© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, sábado, 26 de julho de 2003

Obras da BR-317 são reiniciadas

Estrada passa por região com forte apelo econômico e integra Amazônia brasileira aos Andes

A BR-317 foi classificada pelo governador Jorge Viana como “a estrada de hidrovias”, durante a visita às obras de pavimentação de 58 quilômetros na região de acesso à cidade amazonense de Boca do Acre. A afirmação foi feita porque a rodovia integra o Acre ao Pacífico (via Assis Brasil) e ao Purus (via Boca do Acre).

Dos 72 quilômetros existentes até a divisa com o Amazonas, 13 foram asfaltados pelo governo do Acre, com recursos próprios, e em outros oito foi feita a terraplanagem.

A atual movimentação das 40 máquinas e quase 100 homens já é fruto da parceria entre o governador e o presidente da Luiz Inácio Lula da Silva. A obras está avaliada em R$ 37,9 milhões.

Em território amazonense ainda faltam 110 quilômetros de asfalto, que estão sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infra-Estrutura em Transporte.

INTERMODAL - No que diz respeito à logística em transporte, foi uma determinação presidencial que os projetos de desenvolvimento estejam integrados de forma intermodal. “Esse conceito exige uma visão de desenvolvimento ampla”, observou o secretário de Infra-Estrutura, engenheiro Sérgio Nakamura. De acordo com o secretário, chama-se “intermodal” o sistema integrado de vias marítimas, fluviais, ferroviárias e rodoviárias.

A BR-317 enquadra-se nesse perfil e integra uma grande rede de produção do Estado. “Essa estrada é fundamental para nos tirar do isolamento”, assegurou o governador. “Os espertos que estão pensando em ver nessa estrada uma oportunidade para tirar das margens de suas propriedades os pequenos agricultores que produzem e têm grande importância social vão se dar muito mal”, antecipou. “Quem comprar terras em áreas de assentamento vai ter prejuízo porque o governo já está sendo claro e transparente na mensagem: a estrada não vem para que fiquem apenas alguns poucos nela.”

EMPRESA - As obras deverão estar com toda a capacidade operacional a partir do próximo mês, quando estarão em campo aproximadamente 300 homens e mais de 100 máquinas. A empresa TCM Engenharia e Empreendimentos Ltda., sucessora da Tercam, opera com a possibilidade de receber o selo ISO 14000 ainda nesse ano. A certificação evidencia que a empresa trabalha com sistemas que respeitam, em todos os processos, todas as cláusulas ambientais, informou um técnico do Deracre.

Os engenheiros do Deracre afirmaram que até dezembro de 2004 a obra será concluída.

Agricultores e pecuaristas ficam entusiasmados

Representantes do setor pecuarista e dos pequenos agricultores acompanhavam com atenção o discurso do governador. Durante a conversa, o grupo ouviu o que o governo pensa sobre o projeto de desenvolvimento para a região. Todos tiveram oportunidade de falar sobre a importância da estrada e quais os problemas poderiam ser solucionados de forma conjunta.

O presidente da Federação dos Pecuaristas do Acre, Assuero Veronez, corrigiu a frase dita pelo ex-presidente Washington Luís (“governar é construir estradas”). “O Acre tem demonstrado que a construção de estradas é parte de um processo que deve vir acompanhado de preocupações econômicas e, sobretudo, sociais”, destacou.

PRODUÇÃO - O agricultor João Evangelista Ferreira possui uma propriedade de 240 hectares. A pequena produção de café, seringa, guaraná, banana, milho garante uma renda anual de até R$ 30 mil. O trabalho feito por Ferreira mereceu elogios do governador. “A gente faz estradas como essa pensando em gente que trabalha como esse aqui”, disse Viana, batendo nos ombros do tímido agricultor.

“Essa estrada asfaltada é óbvio que é bom, mas para quem tem vontade de trabalhar e um pouco de paciência é difícil ter lugar ruim”, desconversou Ferreira. “Para ser incluído nessa turma que produz, é normal a gente trabalhar além da conta.”

A inclusão produtiva sugerida pelo agricultor faz parte da estratégia do governo do Acre para o desenvolvimento da região, com a pavimentação do trecho que liga a Boca do Acre, uma vez que o outro extremo da rodovia (região de Assis Brasil) já foi concluído o trabalho. Parte da conversa que o governador teve com o ministro dos Transportes, Anderson Adauto, na última viagem a Brasília serviu para pensar a logística no setor de transporte das estradas acreanas.

Ao longo da rodovia, existem várias comunidades de pequenos agricultores. No km 52, a comunidade Liberdade é apontada como modelo de produção agrícola. Uma representante local entregou documento ao governador com uma pauta de reivindicações. Viana prometeu visitar os agricultores.

Depoimentos

“A 317 asfaltada é a vida de Boca do Acre.”
Domingos Munhoz (vice-prefeito de Boca do Acre, PL/AM)

“Essa estrada asfaltada é óbvio que é bom, mas para quem tem vontade de trabalhar e um pouco de paciência é difícil ter lugar ruim.”
João Ferreira (agricultor)

“O Acre tem demonstrado que a construção de estradas é parte de um processo que deve vir acompanhado de preocupações econômicas e, sobretudo, sociais.”
Assuero Veronez (presidente da Federação dos Pecuaristas do Estado do Acre)

“Para nós, uma estrada asfaltada é um melhoramento a mais para se produzir.”
Maria Clemilde de Souza Costa (produtora da “comunidade Baixa Verde”)

“Falta a parte do nosso lado.”
Raimundo Silva (vereador de Boca do Acre, PT/AM)

“No primeiro mandato, nós esperamos o asfalto e ele não veio, mas agora ele chegou e com a obra de um tamanho que ninguém imaginava.”
Edmar da Silva Barbosa (presidente da Associação de Produtores Rurais Nova Esperança)

Números

300 homens trabalhando 24 horas a partir de agosto
100 máquinas de grande porte
R$ 37,9 milhões é o custo da pavimentação e da construção de uma ponte com 30 metros de comprimento
7 metros de pista
3 metros de acostamento

Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Estilo
Especial
Esporte 
Opinião
Política
Via Pública
Principal