
Universidade da Floresta
Um diálogo entre saberes
Conclusão
Por: Lúcia Helena de Oliveira Cunha e Elson Martins
A UNIFLORESTA objetiva criar um fórum permanente de circulação de saberes, em caráter dialógico, articulando diferentes sistemas cognitivos dos povos da floresta ( índios, seringueiros e ribeirinhos) em conjunção com o conhecimento científico formal, tendo como metas principais o desenvolvimento de programas educativos, culturais, bioeconômicos, pautados na ética da sustentabilidade, que levem a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas.
Metodologia
Para a criação da UNIFLORESTA, torna-se necessário um conjunto de procedimentos metodológicos que envolvam dinâmicas de grupo e encontros sistemáticos com os povos da floresta e com pesquisadores voltados para a realidade amazônica, numa perspectiva socioambiental, considerando os distintos campos do conhecimento em caráter transdisciplinar: observação participante, histórias oral e de vida, resgate de memória, diálogos integeracionais, inventário do conhecimento sitematizado até o momento, poderão ser instrumentos metodológicos relevantes, entre outros, para o desenvolvimento de programas sócio-ecológicos e culturais entre os povos da floresta – os quais deverão se constituir nos verdadeiros sujeitos sociais dessa proposta. Em outros termos, propõe-se que índios, seringueiros, ribeirinhos não somente intercambiem idéias e experiências históricas, mas se constituam em mestres da Universidade com base em seus saberes tradicionais.
Linhas de ação
Propostas preliminares
Um conjunto de iniciativas e programas deverão ser desenvolvidas para a formação da UNIFLORESTA que permitam a formulação de projetos específicos que envolvam tanto a pesquisa técnico-científica, como ações efetivas. Em caráter preliminar propõe-se:
* contatos com as comunidades ( escolas e entidades representativas), nas quais os núcleos da UNIFLORESTA serão implantado, explicitando o caráter da proposta e articulando os principais representantes;
* mapeamento das entidades e atividades desenvolvidas pelas comunidades abrangidas pela UNIFLORESTA, com fins de sistematizar as iniciativas e ações existentes;
* inventário ou mapeamento da produção técnico-científica existente sobre as regiões, nas quais serão construídas a UNIFLORESTA, centrando-se no conhecimento sócio-ambiental acumulado;
* levantamento e pesquisa das alternativas sócio-econômicas e ecológicas existentes na Amazônia ( e a serem investigados), para a implementação de programas destinados à melhoria da qualidade de vida das populações locais;
* instalação da Casa da Cultura, em Taumaturgo-Ac, com exposições do acervo da vida material e imaterial dos povos da floresta; mobilização da comunidade para recolhimento do acervo a ser exposto (artefatos, mapas, fotos, instrumentos artísticos, poesias, desenhos, pinturas e depoimentos) e apresentação de músicas e peças teatrais. Esta Casa de Cultura poderia se intitular “Memorial dos Povos da Floresta”; isto permitiria a criação de uma identidade com o espaço cultural dos povos da floresta (seringueiros, índios e ribeirinhos);
* elaboração do projeto Memória dos Sábios – as artes da floresta. Este projeto poderia embasar a proposta acima, procurando resgatar os saberes eco-produtivos e simbólicos dos índios, seringueiros e ribeirinhos, cujo resultado poderia ser a produção de vídeos, cadernos com depoimentos, desenhos, fotos, livros e exposições. Este material deveria circular nas escolas, entidades comunitárias, sindicais e circuito urbano;
* promoção de encontros interageracionais (entre velhos e jovens) para a transmissão, produção, reprodução e circulação dos saberes ancestrais.
* realização de pequenos encontros interculturais entre representantes de comunidades amazônicas distintas para a troca de idéias e experiências no trabalho de cooperativismo e gestão dos recursos florestais;
* realização de fóruns com a presença de representantes dos povos da floresta, técnicos e pesquisadores com conhecimento e experiência na gestão sustentável dos recursos florestais;
* trabalho de Educação Ambiental nas escolas, sindicatos e associações sobre a importância e o significado da vida na Floresta (construir um mural ou um painel nas comunidades e em Rio Branco com as artes e poemas da floresta).
* Formação de um Tribunal Internacional dos Crimes contra a Floresta .
* Destacar na imprensa escrita, falada e em murais a listagem das iniciativas positivas de preservação ambiental da floresta amazônica (mesmo empresariais).