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Pesquisadores têm envolvimento com organizações juvenis |
![]() Suzy se emocionou com histórias que ouviu durante a pesquisa |
Cada um dos jovens selecionados tem sua própria história singular. São pessoas como Leda Cavalcante, 30, que coordenou a pesquisa na regional dos bairros Montanhês, Defesa Civil e Jorge Lavocat. Aos 14 anos, Leda engravidou. A família dela veio de Tarauacá para morar no bairro periférico da capital. Antes de engravidar, ela estudava e cuidava dos irmãos mais novos. Teve que mudar a rota da sua vida. O namorado até tentou assumir e casar. Ela não quis. “Engravidei, mas não era encantada por ele. Sou solteira até hoje.” Leda é estudante de Serviço Social porque, segundo ela, o curso lhe dará o suporte para continuar trabalhando com as pessoas excluídas da sociedade. Como a maioria das adolescentes que engravidam precocemente, Leda rejeitou a criança no primeiro momento. Ela não sabia por que aquilo tinha acontecido - afinal, segundo relata, a relação sexual com o namorado não foi consumada. Não houve penetração. As coisas começaram a ficar mais bem esclarecidas para Leda quando, aos 15 anos, ingressou no teatro. Trabalhando no Teatro Barracão, sob o comando de José Marques de Souza, o Matias, passou a ver o mundo com novas cores e possibilidades. “Ele me ocupava muito.” Hoje, Leda sente orgulho da filha Adriana, 17, que cursa Letras/Português e foi aprovada no vestibular de Engenharia Florestal. “O grande problema é que falta um projeto de vida para muitas dessas meninas. Graças a Deus, eu tive.” Como teve forças para encontrar seu o caminho e abrir possibilidades para a filha, Leda se emociona ao falar das respostas que as meninas deram sobre o que esperam no futuro: “Simplesmente dizem que querem ser alguém, como se não fossem nada.” Ao contrário de Leda, a acadêmica de Biologia Deugiane de Souza, 24, nunca engravidou. Foi noiva dos 15 aos 21 anos, não casou porque, entre outras coisas, o noivo não queria que ela trabalhasse nem estudasse à noite. Ele também queria ter filhos. Ela não. Agora, Deugiane está noiva novamente e se prepara para casar em dezembro. Coordenadora da pesquisa na regional da Sobral e da Baixada do Sol, da noite para o dia ela viu sua casa transformada em ponto de referência para adolescentes pegarem preservativo. Segundo Deugiane, uma das coisas que lhe chamou muito a atenção foi o apelo dos jovens por apoio para sair do mundo das drogas. “É uma tristeza”, diz. Outro detalhe que despertou a curiosidade da coordenadora foram as diversas “cantadas” que os meninos pesquisadores levavam da meninas tão-logo terminavam a entrevistas. Muitas, segundo ela, pediam ou passavam os seus números de telefones para os rapazes. “As abordagens eram constantes, mas eles não se deixaram envolver. Na verdade, os meninos ficavam tristes pela falta de condições das famílias. Muitas casas não tinham nem água”, destaca. Deugiane revela que as mães procuravam interferir nas entrevistas, querendo responder pelas adolescentes, que não gostavam de intervenção e quase sempre discutiam. Outras meninas afirmavam que eram virgens, mas se contradiziam ao afirmar que usavam preservativos na hora de manter relação. “Nossa, como tem virgem na Baixada! Mas, a verdade é que falta muita informação. Houve meninas que achavam que tuberculose e gripe são doenças sexualmente transmissíveis. Já os meninos quase sempre culpam as meninas pela gravidez. Isso acaba gerando muita violência”, analisa. Durante a realização da pesquisa, Suzy de Melo, 20, engravidou. Será o seu segundo filho. Segundo ela, o trabalho serviu para que percebesse a realidade que está ao seu redor. “Vi meninas de 11 a 12 anos dizendo que usavam camisinha, mas não tomavam anticoncepcional. Outras afirmavam que não faziam o uso do preservativo porque incomoda”, relata. Enquanto realizava o trabalho, Suzy via um pouco do filme da sua vida passar. Ela começou a vida sexual aos 13 anos, mas engravidou a primeira vez somente aos 18. Isso porque trocou a marca do anticoncepcional antes de acabar a cartela. “Nessa segunda vez, a camisinha furou.” Como todos os pesquisadores, Suzy se deparou com situações tristes. Uma delas foi quando uma senhora se aproximou e perguntou se eles estavam cadastrando pessoas para receber bolsas de assistências do governo, porque tinha uma filha de 12 anos que estava sendo abusada pelo padrasto. “Também fiquei triste quando vi uma mãe de 15 anos, que era usuária de droga, bater no seu filho”, relata chorando como se as pancadas fossem nela. Outro que tem uma história triste para relatar é Márcio Silva, 25: “Quando a gente vinha saindo do bairro Dom Moacir encontramos uma menina. Ela era novinha. Tinha quatro filhos e estava chorando porque tinha acabado de perder o quinto”. |
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