Transformar uma única célula de banana em pelo menos 1.200
mudas no período de apenas um ano é o milagre da multiplicação
das plantas tornado realidade pela equipe do engenheiro agrônomo
Jonny Everson, que, como pesquisador, chefia a Biofábrica Embrapa
no Acre. No ambiente natural, uma touceira de bananeira adulta seria
possível tirar apenas oito ou dez mudas em um ano.
Reproduzir com rapidez e segurança espécies
vegetais para a reposição florestal ou para melhorar a
agricultura é a missão desse laboratório instalado
no final de 2003.
Apesar do curto espaço de tempo, ele está
alcançando resultados concretos na produção das
primeiras mudas de banana-prata das variedades “maravilha”,
“preciosa” e “thap mail” resistentes ao mal
da sigatoka negra, que está matando os bananais acreanos. O projeto
prevê a distribuição de dez mil mudas dessas variedades
a pequenos produtores no fim deste ano.
Também estão sendo reproduzidas mudas
de abacaxis das variedades Rio Branco, Quinari e Senador Guiomard, as
mais bem adaptas ao solo e clima como também ao gosto dos consumidores
acreanos. A sacaca, tradicional remédio para o fígado,
está sendo reproduzida por causa de seu potencial para produzir
o linalol, óleo essencial que tem qualidades de grande interesse
para as indústrias medicinal, de cosméticos e perfumaria.
A partir de material genético vindo de Manaus,
foi iniciada neste ano a reprodução das mudas de dendê
busca selecionar as variedades mais produtivas para a fabricação
do biodiesel. Nada menos que 100 variedades de pupunha também
estão sendo estudadas no pequeno laboratório onde estão
sendo cultivadas mais de quatro mil mudas de várias espécies.
Na área da preservação florestal
vem sendo muito positiva a reprodução de algumas espécies
de orquídeas. E já está sendo montado em Acrelândia
o viveiro no qual deverão ser cultivados os clones de espécies
madeireiras e não-madeireiras de interesse comercial extraídas
da floresta. “Há espécies florestais que nem sabemos
direito como se reproduzem, a clonagem nos permite fazer isso sem complicações
e com muita rapidez”, garante Everson.
Amendoim na pecuária acreana
é sucesso mundial
No início dos anos 70, quando a pecuária
estava se iniciando no Acre, eram necessários dois hectares de
pasto para alimentar um boi e engordá-lo num período de
quatro anos. Nessa época, a pastagem se degradava num período
de quatro a cinco anos, exigindo mais e mais desmates para sua renovação
por causa do empobrecimento do solo.
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Judson: “Antes de tudo, fazendeiro tem de
ser bom produtor de pasto
A seleção de capins e forrageiras, melhoria
genética do rebanho e novas tecnologias de manejo permitem que
hoje sejam mantidos num hectare até seis animais que ganham peso
de abate com apenas dois anos. “Além da maior quantidade
de cabeças e do maior ganho de peso nos animais de corte, as
novilhas, que antes começavam a se reproduzir com 36 a 40 meses
de idade, agora emprenham com 24. Outra vantagem é a de que com
as novas técnicas há pastagens sendo usadas, há
15 anos, sem sofrer qualquer problema de degradação”,
garante o engenheiro agrônomo Judson Valentim, doutor em Ecofisiologia
de Pastagens pela Universidade da Flórida e que trabalha como
pesquisador da Embrapa do Acre.
Esse sucesso é o resultado do trabalho da equipe
da Embrapa, que a partir de 1979 começou a pesquisar dezenas
de novas espécies de capim e mil espécies de leguminosas
(plantas da família do feijão), que além de melhorar
a oferta de proteína na alimentação do gado ainda
retira do ar e incorpora no solo o nitrogênio que aduba as pastagens,
evitando sua degradação.
Foram aprovadas 15 espécies de leguminosas, com
maior destaque para a puerária e o amendoim forrageiro. Além
de alimentar o gado, os 550 mil hectares de puerária, que equivalem
a 40% de todas as pastagens acreanas, permitem aos fazendeiros economizar
R$ 90 milhões que teriam de ser comprados a cada ano para repor
o nitrogênio perdido pelo solo. Já os 80 mil hectares de
amendoim forrageiro equivalem a 7% das pastagens acreanas e causam uma
economia de R$ 10 milhões só em nitrogênio.
Embora sua área plantada ainda seja menor que
a da puerária, o amendoim forrageiro desbanca até a alfafa,
tida como a rainha das forrageiras nos países de clima temperado,
onde este já começa a ser plantado, a exemplo do que está
acontecendo nas pastagens tropicais do Brasil, Austrália e até
na Europa. Os resultados de sucesso conseguidos no Acre surpreenderam
os pesquisadores de todo o mundo, por isso estarão sendo apresentados
durante o Congresso Internacional de Pastagens, que estará acontecendo
de 25 de junho a 1º de julho em Dublin, na Irlanda.
O Acre tem hoje 2,1 milhão de cabeças
de gado. Se precisasse de dois hectares para alimentar cada animal,
como acontecia nos ano 70, precisaria ter agora 4,2 milhões de
hectares de floresta transformados em pastagens, mas o aprimoramento
das raças animais, do manejo, a seleção de capins
e leguminosas mais produtivas permitem alimentar esses animais em apenas
1,5 milhão de hectares. “Com isso evitamos o desmatamento
de nada menos que 2,7 milhões de hectares”, destaca Judson.
O grande desafio nesse momento é levar toda essa
tecnologia para os pequenos criadores, isso porque, dos 22 mil criadores
de gado existentes no Acre, só 550 têm mais de 500 animais,
enquanto cerca de 1.500 têm entre 100 e 500. Restam então
20 mil deles com até cem animais, ou seja, são eles que
estão criando metade de todo o rebanho e é a eles que
precisam chegar técnicas mais avançadas para que otimizem
o aproveitamento de suas pastagens, melhorando sua renda e evitando
novos desmatamentos. |