Na Rota do Rally Paris-Dakar 2005: E Se?
por Klever Kolberg, da Equipe Petrobras Lubrax - (parisdakar@parisdakar.com.br)
20/12/2004


Piloto Klever Kolberg
Foto: Henrique Skujis


A insegurança faz parte da natureza humana. Dela, não escapam os corajosos viajantes que desafiam as maiores montanhas do planeta, os esportistas que enfrentam ondas assustadoras, os soldados que partem para uma guerra... Há até os que são tomados por esta insegurança e tremem na base ao falar em público ou pedir um reajuste de salário ao chefe.

Desde de criança, eu convivo com este problema. Era tomado por uma insegurança, por exemplo, na hora de de fazer um exame na escola. Hoje, adulto, não tiro o olho de meus filhos quando saio com eles. É um problema: amadureci, mas a insegurança não desapareceu.

No entanto, ao longo dos anos, aprendi a disfarçar esta insegurança. Minha primeira participação no Dakar, em 1988, foi uma escola de vida neste ponto. Antes de enfrentar o desafio, já havia viajado pela América, surfado, pedalado minha bicicleta, pilotado minha moto, mas tudo não passava de uma brincadeira de criança, como pilotar carrinhos de plástico ou descer a lomba da rua de casa com um rolimã (esta saiu do baú).

Quando comecei a me preparar, as perguntas começaram a cair por todos os lados. E se você se perder no deserto? E se você ficar sem água? E se você sofrer um acidente? E se você pegar uma doença? Não era preciso ser um grande estrategista para pensar nos óbvios riscos que eu corria no deserto.

Na marra, peguei o jeito de ator e não deixei transparecer a verdade: estava apavorado. Antes de tudo, era necessário estar convicto da minha ousada decisão de enfrentar o Paris-Dakar. Para buscar esta serenidade, tratei de atacar o problema por partes. Se a dúvida era sobre as doenças ou venenos de bichos peçonhentos, busquei as respostas com médicos e no Instituto Butantã.

Também era preciso passar uma imagem para amigos, concorrentes, patrocinadores e para a mídia. Logo percebi que a falta de informação contribuía para aumentar o meu medo. Então, para cada pergunta eu buscava uma resposta, como se estivesse participando de um vestibular ou de um destes jogos para ganhar dinheiro no programa do Silvio Santos. Se me perguntassem o que eu faria caso a moto quebrasse e não tivesse conserto, eu tinha resposta na ponta da língua: o regulamento do Dakar nos obriga a levar 5 litros de água para sobrevivência, além de uma série de equipamentos sinalizadores, inclusive uma "baliza" que emite sinais por satélite. Esbanjando uma experiência que não tinha, concluía: "Nunca ninguém deixou de ser encontrado no Dakar".

Mas foi em um churrasco na casa de um amigo, que seu filho de 7 anos começou a me encurralar e eu quase entrei em desespero. Ele perguntou sobre a possibilidade de acidentes. Eu respondi que levava um bom kit de sobrevivência. O garoto começou a emendar um monte de "e se". "E se você quebrar um osso?" Respondi que haviam o carros médicos. "E se o carro médico quebrar e não te encontrar?"Respondi que tinha a tal baliza. "E se a baliza não funcionar?" Respondi que outro concorrente poderia me ajudar. "E se ninguém passar por lá?" Para não deixar o moleque tomar conta da situação e acabar com a entrevista, desconversei: "Já estão servindo o sorvete".

Ajude-me a escrever o próximo artigo. Faça perguntas, envie sugestões e tire suas dúvidas através do site www.parisdakar.com.br

Klever Kolberg, 42, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax

A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Minoica Global Logistics, Banco DaimlerChrysler, Mercedes-Benz Caminhões, Mercedes Seguros, Controlsat Monitoramento Via Satélite, Eurofarma, Planac Informática, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix, ZF do Brasil, Behr, Sadia e Dakar Promoções.

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