
A autora descreve a euforia e o
triunfo da sociedade
burguesa num período de efervescência material e tecnológica
Ao discorrer sobre o período áureo da riqueza da borracha (1880-1910) e a decorrente euforia social e cultural que tomou conta dos Estados do Pará e do Amazonas, Ana Maria Daou, em seu livro A Belle Époque Amazônica (Jorge Zahar Editor-RJ), mostra como as elites amazônicas se inseriram na dinâmica do mercado mundial e como viveram uma belle époque em pleno coração da selva amazônica.
Segundo a autora, a chamada “bela época” retrata a euforia e o triunfo da sociedade burguesa num período de efervescência material e tecnológica.
Daou, em sua pesquisa, relata que foi no final do Segundo Reinado e as décadas inciais da implantação do regime republicanos no Brasil, o pano de fundo da chamada belle époque. “Sob vários aspectos, esses anos promoveram as bases das sociedades identificadas como belle époque amazônica, quando as elites do Pará e do Amazonas – favorecidas pela crescente aplicação da borracha na indústria automobilística – ganham visibilidade nacional e internacional”.
O livro discorre e situa as elites tradicionais do Pará e Amazonas, com suas diferenças sociais. Enquanto no Pará, segundo a autora, a elite tradicional era composta por proprietários de terras, os pecuaristas, e por grandes comerciantes, principalmente os portugueses. No Amazonas, não existiam famílias ligadas à terra, pois era uma elite de formação recente, oriunda dos segmentos urbanos, de comerciantes e profissionais liberais.
Segundo a autora existem pontos de aproximação que permitem discorrer sobre a belle époque amazônica. Essa área inclui todo o Pará e vem até o Acre. Daou descreve que as dimensões da belle époque amazônica têm como ponto de partida a navegação a vapor “percebida e esperada pelas elites como promotora universal do progresso e do engrandecimento de suas províncias, é o ponto de partida. O vapor leva as novidades às capitais, cidades que, na Amazônia, assumem redobrado valor como lócus da atividade civilizatória”.
As informações contidas no livro A belle époque da amazônica, permitem uma reflexão sobre o modo como as elites amazônicas se inseriram na dinâmica do mercado mundial e como viveram a belle époque. A autora por meio da leitura de periódicos e documentos da época conseguiu recuperar o ponto de vista dos agentes locais, a perspectiva daqueles que viabilizaram a economia gomífera.
Define a autora: “Os cenários eram favoráveis à invenção de tradições e mitos sobre um período de excessos, embalado pela lírica, regrado pela ordem republicana, estimulado pelo cosmopolitismo e confiante no progresso.”