MATERIA ESPECIAL
   MEIO AMBIENTE

ZEE pôs ordem no desenvolvimento do Estado

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RECURSOS AMBIENTAIS SÃO
MELHOR APROVEITADOS COM ZEE


Depois de 15 anos de idas e vindas sem que se conseguisse completar o Zoneamento Ecológico e Econômico do Acre (ZEE), a decisão política e um esforço multidisciplinar de profissionais acreanos e de fora do Estado comprometidos com o meio ambiente concluiu em um ano e meio um trabalho que já serve de referência a outros Estados brasileiros.

“A participação de todos os segmentos da sociedade nos permitiu realizar um trabalho com mais rapidez e que expressa melhor a vontade do povo acreano que optou pelo desenvolvimento econômico, social, ambiental e cultural sustentável de nosso Estado”, declarou o presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre, Edegard de Deus.

Além de considerar a situação ambiental e de solos, o ZEE acreano também produziu, além do mapa de aptidão agrícola, o primeiro mapa de aptidão agroflorestal do Brasil e ainda um mapa de conflitos agrários que permite uma análise mais detalhada sobre a função social da terra. A partir do ZEE criaram-se as bases para o planejamento e execução de projetos tanto de políticas públicas quanto privadas de desenvolvimento com o objetivo de alcançar melhores resultados com menor prejuízo para o meio ambiente.

O ZEE estimulou a criação de áreas de conservação ambiental de uso sustentável como o caso das florestas públicas estaduais do Mogno, Liberdade e Gregório, que se somaram à do Antimary, já existente. Surgiram também as reservas extrativistas do Cazumbá/Iracema, Riozinho do Liberdade e de proteção ambiental integral do Parque do Chandless.

Regularizaram-se a exploração turística de atrativos ambientais, o manejo múltiplo de florestas, como também a regularização fundiária de posseiros que ocupam terras há mais de cinco anos, o que vem atender as necessidades sociais dos pequenos produtores, que assim podem requerer autorizações de desmate e crédito para desenvolver suas atividades.


ELENIRA QUER DAR CONTINUIDADE AOS SONHOS DO PAI

Filha vai resgatar ideais de Chico Mendes

Presidente da Fundação Chico Mendes, Elenira Mendes, filha que o ecologista deixou ainda criança quando foi assassinado no dia 22 de dezembro de 1988, tem hoje como missão de vida restaurar seus sonhos e ideais para fazer com que as pessoas do Acre e da Amazônia saibam mais sobre ele.

Ela lamenta que filmes hollywoodianos como “Amazônia em Chamas”, feito com o propósito de documentar a luta do ecologista, tenham deturpado seus ideais e até seu caráter. “Para começar, o filme nem foi filmado na Amazônia. Além disso, coloca meu pai muito distante do que ele pensava. Mostra um homem rude e agressivo, quando ele era um homem educado e que apresentava suas propostas com calma e paciência. Não gostei. Por isso estou reunindo materiais como fotos, fitas e depoimentos de pessoas para fazermos um filme que resgate sua imagem”, declarou.

O filme idealizado por Elenira e seu irmão Sandino tem como objetivo primeiro o de apresenta-lo aos pró-prios acreanos. “Muita gente, até lá em Xapuri, não sabe quem foi Chico Mendes. Precisamos zelar pela imagem do Chico e dar continuidade à sua luta. Eu quero que as pessoas se lembrem dele como o herói que lutou pelo Acre e morreu defendendo uma vida melhor para todos nós.”

Biopirataria - Uma ameaça às nossas riquezas

“O cupuaçu é nosso!”. Este slogan marcou a primeira campanha de defesa de um produto acreano patenteado pela empresa japonesa Assahi Food como se fosse invenção dela. A luta contra a biopirataria foi liderada por Michael Schmidlehner, da ong Amazonlink, que, com o apoio de outras entidades, entrou na Justiça e conseguiu quebrar a patente do cupuaçu provando que ele é um produto da natureza.

Biopiratas estrangeiros já patentaram como criação sua não apenas o cupuaçu, mas também o açaí, a andiroba, o curare, o cunani, a copaíba, a espinheira-santa, o jaborandi, o jambu, o kambô (vacina do sapo), o tipi, o sangue-de-dragão, a unha-de-gato e o nó-de-cachorro, todos com propriedades medicinais e outras qualidades de interesse comercial.

“Nós não conseguimos saber quantas plantas, animais ou microorganismos da Amazônia foram biopirateados, até porque eles podem extrair deles o princípio ativo que os interessa e a partir daí sintetizá-lo em laboratório sem precisar mais daquele organismo”, explica Michael, acrescentando que um dos principais empecílios ao combate aos biopiratas é o fato de que a maioria deles registra suas patentes nos Estados Unidos, país que não ratifica o protocolo da Eco 92 e por isso não reconhece a propriedade dos povos e comunidades sobre os produtos tradicionais ou que não sejam descobertos em suas terras.

Preocupada com essa situação, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, preparou um projeto de lei que resguarda os direitos das comunidades de participar dos lucros que venham a ser obtidos a partir de produtos que façam parte de sua cultura tradicional. Infelizmente, a lei ainda não foi aprovada, alguns ministérios vêm combatendo o projeto e defendendo o interesse de as empresas privadas explorarem livremente esses produtos sem oferecer nada em troca às comunidades que os descobriram e preservaram.

 
 
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Rio Branco-AC, 5 de junho de 2005
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