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Criada pela irmã mais velha, menina será mãe em breve

Marcos Vicentti
D. guarda segredo sobre o nome
do pai da criança que tem no ventre


A mãe de D. N. V. morreu quando ela tinha nove anos de idade. O pai ela não chegou a conhecer. Órfã, passou a ser criada por uma irmã mais velha, que na época tinha 18 anos. A irmã também era responsável por mais três irmãos mais novos. Não conseguiu dar a criação que se espera numa sociedade cheia de exigências e de valores.

A casa deixada pela mãe foi vendida pela irmã mais velha. O dinheiro, gasto em futilidades. Restou apenas um terreno no bairro Taquari, onde um dia poderá ser construída uma outra residência para abrigar os familiares.

Hoje, aos 15 anos, D. está grávida de oito meses. Terá o filho em novembro, mas não sabe o sexo nem que nome dará à criança. “Pedi para minha irmã comprar um livro para eu poder escolher como chamarei meu filho”, diz.

Pelas condições em que vive a menina, está claro que a criança não encontrará facilidades quando vier ao mundo. D. mora numa pequena casa de três pequenos cômodos na rua Baguari, no bairro Taquari. A irmã paga R$ 80 de aluguel e nem sempre faz o pagamento em dia por conta das dificuldades financeiras. Ganha apenas um salário mínimo por mês trabalhando num bar.

Como muitas outras crianças e adolescentes que moram na periferia de Rio Branco, a adolescente começou sua vida sexual cedo. Aos 13 anos teve sua primeira experiência. A única orientação que tinha foi obtida na escola, onde estudou apenas até a quinta série. Sua irmã também falava sobre os métodos anticonceptivos. O pouco que sabia não adiantou.

Provavelmente por não ter conhecido seu pai, ela também não revela o nome do pai do filho que carrega na barriga. Diz apenas que é alguém com quem “ficou” e que, em vez de assumir a paternidade, ele preferiu “sumir” ao saber da gravidez.

“Não irei procurá-lo de jeito nenhum para ele me ajudar. Vou guardar seu nome em segredo. Afinal, fui a última da minha família a engravidar”, garante.

A decisão de manter oculto o nome do pai da criança não é compartilhada pela irmã Naiury, 17, que também engravidou quando tinha 16 anos. “Estou de mal com o pai da minha filha, mas ele assumiu a paternidade”, diz Naiury, que é evangélica da Igreja Quadrangular.

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Rio Branco-AC, 22 de outubro de 2006
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