
Sobre a nossa questão energética
Taumaturgo Lima *
Há dias passados, tratei, aqui, sobre os ricos mananciais com que a natureza nos brindou. São milhares de rios e igarapés de águas cristalinas e sadias. O volume líquido da superfície é tão fantástico quanto o subterrâneo. Com um mínimo de cuidados, ninguém morrerá de sede.
Hoje, faço ligeiro comentário sobre a nossa questão energética. Mesmo considerando as possibilidades de utilização da energia solar, da eólica ou da biomassa, no Acre, o potencial hidrelétrico é muito mais vantajoso. Há estudos sobre a matéria que tiveram início com o engenheiro militar Natalino da Silveira Brito, hoje erradicado no Rio de Janeiro, mas ainda sonhando com tal possibilidade a partir da construção de uma usina no rio Ituxi, não tão distante de Rio Branco.
Estudos e projetos mais aprofundados foram concluídos e suas considerações finais - positivas - estão no Ministério das Minas e Energia, à espera de melhor época para que sejam tornados realidade.
É preciso considerar que o Acre ainda não está conectado aos sistemas interligados de distribuição de eletricidade. Nós não possuímos atividades comerciais e industriais tão importantes que exijam um consumo de energia em grande escala. Todavia, os tempos de grande prosperidade já não tardam, e é preciso considerar que o princípio da redenção econômica passa pela nossa autonomia em termos de produção de energia, tudo isto, respeitando, é claro, as peculiaridades ambientais amazônicas.
O potencial eólico local é mínimo, pois os ventos são inconstantes. A margem de aproveitamento da energia solar (térmica c fotovoltaica) e de geração de biogás é muito pequena. A possibilidade de utilização da biomassa da madeira é significativa, porém controversa, em vista das questões ambientais.
O maior potencial e a melhor possibilidade de utilização das fontes renováveis de energia na Amazônia se encontram no aproveitamento hidráulico, uma vez que a região dispõe de rios em profusão.
A grande vantagem é que a energia hidrelétrica provém de fontes energéticas renováveis, a cada ciclo de sete ou nove meses, tendo em vista o rigor do inverno amazônico.
O gás vindo de Urucum, no Estado do Amazonas, não é renovável e não tardará a extinguir-se como qualquer jazida. Não buscamos paliativos, mas soluções concretas.
A sugestão aqui levada a termo, então, fica por conta da necessidade urgente de renovar os nossos contatos com as autoridades constituídas, com vistas à construção de uma usina hidrelétrica para o Estado do Acre, sempre considerando as peculiaridades de uma região, onde a diversidade biológica é a maior riqueza e o desenvolvimento do ser humano é o grande projeto.
Na verdade, é este o elo de ligação que nos falta para que se efetive, finalmente, e de uma vez por todas, o nosso vínculo com o progresso social e o desenvolvimento sustentável que todos temos buscado.
* Deputado Estadual do Partido dos Trabalhadores