MATERIA ESPECIAL
   MEIO AMBIENTE

Manejo comunitário faz venda milionária

Regiclay Saady
Pequenos produtores do Nabor
Jjúnior fazem manejo em área
de preservação permanente


Representantes de onze comunidades de pequenos produtores manejadores acabam de fechar contrato de R$ 1 milhão com empresas de São Paulo para que forneçam mil metros cúbicos de madeira certificada somente neste verão.

O metro cúbico da madeira está sendo negociado na média de R$ 1,1 mil e a expectativa é de que cada uma das 174 famílias que fazem parte do projeto fature, em média, R$ 10 mil este ano. A expectativa é de que juntas produzam pelo menos 2.500 metros cúbicos de madeira ainda em 2005.

Quatro das onze comunidades já estão com sua madeira certificada e outras três serão certificadas até julho. Mais 350 famílias de pequenos produtores também começarão a manejar as áreas de proteção permanente de suas propriedades já neste verão. O BNDES estará liberando recursos para financiar a compra de equipamentos florestais para 400 famílias manejadoras e para a instalação de uma indústria de soalho para exportação que vai beneficiar 20 mil metros cúbicos de madeira e faturar US$ 9 milhões por ano.

Os doze galpões construídos no Pólo Moveleiro do Distrito Industrial para onde estão sendo transferidas marcenarias que ainda funcionam em áreas habitacionais da Capital, vai gerar pelo menos 250 empregos. Outras empresas madeireiras estão se instalando no Distrito Industrial da BR-364, apenas uma delas, a Triunfo vai gerar mais de 350 empregos diretos trabalhando com áreas de floresta manejada. Ambos os projetos orientados numa parceria entre o Sebrae, Basa e Secretaria de Florestas.

“Ainda nesta semana estará sendo liberada a ordem de serviço para a instalação do viveiro florestal que terá capacidade para produzir quatro milhões de mudas para reflorestamento e enriquecimento de florestas”, informa o Secretário Estadual de Florestas Carlos Ovídio Rezende.

Ele anuncia a aprovação do primeiro plano comunitário de manejo múltiplo para produtos madeireiros e não-madeireiros na Floresta do Lagoinha, no Vale do Juruá, onde vivem mais de 80 famílias. Ainda neste ano, também no Juruá, estará sendo implementado o curso de engenharia florestal na Universidade da Floresta, numa parceria entre o governo do Estado através da Sef, Ufac, WWF e Fundação Moore.

“Estaremos inaugurando com 30 engenheiros o primeiro curso de residência florestal do Brasil. Estamos criando a plataforma técnica, financeira, política e de infra-estrutura necessárias para que o setor florestal acreano conquiste mercados dentro e fora do país, valorizando nossa matéria-prima ao mesmo tempo em que gera emprego, ocupação e renda para nossa população”, disse.

Manejo cria empregos e garante sobrevivência de madeireiras

Em 15 dias, a Fazenda São Jorge será a primeira área privada a ter sua floresta certificada no Acre. Ela pertence a Fátima Oliveira, proprietária da Indústria e Comércio Nova Canaã e Brasil Verde ambas trabalhando com madeira manejada.

Regiclay Saady
Tecnologia garante secagem de madeira no pólo

“Temos uma área de 7.800 hectares localizada no quilômetro 90 da estrada para Sena Madureira, ali instalamos nosso Centro de pró-manejo onde as pessoas aprendem as técnicas utilizadas para identificar cada árvore pela espécie e localiza-la por satélite a fim de facilitar a exploração de todas as que tiverem mais de 50 centímetros de diâmetro, quando forem necessárias”. Explica Fátima esclarecendo que trabalham ainda com outras duas áreas de preservação permanente pertencentes a fazendeiros.

Presidente da Associação das Indústrias de Madeira Manejada (Asimmanejo) que tem como lema Manejar é Conservar, ela confessa: “A maioria dos madeireiros não virou ambientalista, mas compreendeu que o manejo é a única maneira de garantir a sustentabilidade de nosso negócio. Por isso deixamos de ser predadores para usar os recursos com inteligência a fim de preserva-los”.

O manejo criou empregos tanto para engenheiros florestais e biólogos como também exigiu a requalificação de mateiros e tratoristas que além de aprender técnicas que causem menos danos à floresta na hora da derrubada, também precisam saber ler mapas e localizar árvores utilizando referência de satélite.

“O mercado para madeira não manejada é cada vez menor, oito em cada dez clientes que nos fazem encomendas já exigem madeira manejada. Acreditamos que dentro de dois ou três anos todos exigirão isso e quem não tiver se adaptado às novas regras não vai sobreviver”.

 
 
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Rio Branco-AC, 5 de junho de 2005
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