INTRODUÇÃO
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| Foto: Débora
Bedin |
Praticamente em todos os finais de semana, faça chuva
ou faça sol, uma tribo de turistas diferentes invade Paraty.
Eles não vêm para admirar o patrimônio histórico
ou as praias do município. Pelo menos não primordialmente.
O principal motivo de sua viagem fica embaixo d'água. Cerca
de 700 mergulhadores, segundo estimativas de escolas e operadoras
de mergulho locais, chegam a Paraty em busca de suas águas
tranqüilas, estrutura relativamente organizada e profundidades
rasas - ambiente propício para quem está começando
a se encantar pela atividade.
Um desses turistas é o fiscal da Receita Federal José
Luiz Ferreira dos Santos, que mora em Taubaté e vai à
Paraty pelo menos uma vez por mês na temporada de verão.
Aqui ele começou a mergulhar. "Tudo me empolga. É
um mundo silencioso e cheio de vida", explica.
Sua rotina nos fins de semana de verão é descer
a serra e seguir, de barco, a uma das muitas ilhas que abrigam
concorridos pontos de mergulho: dos Ganchos, Comprida, Algodão,
Catimbau, Deserta, dos Ratos e dos Meros, entre outras. Só
em equipamentos, que permitem a façanha de respirar e se
locomover embaixo d'água, Santos já investiu cerca
de R$ 3 mil.
O fiscal garante que vale a pena. E seus colegas mergulhadores
também. Embaixo d'água há um mundo colorido
de peixes como donzelinhas, sargentinhos, garoupas, e outros animais
como polvos, camarões, estrelas e pepinos-do-mar vivendo
entre pedras e corais que formam um verdadeiro jardim subaqüático.
Mas não é apenas essa fantástica visão
o motivo para a atividade ter tanto sucesso. A sensação
de estar respirando e parecer "voando" por causa da
flutuação é confortante. "Mergulhar
é mais que um hobby. É uma terapia", garante
a artesã Ana Maria Carneiro, praticante da atividade há
dois anos.
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| Foto: Maria Helena Andrade
Silva. |
Outra característica marcante do mergulho é que
ele deve ser realizado, no mínimo, em duplas, e em grupos
no caso de pessoas inexperientes, sob a supervisão de um
instrutor ou do chamado dive-master, uma espécie de "guia".
"Fazemos grandes amizades no mergulho", afirma Ana Maria.
Uma grande vantagem em Paraty, apontada por Ana Maria, é
que dá para mergulhar o ano inteiro, melhor ainda se for
entre abril e junho, quando chove menos e as águas ficam
mais claras. Ou seja: fora da alta temporada, quando as diárias
de hotéis são menores e a cidade fica mais tranqüila.
Para ser praticante do chamado mergulho autônomo é
preciso iniciar-se através de um curso básico, explica
o instrutor Roberto Maurício Guimarães, da Alpha
Dive Atividades Subaquáticas. O curso, com duração
de uma semana, tem noções sobre a utilização
dos equipamentos, segurança e vida marinha. O "batismo"
(primeiro mergulho) é realizado em algumas das ilhas da
Baía de Paraty. É preciso ter equipamento básico
(máscara, respirador ou snorkel e nadadeiras); o restante
é alugado pela própria escola ou operadora.
Após o curso, o aluno fica credenciado como mergulhador
recreacional e é autorizado a alugar equipamentos e praticar
a atividade sempre com a supervisão de um profissional
do mergulho. Mas quem gosta, não quer parar mais, e há
outros cursos que vão do mergulho em naufrágio e
em cavernas a fotografia e filmagem subaquática.
Já o mergulho livre requer apenas um equipamento básico
e qualquer pessoa pode visualizar o que existe embaixo d'água.
As próprias escunas e saveiros que organizam passeios pela
baía de Paraty também alugam este equipamento.
CAMISETAS E INCENTIVOS:
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| Foto: Débora
Bedin |
Em outros países, principalmente nas ilhas do Caribe
e na Austrália, o mergulho têm status de atividade
turística oficial. No Brasil, apesar dos oito mil quilômetros
de costa, o mergulho ainda engatinha. Há lugares que ainda
nem têm operadoras e, mesmo em Paraty, é preciso
fazer muito para que a atividade seja cada vez mais incrementada,
comenta o instrutor Guimarães.
Algumas destas iniciativas: a criação de unidades
de conservação marinhas, que protejam os pontos
de mergulho, e a implantação de recifes artificiais.
Embarcações antigas e materiais como pneus, por
exemplo, quando afundados de maneira planejada podem atrair a
vida marinha. E, no caso das embarcações, virar
concorridos pontos de naufrágios.
Guimarães afirma que muitas pousadas e restaurantes em
Paraty têm boa freqüência na baixa temporada
por causa das atividades subaquáticas, e que por isso devem
ser encaradas com seriedade no planejamento turístico do
município. Mas não é apenas o ramo hoteleiro
que lucra com o mergulho.
Bandeiras vermelhas, golfinhos, tartarugas, sereias, tubarões
e mergulhadores são algumas das principais estampas mais
comercializadas pelas lojas de camisetas, uma febre que acabou
virando lembrança obrigatória de quem passa por
Paraty, seja mergulhador ou não. Escolha a sua!
Informações sobre cursos e equipamentos: Alpha
Dive Atividades Subaquáticas
Tel: 24 3371-2798 - alphadive@zaz.com.br
- Paraty - RJ
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