O Parque Nacional da Serra do Divisor é considerado um dos locais
com maior biodiversidade no mundo. Em nenhum outro lugar se concentram
tantas variedades de palmeiras e de macacos. Há ainda cachoeiras,
jazidas minerais e até fontes de água quente, criando
um ambiente paradisíaco na região do Alto Juruá.
A SOS Amazônia foi a Ong que participou, em 1988,
da elaboração das diretrizes gerais para o manejo da área
e em 2002 concluiu o Plano de Uso Público que orienta a exploração
turística do parque. Foram mapeados todos os pontos com potencial
para exploração turística nos cinco municípios
do Juruá englobados pelo parque. Agora deverão ser lançados
os roteiros de ecoturismo para que as agências comecem a enviar
para lá pessoas interessadas em conhecer as riquezas naturais,
que são muitas.
Para isso, o Serviço de Apoio à Micro
e Pequena Empresa (Sebrae-Ac), em parceria com o governo do Estado através
da Secretaria de Turismo, executa projeto do Ministério do Turismo
para implementar as rotas turísticas dos vales do Acre e Juruá
que irão gerar emprego e renda para toda a região, preservando
o meio ambiente.
Água: um problema do futuro
hoje
No início dos anos 90, quando José Antônio
Scarcello, o “Batatinha”, anunciava a morte do rio Acre
no doutorado que fazia pela Universidade Federal Fluminense, poucos
eram o sinais que hoje se tornam claros como no caso da diminuição
do volume de água, que além de comprometer a navegação
dos ribeirinhos ameaça deixar a população de Rio
Branco e demais cidades que dele dependem sem água nas torneiras.
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Meteorologista alerta para o agravamento do problema
“A situação do rio Acre é
crítica. Nesse momento mesmo, o prefeito Angelim já autorizou
a instalação de um sistema de apoio para fazer com que
a água chegue até as torres de captação
para ser bombeada e tratada a im de abastecer a cidade. Essa situação
já era prevista há pelo menos dez anos e nada foi feito
para contê-la, mas ainda dá tempo”, adverte o meteorologista
Claudemir Mesquita, lembrando que, além da mudança no
regime das chuvas, a derrubada da mata que protegia as nascentes, margens
de rios e igarapés é o principal motivo do desaparecimento
da água.
Segundo ele, a criação do Condiac, consórcio
que representa os municípios de Brasiléia, Epitaciolândia,
Assis Brasil e Capixaba numa negociação pela não-poluição
e uso equilibrado dos recursos da bacia do rio Acre pelas cidades integrantes
da Região MAP (Madre de Dios, Acre e Pando) no Peru, Acre e Bolívia.
“Eu vi o rio morrendo!”
Aldo Rodrigues Monteiro, 51 anos, pai de oito filhos,
mora às margens do rio Acre, junto ao porto do antigo Seringal
Benfica há 32 anos e é uma testemunha viva do processo
de morte do rio que dá nome ao Estado.
“Quando cheguei aqui, barcos com capacidade para
carregar 12 toneladas e até um pouco mais circulavam de inverno
a verão atendendo os seringais até Xapuri e os menores
iam bem a Brasiléia. A gente escolhia o peixe que queria comer.
Era surubim, filhote, dourado à vontade”, recorda ele,
para então relatar que, principalmente nesses últimos
dez anos, a situação piorou bastante. “Mal chegou
o verão e a partir daqui já não conseguem subir
batelões que carreguem mais de 1.500 quilos. Peixe bom aqui é
uma novidade, só restou piranambu. Nosso rio está mesmo
vazio de água e de peixe.” |