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| MEIO AMBIENTE | |
| Construindo uma nova civilização na Amazônia |
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De volta à sua república de estudantes, em Campo Grande (MS), ganhou o livro “Rios e Barrancos do Acre”, escrito pelo então senador Mário Maia. “Aquela situação me indignou e achei que tinha de fazer alguma coisa e quando apareceu a oportunidade de um emprego para trabalhar na construção do conjunto Tucumã vim para o Acre. Descobri que o projeto das casas era uma tragédia, tentei mudar, mas não deu. Formamos um grupo de amigos que discutia a necessidade de usar a matéria-prima e uma tecnologia regional para melhorar as condições de vida das pessoas.” Essa proposta foi se desenvolvendo até receber o apoio do engenheiro César Helmaister, especialista em madeira da Universidade de São Paulo (USP), que apoiou a criação do primeiro Centro de Especialização e Estrutura em Madeira do Brasil, onde Gilberto foi fazer um curso de aperfeiçoamento. “Durante o curso elaboramos o projeto de criação de um laboratório de materiais de construção para o Acre e conseguimos aprová-lo pelo CNPQ. Quando os equipamentos chegaram não tínhamos onde colocá-los e guardamos num quartinho da garagem da Secretaria de Transportes. Ali nasceu o Centro de Materiais e Tecnologias de Construção (Cematec), que depois de virar Latemac daria origem à nossa Fundação de Tecnologia, a Funtac”, recorda Gilberto. Logo que começaram a debater o uso da maior riqueza do Acre, as espécies madeireiras locais, os técnicos se depararam com a situação social em que viviam seringueiros e posseiros. Aconteceu então a união do conhecimento técnico com o movimento popular que já tinha à frente figuras como Chico Mendes, Toinho Alves e José Fernandes do Rego. Com dinheiro do CNPQ e Finep, foi montada a infra-estrutura de pesquisa, mas faltava pessoal. Foi então que o engenheiro florestal Jorge Viana uniu-se ao grupo, e logo em seguida o engenheiro civil Sérgio Nakamura. Nessa época, seis espécies de madeira tinham valor comercial no Acre: cedro, cerejeira, mogno, castanheira, angelim e cumaru-ferro. Ao entrar em contato com o Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa), em Manaus, Gilberto fez amizade com Manoel Sobral Filho, que logo em seguida seria convidado para ser um dos diretores do Instituto Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO), entidade que aprovou a liberação de US$ 1 milhão para criar a Floresta Estadual do Antimary e elaborar seu plano de manejo. A equipe mudou o conceito de manejo da ITTO, que só levava em consideração os aspectos econômico-ambientais para incluir nele os elementos sócio-culturais para atender às necessidades e interesses dos povos da floresta. “Chorei no dia em que o Macedo apresentou um relatório manuscrito sobre a situação de escravidão e da exploração econômica em que viviam os seringueiros do Juruá. Fizemos um projeto R$ 2 milhões, que foi aprovado pelo BNDES para aviar os seringueiros com tudo de que precisassem. Os comerciantes de Cruzeiro do Sul se sentiram ameaçados e o juiz embargou a saída dos batelões. Os seringueiros peitaram a Justiça e partiram rio acima. O vice-governador Cadaxo reconheceu que a luta era justa e colocou soldados da PM para garantir a entrega dos aviamentos”, lembra. Com uma história cheia de histórias que deram origem a tudo o que o Acre é hoje, Gilberto declara: “Muitos heróis anônimos se arriscaram e até deram suas vidas para que os povos da floresta conquistassem sua liberdade. Lembro-me da Adir, então minha companheira, do Chico Mendes, do Chico Ginu, do Toinho Alves e de um seringueiro chamado Nono, gente anônima que deu sua contribuição e até a vida para construir esse processo do qual estamos à frente.” E enfatizou: “Se o povo do Acre continuar de cabeça erguida, com orgulho de ser o que é, estaremos construindo uma nova civilização na Amazônia. Uma civilização capaz de influenciar positivamente a vida de 30 milhões de pessoas que vivem num raio de 700 quilômetros à nossa volta. Algo maior que São Paulo”. O segredo da sustentabilidade defendido pela Florestania foi criado por Chico Mendes, cuja proposta de criar as Reservas Extrativistas como forma de garantir o meio de produção dos seringueiros uniu a preservação ambiental ao interesse econômico. “Nós somamos à economia e ao meio ambiente os elementos da ética, cultura, o conhecimento tradicional e a distribuição de renda que dão sustentabilidade à Florestania.” |
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