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ARQUITETURA

Arquitetura Civil

Foto: Ricardo Gaspar
1754 - CASA DA CULTURA
No início do século XVIII a maioria das construções em Paraty serviam como armazens; pelo número de portas deste sobrado, presume-se que tenha sido originalmente um deles. Dados entre 1754 e 1869 relativos ao seu uso não são muito precisos. De todo modo,sabe-se que: 1869 a 1895 foi residência 1895 a 1943 foi estabelecimento de ensino 1943 a 1986 foi sede do PAC - Paratiense Atlético Clube 1992 sede definitiva da Casa da Cultura de Paraty. Segundo a Unesco, o sobrado é um dos mais representativos da arquitetura civil do século XVIII em Paraty. O prédio sofreu acréscimos em 1860 e em 1874, constante de reformas e demolições de paredes internas. Na fachada voltada para a rua Dona Geralda, cinco portas no térreo; no piso superior, quatro janelas. Pela rua Dr. Samuel Costa, três portas e duas janelas no térreo e cinco janelas no piso superior. Estrutura em pilares de pedra e cal, assim como as paredes; os esteios vão do chão ao telhado, principalmente nas paredes de taipa de cal e saibro. Vigas dispostas transversalmente sustentam o piso e as paredes. Na construção deste prédio entraram quatro tipos de processos distintos: - alvenaria de pedra e cal (cunhal e pilares) - taipa de cal, saibro, pedras, ripas de palmeiras, troncos e possivelmente óleos de baleia (paredes) - taipa de barro (paredes divisórias levantadas em épocas posteriores) - tijolos em fiadas oblíquas (paredes mais recentes).

SÉCULO - XIX SOBRADO DOS BONECOS
Edificação típica do início do XIX, dois pavimentos com mirante. Oito vãos (quatro no pavimento inferior e quatro no superior), molduras em cantaria, verga reta, cimalha saliente. Sacada e lampiões de ferro trabalhado. Na caixilharia, gradis de ferro. Beiral saliente em telhas de louça, provavelmente portuguesas, pintadas à mão, encimado por platibanda. Este sobrado possuía cinco estátuas ("bonecos ") de louça portuguesa - daí sua denominação de Sobrado dos Bonecos - não procedendo a informação, sobretudo por parte de guias de turismo ávidos por florear a história de Paraty, de que seriam objetos de ouro maciço, ou simplesmente folheados.

SÉCULOS XVIII E XIX - PREFEITURA MUNICIPAL  
A primeira Casa da Câmara e cadeia de Paraty foi nstalada num prédio já demolido, situado à praça da Matriz. Transferiu-se posteriormente para um sobrado na rua da Matriz, esquina de Comendador José Luis, que abriga hoje a Estalagem Colonial e, logo após, para o sobrado na rua do Comércio esquina com Comendador José Luis onde funciona hoje a loja de artesanato Marrá-Paiá até o Restaurante Vagalume. No começo deste século, Câmara e Prefeitura foram instaladas no prédio onde se encontra esta última, tendo a cadeia pública ido para o antigo Quartel da Fortaleza da Patitiba, no Largo de Santa Rita. A Câmara ocupa sede própria desde 1998. Parte do pavimento inferior deste prédio foi provavelmente edificado no século XVIII e o superior, mais o acréscimo do térreo, no XIX. Na fachada voltada para a rua do Comércio, 3 vãos (portas) em verga reta e outros 4 em verga semi-curva, molduras em cantaria. No pavimento superior, 7 vãos (janelas) em verga reta, molduras em madeira e cimalhas salientes, provavelmente do XIX. Na fachada principal (rua Dr. Samuel Costa) o processo construtivo se repete : na parte inferior, 4 portas com molduras em cantaria e vergas semi-curvas, século XVIII; no segundo pavimento, 4 vãos (portas com folhas duplas) emolduradas em madeira, verga reta e cimalhas salientes. Ao longo das 4 portas superiores, sacada de ferro. Esquadrias em caixilhos,. Em destaque, no Plenário da Câmara Municipal, que continua funcionando no segundo pavimento deste prédio, algumas peças históricas, como as Varas dos Vereadores - consideradas as únicas existentes no Brasil - muito provavelmente da primeira metade do XVIII.


1822 - SANTA CASA DA MISERICÓRDIA  
Fundada em 1822, o prédio só foi concluído em 1863, constituindo um exemplo clássico de como se construía um hospital no século XIX. De arquitetura singela, notam-se, todavia, as exigências da época para uma casa de saúde, como, por exemplo, a ventilação do forro das enfermarias. Possui em sua grande fachada 14 janelas distribuidas simetricamente à porta central, alcançada por uma escada de 5 degraus em cantaria. Alas laterais mais curtas (29m de comprimento), com pátio ao fundo, distribuindo-se suas enfermarias em cerca de 232m2 de superfície. Na fachada voltada para a rua N.S.dos Remédios, 5 vãos (janelas) em verga curva.. Esquadrias caixilhos, cunhal em cantaria. Cobertura de 4 águas em telha colonial.



A MAÇONARIA EM PARATY
As idéias maçônicas de liberdade, igualdade e fraternidade chegaram a Portugal por volta de 1733, vindas da Inglaterra e da França, datando de 1735 a Grande Loja Maçônica Portuguesa. Existem notícias da sociedade no Brasil ainda na primeira metade do século XVIII - Paraty incluive, embora a Loja Paratiense seja do XIX. Consta que Salvador Carvalho do Amaral Gurgel, nascido em Paraty, 1762, indo morar em Vila Rica após licenciamento em cirurgia no Rio de Janeiro, frequentava uma Loja Maçônica onde costumava aparecer Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes - que teria sido iniciado por José Álvares Maciel. O paratiense, preso e julgado com os demais inconfidentes, foi condenado a exílio em Moámbique, onde chegou em 1792. É importante ressaltar que a ideologia da Inconfidência Mineira coincide, grosso modo, com as idéias maçônicas da época, sobretudo na difusão da independência pelas colônias americanas. Em Paraty, a influência maçônica é visível sobretudo na arquitetura civil e no arruamento do Centro Histórico, onde 3 cunhais em cantaria (pedra lavrada) formam, nas esquinas, um hipotético triângulo - que vem a ser o símbolo maçônico por excelência. Na fachada de diversos sobrados paratienses - onde se presume tenham vivido cidadãos maiores ou menores dentro da hierarquia maçônica - encontram-se estampados alguns desses símbolos mais representativos, quais sejam: Triângulo : Grande Signo da Maçonaria = Supremo Arquiteto do Universo. Pentagrama: a dominação do corpo pelo espírito. Losango : (Ou "Zephirot") - a coroa, a inteligência, a sabedoria, a força, a Graça, a beleza, a glória, a vitória, o fundamento e o reino. Lua Crescente : a vida, a sabedoria e a inteligência. Lua Minguante: as trevas e a morte. Compasso : a precisão e a exatidão. Esquadro : a regularidade e a boa ordem. Duas cores são básicas na Maçonaria : o azul e o vermelho, associadas ao branco, sendo o azul usado pela Maçonaria Simbólica e o vermelho pela Filosófica. Além da bandeira do município, azul, branco e vermelho - a exemplo daquela da França - existem algumas peças no Plenário da Câmara Municipal comprovando a presença da Maçonaria na história do legislativo municipal, como os sofás em jacarandá e palhinha, onde se vêm triângulos encimados por pentagramas, que vem a ser o símbolo do Aprendiz Maçom.




Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Paraty.

Autor da Pesquisa:
Renan Wanderley.

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