Umpatrocínio de

REPORTAGEM ESPECIAL
 
"Comunidade Hare Krishna encravada entre a
serra e o mar mostra que é possível viver
longe dos grandes centros urbanos e em
harmonia com o meio ambiente."
 
Hare Krishna em Paraty A história do movimento Jovens dedicados
Palavras e seus significados Vida simples, pensamento elevado

HARE KRISHNA EM PARATY


Foto: Débora Bedin

Foto: Débora Bedin

Foto: Débora Bedin
Uma sucessão de montanhas com a visão bem distante do mar, que mais parece um lago de águas tranqüilas, é a paisagem que se vê das janelas do templo. O barulho dos pássaros, a qualquer hora do dia, é praticamente o único a quebrar o silêncio, mas não o encanto dessa Floresta Dourada - o significado, em sânscrito, de Goura Vrindávana, nome de uma fazenda com 600 hectares de terra na Serra da Bocaina e a 20 km do Centro de Paraty, que segue rumos um pouco diferentes das propriedades rurais típicas do sertão sul-fluminense.

Aqui estabeleceu-se uma rotina doméstica para pouco menos de 10 moradores de uma comunidade Hare Krishna, uma religião de origem indiana que, entre mantras e meditações, estabelece que os homens devem viver em harmonia com a natureza e garantir uma auto-sustentabilidade para depender cada vez menos dos padrões de consumo impostos pelas grandes cidades.

Não há luz elétrica; a energia mínima para iluminação é fornecida por uma bateria de carro e uma roda d´água. A grande maioria dos alimentos provém da horta, cultivada sem agrotóxicos, de onde colhe de alface e feijão à capuchinha, uma refrescante flor comestível. Das vacas, tira-se apenas o leite; os adeptos, ou devotos Hare Krishna, são vegetarianos e não se alimentam de qualquer tipo de carne ou ovos. E o que sobra vira adubo, após um processo de compostagem com a ajuda de um minhocário.
As poucas casas do lugar, incluindo um refeitório e cozinha comunitários e um templo utilizado para reunir os devotos em atividades de meditação, leituras de ensinamentos e reuniões, foram construídas com madeiras provenientes das matas da região; árvores e galhos caídos que não tinham mais utilidade e que ganharam vida quando recolhidos.

Rotina - O dia-a-dia na comunidade parece rígido para os padrões de quem mora em um centro urbano. Todos acordam às quatro horas da manhã a fim de preparar-se para as primeiras meditações do dia. A refeição matinal, denominada prassada, é mais do que um café da manhã e cada um segue para seus afazeres na fazenda até quase o final da tarde. Lá pelas 16h é servida outra refeição que, apesar de vegetariana, é bem servida e energética - à base de banana, arroz integral, mel e verduras em receitas preparadas por quem se dedica a cada dia na cozinha. Em seguida, os membros da voltam a se reunir no templo para uma cerimônia de orações, cânticos e leitura de livros sagrados com o Maharaj Purusha Traya Swami, líder espíritual da comunidade. No máximo às 20h30 da noite, todos já adormeceram.

E há muito trabalho a fazer na fazenda, que intercala grandes áreas de mata nativa, cachoeiras e bananais. A banana, por sinal, é sua marca registrada: mensalmente, são produzidos cerca de 400 quilos de banana-passa, comercializada em lojas de produtos naturais e entre os devotos Hare Krishna no Rio de Janeiro. É preciso colher, preparar o processo de secagem, embalamento, e ainda cuidar da compra de bananas dos produtores que existem em torno da fazenda.
Essa convivência com os moradores próximos faz parte dos objetivos dos Hare Krishna, que construíram a fábrica de banana-passa com o incentivo de uma verba conseguida justamente por causa do cunho social da mesma. A Embrapa do Rio de Janeiro também interessou-se pela área e técnicos estudam a viabilidade de um projeto experimental para dar continuidade ao manejo adequado dos bananais.

Apesar de isolados do contexto urbano, os Hare Krishna da Goura Vrindávana querem manter contato com "civilização" através de pessoas interessadas em difundir não apenas os princípios de uma religião, mas de um modo de vida inspirado na convivência com o meio ambiente e na busca da paz de espírito. Um instituto de filosofia está nos planos da comunidade, que já se abre para os interessados em uma atmosfera espiritualizada por meio de programações onde é possível hospedar-se na fazenda e participar um pouco de seu cotidiano. Quem quiser conhecer a fazenda e passar alguns dias junto aos devotos pode entrar em contato com Goura Vrindávana devi dasi (Fernanda) pelos tels. (21)

2294-0597/2549-9939, ou pelo BIP (21) 3460-1010, código 2815142. O e-mail de Goura é fernandamayr@hotmail.com. Cláudia Dinep, no Rio de Janeiro, também responde pela casa de hóspedes e pode ser contactada pelo tel. (21) 2549-9939.