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Régi começou cedo Garota iniciou a vida sexual aos 13 anos. Quando tinha 14 engravidou de um vizinho que mora a menos de cem metros da sua casa. Terá o filho aos 15 anos |
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A futura mãe é uma menina arredia e de pouca conversa. Tímida, parou de estudar na quinta série e não pensa em voltar ao banco da escola. Quando descobriu que estava grávida não contou nada para praticamente ninguém. A única pessoa para quem se abriu foi a agente de saúde Rosa Maria Leal, 30, que lhe explicou sobre a importância de tornar a gravidez pública e de fazer o pré-natal. A menina preferiu ignorar o conselho. Tentou esconder sua situação de todas as formas, vestindo roupas mais folgadas. Mas, aos cinco meses, não foi mais possível manter o segredo. A barriga começou a ficar mais saliente. Uma das suas irmãs, Maria Rosane, 16, viu que ela vomitava constantemente e contou tudo à mãe. Era o fim do segredo e o início de uma nova etapa de vida. Ao saber da gravidez, a mãe, que trabalha o dia inteiro como empregada doméstica, não aceitou. Fez várias acusações contra a menina, mas se rendeu aos fatos. Régi não é a única adolescente na família a engravidar precocemente. A irmã Maria Rosane tem história semelhante: iniciou a vida sexual aos 13 anos, aos 15 anos engravidou e hoje embala nos braços uma menina com menos de um mês de nascida que ainda não foi registrada, mas se chamará Karine. Ao contrário de Régi, Rosane chegou a morar com o pai da sua filha, mas resolveu voltar para a casa da mãe porque não se adaptou com os parentes do companheiro. “Até hoje ele não veio atrás de mim nem da nenê. Mas eu também não quero que ele venha”, assegura. Rosane tem consciência da responsabilidade de ter engravidado precocemente. Ela conta que parou de estudar na oitava série e interrompeu um curso de informática que fazia para se qualificar a fim de ingressar no mercado de trabalho. “Depois que engravidei, acabou tudo”, lamenta. As duas meninas fazem parte de um exército de crianças e adolescentes que engravidam nos bairros periféricos. São comumente pessoas que vêm de famílias desestruturadas, que são criadas sem a devida orientação sobre o certo e o errado. Os pais de Rosiane e Régi vieram de Tarauacá há oito anos. Chegando à capital, separaram-se. Alcoólatra, ele casou com a esposa do seu próprio irmão, mas sempre vai à casa da ex-mulher para espancá-la. “Ele tomou a mulher do próprio irmão”, revela, sorrindo, Rosane. Convivendo numa realidade violenta e sem grandes perspectivas, as jovens engravidam cada vez mais cedo até para chamar a atenção dos pais para os seus problemas. Somente entre 2003 e 2005 foram registrados 1.280 partos em adolescentes de 11 a 17 anos na Maternidade Bárbara Heliodora (ver quadro). Essas são gravidez de risco, que requerem uma atenção maior dos médicos especialistas. “Infelizmente, temos visto que os índices aumentam a cada ano”, lamenta a assistente social Adnísia Félix, que trabalha há oito anos com adolescente grávida na Maternidade. Segundo a assistente social, há justificativa plausível para o aumento constante de adolescentes grávidas: as campanhas de orientações feitas pelos órgãos oficiais não estão surtindo o efeito que propõem. Para ela, os profissionais da Maternidade pouco podem fazem em termo de prevenção e de orientação sobre planejamento familiar. “Nossa atividade é o fim. Quando elas chegam aqui, já estão grávidas. Resta-nos cuidar do pré-natal e do parto humanizado. O que vemos aqui assusta em qualquer lugar do mundo”, comenta.
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