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Rio Branco - Acre, domingo, 6 de julho de 2003

Fim do conflito na Transacreana

Fazendeiros tiveram que recuar com os 150 peões contratados para desmatar 1,6 mil hectares de florestas

Itaan Arruda Dias

Chega ao fim o conflito nos seringais São Bernardo e Cachoeira, localizados a 52 quilômetros na estrada da Transacreana. Os fazendeiros retiraram os 150 peões que estavam alojados há uma semana, prontos para iniciar o processo de derrubada de quase 1,6 mil hectares de mata nativa.

A estimativa era de que apenas o fazendeiro Mozart Marcondes Filho, o proprietário das terras do seringal São Bernardo, derrubasse 24 mil m3 de madeira para comercialização, antes de transformar a floresta em pasto para a pecuária extensiva.

O empate parecia um dos mais complicados dos últimos anos, mas a ação rápida do Imac, Ibama, Sinpasa (Sindicato dos Pequenos Agricultores, Seringueiros e Assemelhados de Rio Branco), CUT e do Instituto de Terras do Acre (Iteracre) neutralizou o conflito entre seringueiros e fazendeiros da região.

O diretor do Imac, Nilton Cosson, ficou reunido com representantes das entidades sindicais, com o comando da Polícia Militar e com os fazendeiros até ontem às 12 horas. O grupo combinou que os posseiros não permitirão a entrada de nenhuma família, além das 60 que já residem na área.

O helicóptero do Ibama sobrevoou a área ontem e constatou que o acordo estava sendo cumprido pelos fazendeiros. Não havia mais nenhum peão no local. “Houve bom senso de todas as partes, sobretudo dos fazendeiros, além de medidas imediatas dos órgãos envolvidos para a mediação do conflito”, disse o secretário de Meio Ambiente, Carlos Edegard de Deus, um dos mediadores do caso.

A região é rica em seringueira e castanheira. Há 90 colocações de seringa, que fazem limite com a reserva Chico Mendes, e sustentam 60 famílias de extrativistas.

O conflito nos dois seringais chegou a preocupar as autoridades do governo pela junção de vários fatores que poderiam ter um desfecho dramático. De um lado, seringueiros sem condições de produzir e de plantar. De outro, peões contratados para derrubar a mata e dificultar a permanência dos posseiros na região. Os dois grupos estavam armados.

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