Umpatrocínio de

REPORTAGEM ESPECIAL
 
"A praia, a serra e o cotidiano caiçara são temas
para o compositor Luís Perequê
"
 
Paraty em música e poesia Encanto Caiçara Serra do Mar
Poema de Tropeiro Paraty Exposição Virtual

Foto: Débora Bedin

Foto: Débora Bedin

Foto: Débora Bedin

POEMA DE TOUPEIRO

Era uma vez,
Uma estrada tão bonita,
Curva, descida e subida
E a gente morava lá.
No pé da serra,
Num rancho embaixo do mato.
Pai e mãe, foice e machado,
Pra botar roça no chão,
Pra poder ter sete fio bem criado
Ter um feijoal florado
E mio sortano pendão.
E pai se acordava no pé do dia,
Chamava Lica e Maria e mãe se acordava tomém
Minino, se acorda sem teimosia
Qe já tá raiando o dia,
Passarada, cantoria, é hora de trabaiá.
E era assim a vida do povo da forquia,
E no sistema da roça, nossa vida maravia
Prantava um pouco de tudo e de tudo se coia,
Só se comprava o sá, querosena e a pinguinha
Na birosca do arraiá que quase nada tinha.
E na manhã de sexta-feira pai punha a tropa na tria,
Gorumgumba de tropeiro
Lembro ligeiro dizia:
Mete a manta na potranca, puxa a mula de guia.
Fio, vamo pra cidade cum uma carga de farinha.
Muié, aqui cum Deus e cuida bem das criançinha,
Se a gente não vortá hoje, só amanhã de tardinha.
Tem caruela pros capado e um mio dibuiado,
Dá de cumê pras galinha
E os restoio da quiçamba é ração das cabritinha.
Foi a derradeira vez que nóis fez essa viagem,
Cá na curva do ruturvo,
Antes de chegar na varge da Maria Caetana
Encontremo a caravana cum a notícia da cidade.
Tava fazendo a picada pra estrada de rodage.
Pra encurtar essa conversa,
Pode acreditar meu moço,
Vi o morro do Pedroso ser cortado pelo meio
E essa estrada tão bonita que cantei nesse ponteio,
Foi trocada pelo asfarto frio, faminto e feio
Roceiro virou pedreiro
Trabalhando em construção,
Fez as casa do estrangeiro
Grileiro de nosso chão.
Tropeiro patrão de burro
Hoje é burro de patrão
Tem no peito um sussurro
Quando vê lote de burro
Passando de caminhão.
E esse fio de tropeiro nasceu pra ser violeiro
Fez um poema ligeiro contando