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O perigo pode estar dentro de casa

Marcos Vicentti
Honorina (de vermelho) defende políticas públicas para adolescentes


O desemprego, a pobreza, os desajustes familiares, as poucas oportunidades para mudanças sociais e a falta de perspectivas marcam as condições de vida das pessoas que moram na periferia de Rio Branco e podem ser as principais causas para o alto índice de gravidez precoce. Essa é a avaliação de Honorina Simione, que trabalha na Gerência de Gênero e Cidadania da Coordenadoria Municipal da Mulher.

Segundo ela, esses fatores refletem nas pessoas que lutam para melhorar as condições de vida tanto no aspecto de infra-estrutura quanto no de ascensão social.

Honorina Simione avalia que a realidade dos adolescentes e jovens se apresenta pela falta de oportunidades, de condições decentes de moradia, de base familiar, de carinho e afeto. “Também lhes falta tudo que a nossa sociedade proporciona de desejo de consumo e que para eles às vezes se colocam tão distante do acesso e tão perto do desejo.”

Segundo Honorina, essa é uma fase em que os adolescentes vivem no extremo, descambando, muitas vezes, para a trilha do consumo de droga ou da prostituição.

A gravidez precoce, na sua avaliação, é uma das situações que mais se atinge, com reflexo diferente sobre pessoas do sexo masculino e feminino. Isso, diz, pode refletir aspectos de rupturas na suas vidas entre o acesso às condições da realidade almejada e as restrições pelas quais são submetidas entre as faltas tidas e as coisas encontradas.

“Após situações vividas - a gravidez e a nova vida gerada - novos rumos serão buscados, mesmo que isso se revelem em condições em que há escassez de projeto de vida.”

Para ilustrar sua afirmação, Honorina Simione cita o caso de duas crianças de 12 e 13 anos que tinham pai ignorado e foram violentadas pelo padrasto.

Como resultado, a irmã mais velha foi parar numa instituição que cuida de menores, a mãe foi para a penitenciária e a mais nova ficou com a avó. “É por isso que digo que muitas vezes o perigo está dentro de casa”, alerta.

Esse perigo interno muitas vezes também chega de forma errônea por meio de informações da mídia, que entra diariamente nas casas das pessoas trazendo atrativos que nem sempre são possíveis de ser conseguidos pelos mais carentes.

Outro ponto bastante criticado por Honorina Simione é quando afirmam que a iniciação precoce da sexualidade no Acre é cultural. Segundo ela, essa é uma afirmação que não procede porque não se leva em conta que os europeus, quando chegaram ao Brasil, iniciaram esse processo em outros centros.

“Temos que desmistificar esse preconceito que há contra as mulheres acreanas”, defende.

No seu ponto de vista, independentemente da localidade, o sexo tem que ser visto com uma coisa boa, um prêmio para quem se gosta. E, entre os jovens, isso não pode ser diferente. “A adolescência é uma fase de turbilhão. É preciso buscar alternativas para fazê-la saudável.”

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Rio Branco-AC, 22 de outubro de 2006
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