Convites, cerimônia religiosa, buffet, decoração, música, lista de presentes, vestido, terno, buquê, véu, grinalda, padrinhos, pajem, daminha, convidados, lua-de-mel. Essas são apenas algumas das preocupações de um casal que decide subir o altar para consolidar a união.

Essa decisão, por sinal, tem sido tomada por muitos casais jovens nos últimos anos. Seria o fim da moda dos “ficas”, curtição e vida sem regras dando lugar ao compromisso sério e à construção da família?

Para a psicóloga Renata Dourado, especialista em terapia para casais, a resposta é sim. No entanto, ela acredita que a mudança de comportamento dos casais está, em muitos casos, associada à massificação da mídia. Os casamentos de artistas, o glamour das festas e até a beleza de um vestido de noiva têm feito com que a decisão seja tomada de modo até precipitado. “O que a mídia mostra reforça o inconsciente coletivo”, destaca.

Por outro lado, em todas as épocas sempre houve um interesse grande das mulheres pelo casamento. A “moda dos casamentos” cai como incentivo para que o sonho se concretize. Segundo a psicóloga, tal interesse está ligado à maternidade.

“A gente sabe que existe um período para a mulher se tornar mãe, que a maternidade não pode acontecer muito tarde. Então elas buscam um companheiro cedo, visando um casamento e futuramente os filhos.”
A mais recente pesquisa do IBGE, datada de 2006, diz que quase 890 mil casamentos foram realizados naquele ano no Brasil. O dado mostra que os casamentos realizados no país prosseguem em trajetória de expansão, já que foi 6,5% maior do que o apurado no ano anterior. A tendência de crescimento vem sendo registrada desde 2002.

O documento de divulgação da pesquisa faz uma análise a respeito dos freqüentes casamentos: eles estão relacionados à legalização de uniões consensuais. Além disso, os pesquisadores atribuem a expansão também à realização de casamentos coletivos, que têm o atrativo da redução de custos.

De acordo com os técnicos da pesquisa, a questão dos custos é responsável também pela realização do maior número de casamentos em dezembro, quando o pagamento de 13º salário e outros benefícios aumentam a disponibilidade financeira. Desse modo, o conhecido “mês das noivas” deixou de ser maio para ser dezembro.

Segundo o IBGE, os casamentos também ficaram mais duradouros. Eles duravam em média 11,5 anos em 2004. Na década de 90, o tempo médio de união era de 9,5 anos. No ano 2000, as uniões tinham uma duração de 10,5 anos.

No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina estão as uniões legais mais resistentes. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o casamento durava em média 13 anos. Por outro lado, no Amazonas, os casais ficavam em média 8,8 anos juntos e no Acre, os casamentos duravam em média 9,8 anos.

Segundo Renata Dourado, muitos casamentos em Rio Branco terminam por falha de comunicação. “As pessoas são diferentes e não querem aceitar as diferenças depois de certo tempo de convivência. Elas acreditam que a solução para os problemas é a separação, quando na verdade a separação só vai trazer mais problemas, que vão desde a divisão de bens à divisão de filhos”, completa.

Unido com fé, casado é?

Não. Para o pastor Eli Paulo de Souza, o ditado que faz referência ao casal que apenas se junta caiu por terra. Há um crescente retorno dos fiéis à igreja, que lhes conscientiza sobre a importância de subir o altar

As pessoas têm casado mais porque está havendo uma volta para o Senhor Jesus, uma conversão. Esse é o motivo das freqüentes uniões matrimoniais consolidadas no civil e no religioso, segundo o pastor Eli Paulo de Souza, da Igreja Batista Para os Povos. Paralelamente a isso, o crescimento das igrejas evangélicas tem contribuído para o casamento, já que ela exerce um de seus papéis, que é ensinar aos cristãos que o ditado “unido com fé, casado é” não vale nada diante dos mandamentos de Deus.

“À medida que a pessoa conhece a Palavra de Deus, que começa a ler Bíblia, ela quer pôr a vida em ordem. E descobre que o casamento é uma instituição divina. A Bíblia fala muito sobre obediência à autoridade. E casar é obedecer”, disse.

Só no ano passado, mais de cem casamentos foram celebrados pela Igreja Batista Para os Povos, sem contar com os casamentos coletivos. O pastor teme, sim, que alguns casamentos estejam acontecendo somente por modismo, já que muitos casais que não têm a vida cristã estão se unindo ao mesmo passo que aqueles que são cristãos.

“Há muitos casamentos acontecendo sem um motivo realmente forte. É mais uma festa que o casal quer oferecer para membros da sociedade. Geralmente casam e poucos meses depois já estão separados. Mas quem casa com o temor de Deus sabe que o casamento é para sempre. Ele não é eterno enquanto dura, como diz um autor, ele é eterno mesmo, pois a Bíblia diz em I Coríntios 1:13 que o amor jamais acaba.”

Para os que sonham com um casamento pleno, o pastor recomenda: “É preciso ter uma vida com Cristo. Sem Cristo não há leis. Se o casal não buscar sabedoria divina para viver, não há papel assinado que garanta um casamento de fato. E por isso eu digo: se um casal procurar colocar Cristo como seu conselheiro matrimonial e cumprir a palavra de Deus, ele terá um casamento que realmente vai durar até a volta do Senhor Jesus”.

Sobre a importância do casamento, ele enfatiza: “Não é uma mera instituição humana, mas uma instituição divina. Se nós olharmos o casamento pelo lado bíblico, significa uma união entre Cristo, que é o noivo, e a igreja, que é a noiva. Então ele representa as bodas do cordeiro de Deus, que é Jesus Cristo”.

“O amor abre parênteses; o casamento fecha”
Victor Hugo

Os administradores Jomar Cesário e Ana Carolina Feltrini se conheceram há cinco anos. Ele tinha 21 e ela, 15. Tudo começou com uma paquera, sem prever um futuro tão comprometedor. Carol, como é conhecida, ajudava a mãe no armarinho, que fica na avenida Nações Unidas. Jomar trabalhava na drogaria do pai, que fica do outro lado da rua, bem em frente ao armarinho.

Depois de troca de olhares, sorrisos correspondidos, a aproximação foi inevitável, conta Jomar. E não deu outra. Os dois começaram a namorar, e hoje o romance, que já dura meia década, prepara-se para uma etapa mais avançada do compromisso: o casamento.

“Decidimos nos casar por entender que o tempo em que estamos juntos já é suficiente para saber que somos um para o outro. Mas o nosso maior objetivo mesmo com o casamento é obedecer a Deus, pois, se não fosse por isso, poderíamos namorar a vida toda, fugindo de um compromisso mais sério”, revela o noivo.

O enlace está marcado para o dia 19 de julho. Jomar e Carol são evangélicos e terão a união selada em cerimônia realizada pelo pastor Eli Paulo de Souza. O momento será compartilhado com aproximadamente 150 convidados, em um restaurante de Rio Branco.

O casal sonha o tempo todo com esse momento, que está cada vez mais próximo, e afirmam que estão conscientes do tamanho do compromisso que estão selando. “Eu aprendi que ninguém deve casar pensando em ser feliz, mas sim em fazer o outro feliz. Porque daí a nossa felicidade vai ser uma conseqüência de tudo isso”, argumenta Carol. Do outro lado, o noivo responde à altura: “Meu propósito será fazê-la feliz”.



A indústria por trás da cerimônia

Os convidados são meros telespectadores de um casamento. Mal sabem o trabalho que os noivos tiveram para organizar a cerimônia, a festa, contratar as pessoas certas para cuidar de cada detalhe, como a decoração, o bolo, o buffet, a música.

Hoje, uma cerimônia com recepção para 100 convidados, em média, não custa menos que R$ 8 mil. As fotos, o vestido da noiva e o aluguel do buffet são alguns dois itens mais caros. Entretanto, o casamento não se resume ao valor financeiro. Existe também o “mãos à obra”, que talvez seja o mais caro de todos os esforços.

“Comecei a me envolver com a organização do meu casamento há seis meses e vejo que o tempo foi insuficiente. Se tivesse começado mais cedo, a correria poderia ter sido menor”, admite Carol.

Depois de tudo quase pronto para o grande dia, Carol dá a seguinte dica aos noivos que pretendem subir o altar: “Tem que pensar nos convidados desde o começo. Acho que fazer a lista de convidados é a parte mais difícil, pois há os parentes e amigos da noiva e os parentes e amigos do noivo. São muitas pessoas e, infelizmente, não dá para convidar todo o mundo, por isso é bom começar a selecionar bem cedo para não cometer injustiças com algumas pessoas”, complementa.

Segundo a empresária Creuza Rodrigues, que trabalha em Rio Branco há dez anos com aluguel de vestidos de noivas, o ideal é que todos esses detalhes sejam vistos um ano antes do casamento. Isso permite que os noivos fiquem mais à vontade, não se estressem tanto com a proximidade do casamento e estejam livres para fazer mudanças no planejamento, caso seja necessário. A recomendação ela faz baseada em tantas histórias de casamento que ouve todos os dias em sua loja “Tudo para Noivas”.

“Geralmente as noivas me procuram um ano antes do casamento para experimentar vestidos e já saem daqui com um alugado. O tempo é o ideal. Assim ela terá mais liberdade para se preocupar com outras coisas”, destaca.

Creuza disse que sua loja possui mais de cem modelos de vestidos, prontos para serem alugados. A noiva que por ventura não gostar de nenhum pode escolher outro existente nos catálogos, que logo é encomendado pela loja. Segundo ela, o aluguel funciona da seguinte maneira: quando o vestido nunca foi usado, é mais valorizado. Quando é o segundo aluguel, a peça recebe um desconto. No terceiro, mais desconto. E a partir do quarto aluguel o valor é o mesmo.

“O preço do aluguel varia de R$ 500 a R$ 1,5 mil. E nós ainda garantimos todos os acessórios, como coroa, luvas, brincos, colar, além do penteado e da maquiagem”, destacou.

Fotos: lembranças que ficam

O fotógrafo Edison Caetano e sua equipe são contratados para cerca de cinco casamentos por mês. Significa que todos os fins de semana eles têm um ou mais compromissos com festas matrimoniais. Mas nem sempre foi assim. Segundo Edison, a incidência de casais que decidem subir o altar cresceu pelo menos 50% nos últimos cinco anos. É o fato do glamour, do requinte, de uma festa digna de rei que atraem tantos noivos a optarem por um casamento menos íntimo hoje. E isso não depende da condição social. Quem esbanja casa mais rápido. Quem não tem um “pé-de-meia” marca a data do enlace para mais adiante, conseguindo, assim, tempo para juntar a quantia desejada.

Se o casamento deu a volta por cima, por outro lado, as tradicionais festas de 15 anos perderam o valor. Edison sequer lembra qual foi a última vez que levou sua equipe de fotógrafos para um baile de debutante.

“É interessante. Na época em que as festas de 15 anos eram mais freqüentes, os casamentos eram mais raros. Hoje as coisas se inverteram. A todo o momento tem um casal novo querendo oficializar e comemorar a união, enquanto as debutantes dispensam a festa por uma viagem”, comenta.

Edison Caetano é o fotógrafo mais antigo de casamento que atua no Acre. Ele fotografa esse tipo de evento desde 1975, quando as fotos ainda eram analógicas e rendiam boas - não tão boas - histórias para contar. “Aconteceu de casais nunca virem buscar as fotos depois do casamento”, lembra.

Com a digitalização e o maior interesse pela fotografia, casos como esse não acontece, mais. Primeiro porque o casal paga antecipadamente uma parte do álbum, que varia entre R$ 1,5 mil a R$ 5 mil. Depois porque a possibilidade de ver as fotos até na mesma hora, se for o caso, deixa os noivos mais frenéticos para ver o álbum pronto e com as fotos que eles têm a possibilidade de escolher a dedo.

“As pessoas caíram no gosto pela fotografia depois que passamos a usar o fotojornalismo nas festas, que são aquelas fotos que fogem do tradicionalismo, de noivos posando para o fotógrafo. São fotos mais movimentadas, de noiva jogando o buquê, dançando, cumprimentando convidados, e assim por diante”, destacou.

Ainda assim as fotos do brinde, do beijo, do corte do bolo e outras afins não saíram de cena. É por isso que os casamentos não contam mais apenas com um fotógrafo, mas três. Enquanto um cuida das fotos tradicionais, o segundo faz o fotojornalismo e o terceiro pega os detalhes da festa e o making-off da noiva.

“Casamento é assim. O fotógrafo começa a trabalhar quando a noiva começa a se arrumar e só conclui o serviço depois que o último convidado vai embora da festa”, conclui Edison, que aqui e acolá ainda dá dicas aos nubentes. “Pela experiência de ter ido a muitos casamentos, vejo que, quanto menos convidados houver, mais chance de os noivos se divertirem e de darem atenção a todos. Para a noiva, especificamente, costumo orientar que usem sapatos confortáveis, já que elas vão passar grande parte da noite em pé, e que não se preocupem com as falhas, pois não existe cerimônias perfeitas.”

O passo-a-passo do casamento civil



O casamento civil foi iniciado no Brasil só no final do século XIX, com a Proclamação da República. Antes disso, só havia casamento religioso. Para casar no civil é preciso que o casal apresente:

Certidão de nascimento
Cédula de identidade ou outro documento que tenha o mesmo valor
Declaração do estado civil, comprovante de residência dos noivos e dos pais
Declaração de pessoas sob cuja dependência legal estejam
Declaração de duas testemunhas maiores de idade, parentes ou não, que confirmem conhecê-los e que não há impedimentos para o casamento
No caso de viúvos, certidão de óbito do cônjuge falecido
Para divorciados ou para quem teve um casamento anterior anulado, a sentença de anulação ou a sentença de divórcio.

Tipos de casamento civil

A preparação dos documentos de casada pode não ser tão divertida quanto a escolha da roupa e dos acessórios, mas sem ela, você continua solteira. Procure o cartório pelo menos um mês antes do casamento. Esse tempo é recomendado para que não haja problemas com a confecção dos papéis.

De acordo com a legislação brasileira, existem quatro tipos de regime de casamento:

Comunhão parcial: todos os bens adquiridos por cada um dos noivos antes do casamento não são comuns. Já os que forem adquiridos depois do casamento são do casal.

Separação: tudo o que for adquirido tanto antes quanto depois do casamento pertence apenas a cada uma das partes.

Comunhão universal de bens (o famoso “tudo que é seu é meu”): os bens adquiridos tanto antes quanto durante o casamento são do casal.

Dotal: muito raro nos últimos tempos, é aplicado quando a noiva recebe um dote. Os bens que fizerem parte desse “presente” devem ser descritos e seu valor, estimado e registrado num documento pré-nupcial.

Comunidades para noivos

O Orkut, página de relacionamentos mais acessada da internet, dispõe de centenas de comunidades relacionadas a casamentos. Algumas satirizam a união, com títulos do tipo “Existe vida após o casamento?”. Mas, no geral, as comunidades reúnem casais de todas as partes do mundo, que vão se casar e que já se casaram, com o objetivo de trocar experiências sobre assuntos correlacionados. Os participantes das comunidades se comunicam através de fóruns e lá perguntam e respondem as dúvidas mais freqüentes. Os fóruns ajudam noivos, sem sair de casa, a escolher o vestido, o terno, o bolo, as alianças, a decoração e tudo o mais que precisam para um casamento. Alguns dão dicas até de como ser um bom marido e uma boa mulher. Conheça algumas dessas comunidades:

“Meu casamento tá chegando”. Tem a finalidade de ajudar os participantes da comunidade nos preparativos do casamento, trocar idéias, compartilhar histórias.

“Adeptos do casamento imediato”. Para pessoas que, movidas pela emoção, resolveram casar apressadamente.

“Casamento de Idéias”. Para casais liberais e modernos, que, em vez do tradicional, preferem ousar nas idéias em todos os segmentos (cerimônia, roupas, festa etc.).

“Decoração de Casamento”. Tira dúvidas dos noivos quanto à decoração de buffets e igrejas, cores que combinam com o casal e com o momento.

“Sexo só depois do casamento”. Reúne evangélicos que sustentam a prática da obediência a Deus, que pede que os noivos se guardem um para o outro até que se casem.

“Casamento bom, bonito e barato”. Contém dicas para quem tem o sonho de se casar de maneira inesquecível, mas sem gastar muito.

“Como superar crises de casamento”. Tem o propósito de unir pessoas para ajudar umas as outras a superar crises no casamento, com base na consolidação da família, uma instituição divina.

“Casamento Virtual”. Para unir pessoas que só se conhecem pelo Orkut e que desenvolveram uma paixão virtual, seguida de um casamento também virtual.

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Rio Branco-AC, 28 de junho de 2008
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