Um projeto de ecoturismo elaborado pela Secretaria de Esportes, Turismo e Lazer prevê a criação de infra-estrutura e qualificação de mão-de-obra para abrir uma rota de acesso ao Parque Nacional da Serra do Divisor. É um caminho que poderá beneficiar todo o Vale do Juruá com geração de emprego e renda. Os investimentos poderão desenvolver socialmente uma das regiões mais isoladas do Acre.
Nelson Liano Jr.
Fotos J. Diaz
“O lugar mais bonito do Acre.” A frase foi repetida diversas vezes pelos membros da comitiva organizada pela Secretaria Estadual de Esporte, Turismo e Lazer, que visitou a região norte do Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD), conhecida no Vale do Juruá como Serra do Môa. Liderado pelo secretário Cassiano Marques, o grupo composto pelo deputado federal Henrique Afonso (PT-AC), o chefe de gabinete do senador Tião Viana, Eduardo Marques, o analista ambiental do Instituto Chico Mendes, Fernando França Maia, e a equipe técnica da Secretaria de Esportes, Turismo e Lazer realizaram reuniões com os moradores da região para apresentar a proposta do projeto turístico. Segundo explicou Cassiano Marques, o objetivo é reativar o plano de uso público do PNSD, elaborado em 2001 pelo Ministério do Meio Ambiente, com as adaptações necessárias que viabilizem a abertura para o ecoturismo.
Durante as reuniões com as comunidades ribeirinhas do Môa, Cassiano deixou claro que a filosofia do governo do Estado é implementar projetos de rotas turísticas “onde existe gente”. Por isso, a necessidade de estabelecer um canal de diálogo com as comunidades para apresentar o projeto e ouvir sugestões dos moradores. Já o deputado Henrique Afonso, que desde 2003, vem mantendo constante contato com moradores para uma solução do problema de regularização das terras, vê no projeto de ecoturismo uma saída para o impasse que se criou com a criação do Parque Nacional, em 1989.
Também sensível à questão, o senador Tião Viana, vice-presidente do Senado, enviou para representá-lo seu chefe de gabinete, Eduardo Marques. A idéia é de que a bancada parlamentar do Acre no Congresso Nacional possa sensibilizar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para um trabalho em parceria com o Estado, através da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer, que viabilize definitivamente o uso público do PNSD para visitação turística organizada.

Equipe da Secretaria de Turismo em reunião com os moradores do Pé da Serra

Henrique Afonso conversa com moradores do São Salvador ao lado do secretário Cassiano Marques
Reuniões com os moradores
No entardecer no Pé da Serra, cerca de 150 moradores se reuniram para ouvir as propostas da comitiva de implantação de um plano de uso turístico da região e também para falarem dos problemas que enfrentam.
O secretário Cassiano Marques explicou que, com as perspectivas da abertura da BR-364 e a inauguração do novo aeroporto internacional de Cruzeiro do Sul, a região do Vale do Juruá será uma rota atrativa para o ecoturismo. Assim, a região norte do PNSD será um dos locais com o maior número de possibilidades para o desenvolvimento do ecoturismo na região. O secretário deixou claro que o plano inclui o uso do potencial humano regional, o que significa possibilidades da venda de artesanato, oferta de culinária típica, serviços de barcos e de guias turísticos e criação de infra-estrutura de hospedagem, sempre com o aproveitamento de mão-de-obra local, que passará por treinamento para qualificação. “A idéia é que todos se beneficiem com o projeto,” disse ele.
O deputado Henrique Afonso se mostrou sensível à luta dos ribeirinhos para a solução das questões fundiárias que se arrastam há 17 anos na região. O parlamentar acreano disse que a indefinição cria um clima de insegurança para os moradores e inibe qualquer tipo de investimento governamental. Ele destacou a necessidade urgente de levar para o Pé da Serra serviços básicos como energia elétrica (Luz para Todos), serviço de telefonia pública (mais telefones públicos), água tratada e um projeto que financie novas casas. Na opinião de Henrique Afonso, o plano de ecoturismo poderá ser um facilitador para os avanços sociais de toda a região do Môa.
Por outro lado, o presidente da associação dos moradores do Pé da Serra, Aldemir da Silva Pinheiro, reivindicou, além da solução das questões fundiárias, investimentos para a construção de açudes de piscicultura e qualificação dos produtores locais para a melhoria da criação de galinha caipira. Segundo Aldemir, esses investimentos inibiriam a depredação da natureza pela caça e pescaria oferecendo novas alternativas alimentares à população nativa e futuros visitantes.
O líder comunitário também pediu a vinda de uma equipe de médicos do programa Saúde Itinerante e do Projeto Cidadão para a retirada de documentos pessoais básicos dos moradores. As duas solicitações já estão em estudo pela equipe do gabinete do senador Tião Viana e deverão ser atendida em breve. Também o pedido de barcos e motores para transporte dos comunitários ficou de ser viabilizado.
O renascimento cultural dos Nukinis
Na manhã seguinte, a comitiva desceu o rio Môa para mais uma reunião na colocação República, terra indígena dos Nukinis. Depois de uma calorosa recepção, com uma dança ritual típica, os índios ouviram atentamente a exposição do projeto de ecoturismo no Môa. Os nukinis, que vivem um momento de retomada cultural, afirmaram que estão dispostos a colaborar e participar da iniciativa da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer.
“Nós temos o que mostrar para os turistas. Isso pode fortalecer ainda mais a retomada da nossa cultura nativa. Os jovens têm que aprender a dar valor ao que é nosso. Nós sereremos parceiros nesse projeto porque já temos infra-estrutura para receber os turistas”, declarou o cacique Josinaldo.
Erison, conhecido como Timpin, que é o pajé da comunidade, afirmou que seu povo está se organizando para desenvolver o artesanato e mostrar, através dos cantos e das danças, a rica cultura espiritual. Ele pediu a parceria do governo para a concretização do Centro Sócio-Cultural do Povo Nukini, que entre outras atividades pretende reabilitar completamente o uso do idioma original. Os indígenas também solicitaram a instalação de um serviço telefônico e de internet para a comunidade.

Cachoeira do Ar-Condicionado, na Serra do Divisor A viagem
As “voadeiras” saíram do porto do Japinin, em Mâncio Lima (AC), distante 36 quilômetros do aeroporto internacional de Cruzeiro do Sul (AC). O Japinin é um braço estreito do rio Môa, cheio de curvas e com uma grande variedade de fauna e flora exótica nas suas margens. Já no começo da jornada, o viajante tem uma idéia da beleza exuberante da região. Seguindo pelo rio Môa até a vila sede do projeto de desenvolvimento sustentável São Salvador, são cerca de três horas e meia de navegação. Lá a comitiva fez a primeira reunião com os moradores da comunidade. Vale frisar que o São Salvador é considerado área de entorno do PNSD. A reação foi muito positiva. Foram apresentados os benefícios que a implantação do projeto de ecoturismo trará à comunidade, com o treinamento e a qualificação de mão-de-obra para atender os turistas e o investimento em infra-estrutura básica para receber os visitantes, já que o São Salvador será a primeira parada estratégica para os grupos em viagem para a face norte do PNSD.
Na manhã seguinte, o grupo seguiu em direção ao Pé da Serra, o maior atrativo turístico devido ao grande número de cachoeiras formadas nas elevações rochosas da Serra do Divisor. Mais quatro horas de “voadeira” para chegar ao posto de fiscalização do Ibama. Quando se está aproximando da serra, a visão da paisagem com as colinas que se formam no horizonte encantam qualquer visitante. No Pé da Serra, o grupo, numa caminhada árdua, visitou o mirante, que fica a cerca de 500 metros de altitude. Um visual exuberante de toda a região norte do PNSD com a floresta e a sinuosidade do Môa se espraiando pelo horizonte infinito.
Para relaxar do esforço da subida, um banho no Buraco da Central às margens do rio - uma cachoeira nascida das pesquisas de prospecção de gás e petróleo que houve na região há mais de 40 anos. O grande fluxo de água sulforosa vinda de uma nascente de 1.600 metros de profundidade impede que o banhista afunde no buraco.
Após o almoço na casa de uma família de moradores que serviram pratos da culinária local, o grupo seguiu para a visitação da Cachoeira do Ar-Condicionado. Uma caminhada de cerca de vinte minutos dentro da mata para chegar a uma das mais belas criações da mãe natureza.

Presidente do Incra, Holf Hackbart, Neuzari Pinheiro, Binho Marques, Tião Viana, Edvaldo Magalhães, César Messias e Taumaturgo Lima celebram momento histórico para Porto Walter
Porto Walter: terras da União agora são do município
A população de Porto Walter tem muito o que comemorar. Através do empenho do senador Tião Viana, do prefeito Neuzari Pinheiro (PT) e dos vereadores, o Incra entregou as terras que pertenciam à União ao município do Juruá. A solenidade, que aconteceu com a presença do governador Binho Marques, do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Edvaldo Magalhães, do vice-presidente do Senado, senador Tião Viana, do vice-governador, César Messias, e do presidente do Incra, Holf Hackbart, marca uma nova etapa na história de Porto Walter. Foram 12 anos de luta para viabilizar a transferência agrária.
O prefeito Neuzari Pinheiro agradeceu ao senador acreano por ter dado a estrutura necessária e ter se empenhado pessoalmente na concretização da antiga aspiração dos portovaltenses. “O senador foi o nosso companheiro nas horas difíceis que lutou ao nosso lado por esse pedaço de chão”, disse. Isso significa que os moradores poderão ter o título definitivo das suas propriedades urbanas e rurais. Assim, os habitantes de Porto Walter poderão ter acesso a créditos e financiamentos bancários, incrementando o desenvolvimento do município.
“Houve um movimento de parlamentares acreanos como os deputados Gladson Cameli (PP) e Perpétua Almeida (PC do B) junto ao presidente do Incra para tornar possível o sonho de titularidade das terras de Porto Walter. Nós começamos uma longa caminhada de construção desse direito de cada família de hoje ser reconhecida naquilo que é o princípio básico da segurança jurídica: o direito de ter seu endereço. Os endereços não eram legais porque a terra era da União até esse momento que passa a ser do município e de cada um dos moradores”, afirmou o senador Tião Viana.
Já o governador Binho Marques fez questão de frisar de que se o momento da entrega das terras significa o “batistério de Porto Walter”, como foi citado pelo presidente da Aleac, deputado Edvaldo Magalhães, ele, como o Executivo estadual, tem o compromisso de se preocupar com a maioridade do município. “Nós vamos cuidar da educação, da saúde e do bem-estar social para um crescimento saudável dos filhos desta terra”, disse Binho Marques. Na ocasião, o governador, anunciou ainda as obras dos aeroportos de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, num investimento de mais de R$ 4 milhões do governo do Estado. “Queremos garantir o direito de ir e vir da população, subsidiando as empresas aéreas regionais para que a população possa comprar passagens mais baratas para fazer tratamento de saúde, melhorar o abastecimento alimentar e facilitar a integração do nosso Estado”, concluiu o governador.
Por outro lado, o presidente do Incra, Holf Hackbart, anunciou o investimento do órgão federal de R$ 125 milhões em projetos de assentamento no Acre. Sobre a transferência da titularidade das terras da União para o município, o presidente do Incra comentou: “Isso é a possibilidade de legalização das terras e do desenvolvimento do município. Eu torço para que a comunidade de Porto Walter se organize, continue lutando e não brigue entre si. Que as autoridades possam investir em saneamento básico. Nossa preocupação no Incra é trabalhar com os assentados infra-estrutura, crédito, habitação e saúde, para que os assentamentos daqui também se viabilizem de maneira sustentável. Nós já temos três assentamentos aqui no Acre e vamos criar mais quatro até o fim do ano que produzam e que protejam o meio ambiente”, concluiu Hackbart.
 Hospital Regional muda a realidade da saúde pública no Juruá
Em apenas um ano de funcionamento, o Hospital Regional do Juruá, mudou o paradigma da saúde pública na região. Para comemorar, o senador Tião Viana (PT-AC) apresentou a palestra Saúde e Saneamento na Amazônia. O governador Binho Marques, presente às comemorações, garantiu a renovação do contrato com a Sociedade Nossa Senhora da Saúde, que faz a gestão da unidade hospitalar.
Logo na abertura das comemorações, o diretor clínico, Marcos Melo, apresentou números impressionantes da produtividade do Hospital Regional do Juruá. São 40 médicos contratados nas mais diversidades especialidades como cardiologia, neurocirurgia, pneumologia, buco-maxilo, pediatria, ortopedia, urologia, oftalmologia e doenças gástricas, entre outras. Foram feitos 195.325 atendimentos e cerca de duas mil cirurgias. O moderno tomógrafo realizou quase mil exame, mais de 23 mil raios X e 32 mil consultas ambulatoriais.
Com pronto-socorro e moderna unidade de tratamento intensivo (UTI), o Hospital transformou a rotina na imprensa do Juruá, que praticamente todos os dias publicava reclamações de pacientes atendidos no antigo hospital.
O senador Tião Viana, um dos entusiastas do hospital que conseguiu alocar muitos recursos para a execução do projeto, fez a seguinte avaliação: “A grande conquista é o amor que essa obra pode dar as pessoas do Vale do Juruá. As comunidades da região esperaram tanto para ter um hospital que lhes tratasse com dignidade, e hoje isso é realidade. E o hospital ainda tem uma longa caminhada para ser cada vez melhor. Mas os passos estão sendo dados com muita celeridade pelo governo Binho, pelo governo do presidente Lula e pela comunidade local. Este é um ano de muita comemoração e de muita esperança em relação ao futuro da saúde pública do Juruá”, disse ele.
O governador Binho Marques fez questão de afirmar que valeu a pena todo o investimento feito pelo governo do Estado para concretizar uma obra dessa magnitude. “É difícil ter em um ano com resultados como estamos vendo aqui. Mas graças a Deus nós tivemos um alinhamento de astros em que tudo deu certo. Nós tivemos aqui a determinação do ex-governador Jorge Viana para a construção desse ambiente maravilhoso, algo invejável para a maioria dos Estados brasileiros. Também o compromisso do senador Tião Viana para que nós equipássemos esse ambiente. Além da mobilização de todos, das irmãs [que administram], da sociedade, dos médicos, dos funcionários, e a coragem de iniciar um novo modelo de gestão que tem dado certo. O que está acontecendo aqui eu quero levar para Rio Branco para a Fundação Hospitalar do Acre para que nós tenhamos essa mesma qualidade”, afirmou o governador.

Doutor Marcos e Irmã Nair, administradores do hospital, celebram um ano de funcionamento com Binho, Tião, César e Edvaldo

Emenda do senador Tião Viana, no valor de R$ 3 milhões, garantiu a entrega de cadeiras de roda e novos equipamentos de fisioterapia para os hospitais Regional e Dermatológico. Também o Lar dos Vicentinos foi beneficiado
Transformação radical
Para se ter uma idéia do alcance da mudança, há pouco mais de um ano e meio, antes da inauguração do hospital, era muito difícil a Secretaria de Saúde do Acre conseguir convencer algum médico a trabalhar no Vale do Juruá, mesmo com a oferta de salários vantajosos. Atualmente, o diretor técnico do hospital, Marcos Melo, afirma que se dá o luxo de selecionar currículos vindos de todo o país para escolher os profissionais que integrarão o quadro da unidade de saúde amazônica. Isso, segundo ele, deve-se ao fato de o Hospital do Juruá oferecer condições técnicas de equipamentos e organização de recursos humanos que garantem ao profissional de saúde as ferramentas necessárias para um bom desempenho das suas atividades.
“Estamos funcionando de acordo com as normas do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina. Isso é um avanço muito grande, que tem facilitado a contratação de médicos especialistas que são atraídos pelas condições de trabalho que agora podemos oferecer”, diz o diretor.

Uma história de luta contra a descrença
O investimento que começou a ser feito no hospital ainda na época do ex-governador Jorge Viana (PT), com a garantia dos recursos do governo federal, graças ao apoio político do senador Tião Viana, gerou frutos que são colhidos pelo seu sucessor, o governador Binho Marques.
Vale lembrar que cada tijolo do novo hospital passou por auditoria do Ministério Público. Isso porque o hospital, que começou a ser construído nos anos 80, ainda no governo de Flaviano Melo (PMDB), uma década depois era uma obra considerada concluída pelo governo federal, o que de fato não era a realidade. Foi só no governo Jorge Viana (1999-2007) que o trabalho no hospital foi retomado e passou a receber investimentos que permitiram sua conclusão.
Principalmente depois do período do presidente Lula, com a atuação do senador Tião Viana, o governo federal passou a liberar recursos para que a obra hospitalar mais importante da extrema Amazônia Ocidental pudesse ser realmente concluída. Já durante a conclusão dos trabalhos, o senador Tião Viana previa que o hospital seria a redenção do povo do Juruá, que deixaria de depender das longas viagens para tratamento de saúde em outros centros do país.
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