Criado em Brasiléia, desde criança o advogado e conselheiro
do Tribunal de Contas, Valmir Ribeiro, habituou-se a ouvir histórias
dos mais velhos contando que ali na praia tal recolhiam ovos e viravam
tracajás ou tartarugas que agora só existiam muito longe
dali.
“O processo de extinção das nossas
tartarugas, tracajás e demais quelônios começou
há muito tempo porque a natureza não consegue repor os
animais no mesmo ritmo em que são explorados pelas pessoas. Foi
por isso que, há dez anos, quando o Ibama autorizou a criação
de tartarugas para fins de repovoamento de nossos rios, fui um dos primeiros
a encarar o desafio de reproduzi-los em cativeiro. Só anos depois
é que foi autorizada a comercialização dos animais”,
explica Valmir, proprietário da Estância Terra, afirmando
ainda que, além dele, existem outros quatro criadores no Vale
do Acre e apenas 150 em todo o país.
A partir dos 50 mil filhotes repassados pelo Ibama,
Valmir teve sucesso na sua reprodução e hoje tem mais
de cem mil tartarugas e tracajás - juntos, os cinco criadores
teriam mais de 200 mil animais. São animais que engordam apenas
dois gramas por dia e já podem ser comercializados com três
anos quando atingem o peso médio de 1,5 quilo a R$ 20 o quilo
do animal vivo ou R$ 60 a carne limpa.
Comparando com o gado, em um hectare, consegue-se a
média de 34 arrobas (510 quilos) com pouco mais de dois animais.
Nessa mesma área cabem 30 mil tartarugas e tracajás que
produzem quatro mil arrobas (60 mil quilos).
“A lucratividade dos tracajás e tartarugas
é de pelo menos 1.000% quando comparada com o gado. Posso afirmar
isso porque crio os dois. Nesse momento estamos negociando a instalação
de um abatedouro para que sua carne possa sair do Acre devidamente certificada
para os mercados do Brasil e do mundo”, diz. Embora com lucro,
Valmir não perdeu de vista seu objetivo inicial de ajudar a repovoar
o rio Acre, mas aguarda lei específica que permita isso.

Q UILO DA CASTANHA SALTOU DE 1,8 PARA 7 DÓLARES
Preço da castanha certificada
triplicou
Há cinco anos, quando foi iniciado o processo
de certificação da castanha produzida pelos seringueiros
filiados à Cooperativa dos Agricultores e Extrativistas de Brasiléia
e Epitaciolândia, ela não alcançava mais que US$
1,80 por quilo no mercado internacional.
Hoje, toda a produção certificada foi
vendida para a Itália a US$ 7 o quilo, valor que equivale a mais
de R$ 16. “Vendemos toda a produção das 30 famílias
certificadas e se as 100 que estão sendo certificadas neste ano
já estivessem produzindo também teríamos vendido
tudo, tanto que estamos fechando com a Oxfan a venda da safra da ano
que vem para suas lojas na Espanha, Alemanha e Inglaterra”, explica
Sérgio Alécio, presidente da Capeb.
Duas fábricas foram construídas pelo governo
do Estado com recursos da Suframa em Brasiléia e Xapuri. A de
Brasiléia está em fase de testes e deverá entrar
em funcionamento ainda este mês para produzir 120 toneladas de
castanha descascadas e gerar 50 empregos diretos até o fim do
ano.
“Além da vantagem financeira, o processo
de certificação conscientizou nossos seringueiros sobre
os cuidados que precisam ter com a castanha por tratar-se de um alimento
nobre. Isso se refletiu até na linha de produção
da fábrica, pois conseguimos aprontar cem caixas de castanha
certificada por dia e gastamos dois dias para produzir a mesma quantidade
com a castanha não-certificada”, afirma Alécio.
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PISCICULTURA É A MAIS NOVA OPÇÃO DE RENDA PARA
PEQUENO PRODUTOR
Piscicultura produz renda para pequenos
produtores
A piscicultura está se consolidando como atividade
com maior potencial gerador de renda para as pequenas propriedades rurais
acreanas. Exemplo disso está na comunidade do Panorama, onde
apenas dez famílias de pequenos produtores com propriedades que
variam de três a seis hectares produziram mais de 200 toneladas
de peixe em pouco mais de um ano.
Um exemplo prático disso é o produtor
Paulo Maia, proprietário da Colônia Três Irmãos,
que com apenas seis hectares, dois deles transformados em açude,
sempre criou peixes por conta própria. “Desde o início
do ano passado a coisa mudou porque nós começamos a receber
assistência e orientação dos técnicos da
Seater e Sebrae, assim eu consegui tirar 30 toneladas de peixe em apenas
dez meses na mesma área que antes tirava três em dois ou
três anos e ainda achava que estava ganhando dinheiro”,
lembra.
Tambaquis e tilápias vendidos a R$ 4 o quilo
fizeram com que o produtor faturasse cerca de R$ 120 mil brutos.
O projeto é realizado numa parceria de oito instituições,
que têm o Sebrae como executor em parceria com a Seater, Secretaria
de Pesca da Presidência da República (Seap), Anac, Fundação
Banco do Brasil e Senar, além das prefeituras de Rio Branco e
Bujari.
Dez famílias investem em piscicultura no Panorama
e o sucesso leva outros a imitarem a atividade. Apoiados pela Fundação
Banco do Brasil mais que doou 42 açudes para 26 famílias
de pequenos produtores do Bujari onde pelo menos cem estão peixando
seus açudes e juntos vão produzir pelo menos 500 toneladas
de pescado ainda neste ano.
Por isso, a preocupação do momento é
com a montagem de uma estrutura de beneficiamento que incluiria uma
fábrica para preparar filés de peixe e um frigorífico
para que a carne seja estocada ou preparada para a exportação.
Iniciativas semelhantes vêm alcançando
sucesso em cidades como Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Feijó,
no Vale do Juruá. Através da Secretaria de Apoio à
Produção Familiar, em parceria com o Incra, construiu-se
mais de 400 açudes para pequenos produtores ao longo do ano passado.
Prova de que a atividade tem futuro são investidores
privados como Gilvan Rezende, da Norte Pesca, que se dedica à
venda de alevinos, como também a Boutique do Peixe, que entre
outras variedades vem exportando matrizes de pirarucu para outras regiões
do país. |