APRESENTAÇÃO
| Foto:
Débora Bedin |
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Márcio
Franco |
Paraty reúne mais de 200 artistas plásticos e artesãos,
inspirados nas paisagens, na
tranqüilidade e no história locais. Confira um pouco
do trabalho de alguns ateliês.
As cidades históricas têm uma vocação
natural para abrigar artistas plásticos e seus ateliês:
são tranqüilas, o que acaba contribuindo para a concentração
no processo criativo; possuem um conjunto arquitetônico que
é fonte de inspiração para diversos trabalhos
e recebem um público diferenciado, interessado em consumir
produtos culturais. E a histórica Paraty ainda tem mais alguns
atributos.
Os principais: a cidade é próxima a dois dos maiores
centros econômicos do país - Rio e São Paulo.
Recebe centenas de turistas estrangeiros, que geralmente dão
tanto ou até mais valor à arte brasileira. E não
tem apenas o casario colonial para inspirar os artistas; é
repleta de paisagens, com praias, montanhas, matas e muitos outros
elementos naturais que podem ser eternizados em um quadro ou uma
escultura.
Foto: Débora Bedin
Há 15 anos em Paraty, Márcio Franco é um
desses artistas que "bebe direto na fonte". Seu ateliê
fica no Centro Histórico, mas ele passa grande parte do
tempo diretamente na mata, atento a detalhes que vão desde
a textura de uma folha de bananeira até o colorido do bico
de um tucano ou das pétalas de uma orquídea. "O
resultado é mais forte do que simplesmente fotografar a
paisagem e pintá-la em seguida. É uma vivência
mais próxima com a natureza", lembra Franco.
Os números refletem a realidade artística no município:
há cerca de 200 artistas plásticos e artesãos
vivendo do seu ofício, direta ou indiretamente, segundo
estimativa da Associação de Artistas Plásticos
e Artesãos de Paraty. A entidade foi criada há pouco
tempo e organizou, em setembro, um festival de artes onde os turistas
receberam mapas contendo endereço, localização
e tipo de trabalho doa artistas. Outros eventos devem ser programados
para agitar o mercado de arte na cidade. "Queremos viabilizar
o turismo especificamente cultural, onde as pessoas vão
à uma cidade para consumir trabalhos artísticos",
diz a ceramista e presidente da Associação, Myrian
Speranza. "A longo prazo, esse tipo de turismo pode se firmar
e quebrar a sazonalidade, já que deve trazer visitantes
fora da alta temporada", completa.
Artesanato - Myrian explica que a diferença entre o artista
plástico e o artesão é que o segundo reproduz
sua obra em série, um ofício manual que pode também
pode contar com auxiliares. Já o trabalho do artista é
extremamente pessoal e exclusivo; nenhuma obra é igual
à outra.
Foto: Débora Bedin
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Débora Bedin |
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Nelson
e Myrian Speranza |
Mas muitos artistas encontram no artesanato uma forma de viabilizar
seus projetos financeiramente. Arte é algo difícil
de se vender, lembra a ceramista. Ela faz sabonetes artesanais
e investe em uma linha de cerâmica com preços mais
baixos, como pequenos vasos e caixinhas. "As pessoas de menor
poder aquisito também valorizam a arte e muitas vezes não
têm oportunidade de adquirir obras de maior valor".
Representante da arte contemporânea, o artista plástico
Eduardo Amarante também concorda com essa espécie
de "popularização" da arte. Autor de grafismos
abstratos em grandes painéis, ele também pinta tecidos
e camisetas. "Aplico nos tecidos o que faço nos quadros.
E já aconteceu de pensar que as camisetas eram o melhor
do meu trabalho", lembra Amarante.
Missão da arte - O mais importante, destaca Myrian, é
que o deleite proporcionado pelas obras artísticas não
atinge somente a visão, mas todos os sentidos. "Se
você recebe o dom de buscar uma emoção, conhecê-la
profundamente e materializá-la através do processo
criativo, você tem uma missão. Arte é elevação
espiritual e um grande número de artistas não tem
consciência de sua importância", filosofa a artista.
Melhor para o turista, que além das paisagens, pode se
"elevar" com a rica produção artística
de Paraty.
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