de negócio de uma hora para outra será um impacto muito forte para a gente. Por outro lado, não temos condições de continuar mexendo com bar nesse local, pois o horário de pico de venda é das 22 horas até as 2 horas”, diz um comerciante que não quis ser identificado.
Eles acreditam que deixando seus comércios fechados por longo tempo correm o risco de arrombamento.