Aqui você confere o que rola nos bastidores, e quem conta é
Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro.

[24/05/2007] Por: Os Paralamas do Sucesso

Os Paralamas no Rock in Rio I finalmente em dvd!

Foram muitos e muitos shows que marcaram nossa trajetória ao longo de tantos anos de estrada. O primeiro show foi no festival de musica da Universidade Rural, em 1981, quando Os Paralamas se juntaram pela primeira vez. Pouco depois, em novembro de 82, o jurássico Western Club, para uma platéia de amigos. Então a antológica abertura na noite de Lulu Santos no Circo Voador da Lapa, em fevereiro de 1983. Neste mesmo ano, fizemos um show vespertino na praça de alimentação de um famoso shopping no Rio, onde adolescentes descontrolados promoveram uma guerra de sorvete (os shows no local foram proibidos), quando Herbert se fez convicto de que estávamos no caminho certo. Nosso primeiro show fora do Rio foi em Santos, na famosa casa de shows Heavy Metal, onde tocavam literalmente todas as bandas e nomes do pop rock brazuca... Vieram as inúmeras danceterias, boates, ginásios, praças, parques, campos de futebol, coretos e espeluncas das mais diversas, onde tocávamos com toda a garra e entrega de quem quer conquistar o mundo, comum para quem estava com vinte e poucos anos...

Nesses idos de 83 à 85, momento inicial do Paralamas, houve um palco que entrou para o hall dos mais importantes da nossa história: as duas apresentações no Rock in Rio I, em janeiro de 1985. Era um mundo muito diferente aquele. Na época, sonhávamos em ter bons instrumentos, coisa que só era possível caso alguém viajasse para os Estados Unidos, ou deixasse uma grana na mão de algum "muambeiro", muitos deles se tornaram verdadeiros "mecenas", ao trazer guitarras, amplificadores e teclados para que os músicos pudessem gravar e fazer shows com bons instrumentos... lembrando ainda de um mero detalhe: não existia celular nem internet nessa época, sem dúvida, parecia a aurora dos tempos...

No meio de 1984, depois de apostarmos todas as nossas fichas na gravação do Passo do Lui (que muita gente ainda hoje pensa que foi nosso primeiro disco), embarcamos com fôlego renovado na maratona de divulgação do mesmo, com os mesmos maçantes programas de rádio e televisão, jornais e revistas, repassando por um cem numero de palcos não-tão-nobres do showbis da época. Saímos de cara tocando Óculos como musica de trabalho, seguida de Meu Erro e Me Liga, que se alternavam nas rádios no segundo semestre de 84. Quando se falou do grandioso Rock in Rio, das atrações internacionais de peso e dos artistas brasileiros que foram chamados para participar do festival, o quarto Paralama, Zé Fortes, entrou em cena e apresentou a banda para a organização do festival, que fechou o elenco escalando Os Paralamas para duas datas... O resto é história. O Rock in Rio foi uma das maiores e melhores janelas onde mostramos nosso trabalho, atingindo até os países vizinhos, especialmente a Argentina. Na primeira apresentação, estávamos nervosos e estafados pelo calor infernal que fazia no palco... mas felizes, muito felizes. A cenografia composta por dois vasos com uma palmeira dentro, emoldurando o palco, foi um estalo de última hora do Herbert, quando alguém perguntou se não tínhamos cenografia. Virou-se para o nosso roadie, Pedro e pediu para que colocasse aqueles vasos no palco.. "Pronto, agora temos cenografia!" Assim foi que na segunda apresentação, quatro dias depois, Caetano Veloso, que nos encontrou nos bastidores antes do show, não poupou elogios para nossa original cenografia...

Para a segunda apresentação, estava reservado o famoso discurso contra os arruaceiros que hostilizaram artistas nacionais dias antes, quando Herbert lembrou que as bandas de heavy metal estavam ali devido aos artistas brasileiros que abriram a cena para o rock, sugerindo que os que atiraram pedras nas atrações nacionais fossem para casa aprender a tocar guitarra, para quem sabe um dia subirem naquele palco... Herbert também ficou na berlinda ao falar em entrevistas que o guitarrista do AC/DC não era essa coisa toda, alem de relatar a real dos artistas nacionais, que tinham que liberar o corredor dos camarins para que os membros do Scorpions pudessem então passar. Um boato surgido na época e até hoje lembrado por um ou outro fã da antiga, falava sobre o convite que recebi para ser baterista do Yes, algo totalmente infundado.

Os momentos pós Rock in Rio foram muito intensos, uma vez que Os Paralamas foram elevados a categoria de "revelação" do festival. Assim, nossa agenda ferveu durante meses, com shows onde fazíamos duas entradas na mesma noite, em diversos ginásios pelo Brasil, culminando com o record de público no Gigantinho, em Porto Alegre, onde quebramos o record anterior do rei Roberto Carlos, com mais de 30 mil pessoas em duas sessões numa mesma noite... éramos jovens...

Pois então, depois de muitos anos de espera, estamos prestes a ver o lançamento do dvd com a segunda apresentação do Rock in Rio, gravado em 24 canais, um registro fiel de tudo que aconteceu naquele palco, sem "remakes" nem retoques... estivemos conferindo alguns momentos da gravação, num estúdio aqui no Rio, onde pudemos ver esse documento tão aguardado tomar forma. O som está impecável. As imagens passarão por um processo de melhora. A edição foi feita em plena hora do show, mas os cortes estão muito bons para um show ao vivo... Com o recente lançamento do livro de fotos do Mauricio Valladares, este registro do Rock in Rio serve como celebração dos 25 anos de estrada dos Paralamas... em breve nas melhores casas do ramo...

 

.........................................

VEJA TODAS AS HISTÓRIAS