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Na Rota do Dakar 2005: Bonne Anée a todos
por Klever Kolberg, da Equipe Petrobras Lubrax - (parisdakar@parisdakar.com.br)
01/01/2005

Na coluna anterior, comentei sobre o "maravilhoso" Natal que curtimos cruzando o Mediterrâneo rumo a Líbia em dezembro de 1991. Reprisando: largamos de Paris no dia 23 de dezembro e, após dois dias de barco chegamos à Líbia. Logo no desembarque, debaixo de chuva e frio, tivemos que montar em nossas motos e seguir viagem. Dias depois, a virada do ano também não nos reservava grandes alegrias.

Atravessamos a Líbia pegando muita chuva no primeiro dia. Quando a água parou de cair do céu, a areia começou a subir do chão. Foram quatro dias seguidos de tempestade de areia. Por sorte foi naquele ano que a organização permitiu a utilização do GPS, o aparelho que faz navegação por satélite.

Na época, era um aparelho caro e grande: parecia um toca-fitas instalado no guidão da motocicleta. No meio daquela densa nuvem de areia, ele era fundamental. A tempestade de areia é pior que neblina. A diferença é que você não está em uma estrada devidamente sinalizada. No deserto, as referências somem de vez. A tecnologia nos trouxe certa segurança. Se não identificava as referências, bastava acompanhar as indicações do GPS. Segundo o ditado, "em terra de cego, quem tem um olho é rei". E o GPS serviu como este olho. Valeu cada centavo investido. Seguir as indicações do aparelho significa seguir o caminho mais curto entre dois pontos, uma reta. Por outro lado, no Saara, uma reta não é necessariamente o caminho mais rápido ou mais fácil entre estes dois pontos. Quase sempre, não é um caminho possível.

No quarto dia consecutivo de tempestade de areia, chegamos ao Níger, em Dirkou, e largamos rumo a N´Guimi, no Chade. Foram 600 km, que naquelas condições pareceram 6.000. Após 12 horas de sufoco, estávamos a 50 km do destino final, completamente fora da rota indicada, seguindo direto por um terreno tenebroso de dunas e areia fofa, literalmente orientados pela flecha do GPS. Tudo parecia bem, quando, de repente, o GPS apagou. Tentamos um reparo, mas sem conhecimento apenas desperdiçamos tempo.

A solução foi voltar ao passado e tirar a velha bússola do bolso. Sem visibilidade, sem referências e pilotando uma moto em terreno extremamente acidentado, se guiar por uma bússola era coisa para malabarista. A cada 100 metros parávamos para conferir o rumo e corrigir a direção. Os 50 km restantes se multiplicaram. Depois de quatro longas horas, havíamos percorrido 100 km e nem sinal do acampamento. Mas a persistência e, claro, a total falta de opção nos ajudaram a encontrar o destino.

Quando vislumbramos o acampamento, após 17 horas de pilotagem, sem almoço, sem jantar e estressados pelo medo de ficar perdido no deserto, o responsável pelo controle da chegada dos pilotos nos recebeu com um cálice de champanhe e nos disse em francês: "Bonne anée". Demorou um pouco para cair a ficha. Olhamos no relógio e percebemos que eram 25 minutos do dia 1º de janeiro de 1992. Chegamos na hora da "festa". Bonne anée a todos.

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Klever Kolberg, 42, é piloto do Mitsubishi da Equipe Petrobras Lubrax

A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, Pirelli, e apoio da Minoica Global Logistics, Banco DaimlerChrysler, Mercedes-Benz Caminhões, Mercedes Seguros, Controlsat Monitoramento Via Satélite, Eurofarma, Planac Informática, Telenor Satellite Services AS, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Artfix, ZF do Brasil, Behr, Sadia e Dakar Promoções.

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